Número de infectados confirmados desce. Houve “casos duplicados que não eram verdadeiros”

Mário Cruz / Lusa

O número de pessoas infectadas pela Covid-19 em Portugal sofre uma correcção, descendo de 25.351 para os 25.190 de ontem para hoje. Uma descida que a ministra da Saúde, Marta Temido, justifica com o facto de ter havido “casos duplicados que não eram verdadeiros”.

A informação foi dada neste sábado, em conferência de imprensa, aquando da apresentação do último boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Havia 422 casos duplicados na zona norte que, afinal, não eram casos novos, de acordo com Marta Temido.

Assim, relativamente a sexta-feira, há um aumento de 203 casos. O número de infectados confirmados situa-se, agora, nos 25.190. Na sexta-feira, havia, afinal, 24.987 casos ao contrário dos 25.351 anunciados.

“Os testes informáticos de verificação encontraram 422 casos duplicados que não eram verdadeiros, casos novos, e sim problemas de integração”, revelou Marta Temido, explicando que “isto sucedeu porque, quando um caso confirmado laboratorialmente não tem número de utente associado, não porque não o tenha, mas porque não é registado, o sistema está parametrizado para verificar se o nome e a data de nascimento correspondem, se pertence a um caso que já estivesse confirmado”. “O sistema considerou, por defeito, que eram novos casos e, realizada, esta noite, a verificação, constatou-se que assim não era”, concluiu.

“Esta correcção mostra, mais uma vez, a necessidade de robustecimento da nossa base tecnológica de suporte ao sistema nacional de vigilância epidemiológica, que tem um conjunto de operações que não são automáticas e, neste caso, levaram a que esta correção fosse necessária”, acrescentou a ministra da Saúde.

O número de mortes associado à Covid-19 é, agora, de 1023, mais 16 do que nas anteriores 24 horas. A taxa de letalidade global é de 4,1%, subindo para 14,5% nas pessoas com mais de 70 anos.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (585), seguida da região do Centro (206) e de Lisboa e Vale do Tejo (205), Algarve (13), dos Açores (13) e do Alentejo que regista um caso, mantendo-se a Região Autónoma da Madeira sem registo de óbitos.

Segundo os dados da DGS, 520 vítimas mortais são mulheres e 503 são homens.

Das mortes registadas, 691 tinham mais de 80 anos, 201 tinham entre os 70 e os 79 anos, 89 entre os 60 e 69 anos, 32 entre 50 e 59, e 10 entre os 40 e os 49.

A caracterização clínica dos casos confirmados indica que 855 doentes estão internados em hospitais, menos 37 do que na sexta-feira (-4,1%), e 150 estão em Unidades de Cuidados Intensivos, menos quatro em relação ao dia anterior, o que representa uma descida de 2,5%.

Os dados da DGS precisam que o concelho de Lisboa é o que regista o maior número de casos de infecção pelo coronavírus (1.567), seguido por Vila Nova de Gaia (1.413), Porto (1.247), Matosinhos (1.149), Braga (1.086), Gondomar (1.012), Maia (871), Valongo (729), Sintra (604), Guimarães (613), Ovar (566) e Coimbra, com 416 casos.

Desde o dia 1 de Janeiro, registaram-se 252.728 casos suspeitos, dos quais 3.761 aguardam resultado dos testes.

Há 223.777 casos em que o resultado dos testes foi negativo, refere a DGS, adiantando que o número de doentes recuperados aumentou para 1.671, mais 24 do que na sexta-feira (1,4%).

ZAP ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Se a correcção dos 422 duplicados, foi uma tentativa para provocar um “pico de infectados” no dia 1/5, falhou a tentativa.
    A correcção terá de ser feita igualmente nos Relatório de Situação nº 059 e 060 da DGS.
    Portugal continua a crescer (ligeiramente) em “Infectados Activos”, o verdadeiro indicador da situação epidemiológica de cada país.
    Se Costa se agarrou ao R0 ou ao Rt para “desconfinar”, foi bem enganado.
    Ouça antes o que lhe diz o cardiologista Fausto Pinto, novo diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

  2. No início desta crise ouvi os nossos governantes garantirem que não iriam mentir, nem poderiam, quanto a esta epidemia na saúde. Todos os dias me sinto mais enganado com as notícias que são publicadas. Esta do erro “informático” é mais uma que me parece pouco credível. Também me deixa a pensar ser pouco credível que, no passado dia 27, após o anúncio de baixar em breve o nível de austeridade, o número de infectados desceu abruptamente para cerca de um terço dos números apresentados nos dias anteriores e por aí se tenha mantido. O que é que os nossos governantes sabem que não querem partilhar com o povo. Ou será que são adivinhos e acertam nas previsões com muita antecedência. De qualquer modo, não vejo como muito credível as informações que disponibilizam. Apetece-me desabafar como o fez a deputada independente, É MENTIRA.
    E os ventiladores que faziam tanta falta para evitar mortes, que foram comprados e pagos à China a ainda não foram entregues, será que faziam mesmo falta ou foi algum negócio esquisito? É que ainda hoje ouvi a ministra da saúde afirmar que existem cerca de 2300 ventiladores disponíveis apenas para os infectados desta pandemia, o que dá um para cada infectado hospitalizado, não apenas na UCI, e ainda sobram dois terços dos ventiladores, mas ainda continuam encomendados muitos ventiladores a custo unitário de cerca de 18000 euros, será um erro faraónico ou um negócio da China?
    Tenho muitas mais dúvidas mas a minha vida não é isto.

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