Nobel da Paz atribuído ao primeiro ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali

O Nobel da Paz foi atribuído ao primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed Ali. O laureado foi anunciado esta sexta-feira pela Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia.

O prémio foi atribuído pelos seus esforços para “alcançar a paz e a cooperação internacional” com os acordos de paz com a Eritreia. “A Paz não chega das ações de apenas uma parte. Quando o primeiro-ministro estendeu a sua mão, Isaias Afewerki agarrou-a” para começarem juntos um caminho de paz, justificou o comité.

“Ainda que falte muito trabalho na Etiópia”, Abiy Ahmed Ali​ “passou os últimos meses a tentar alcançar a amnistia do país”, acabando com a censura dos meios de comunicação, promovendo a paz social, e aumentando a importância das mulheres na comunidade da Etiópia.

De acordo com a casas de apostas, a ambientalista Greta Thunberg, o Papa Francisco, Donald Trump, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados eram os principais candidatos ao Nobel da Paz.

Outro dos favoritos era, segundo as casas de apostas, o Papa Francisco, indicado todos os anos desde que assumiu o cargo sucedendo a Bento XVI, em 2013.

Donald Trump era outro dos nomes com muitas apostas, sendo também um dos mais polémicos. A sua indicação foi confirmada por si próprio, em fevereiro, tendo sido apresentada pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pela reabertura de negociações com a Coreia do Norte.

Entre os candidatos especulava-se ainda que constem os nomes da chanceler alemã Angela Merkel, da organização Repórteres Sem Fronteiras, do Presidente francês, Emmanuel Macron, do analista que revelou detalhes dos programas de vigilância dos Estados Unidos Edward Snowden, do fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, e do ex-primeiro-ministro grego Alexis Tsipras.

Os prémios Nobel surgiram da vontade de Alfred Nobel, cientista e industrial sueco (1833-1896), em deixar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem por “um mundo melhor”. Todos os anos são atribuídos prémios que chegam aos nove milhões de coroas suecas (cerca de 830 mil euros) aos laureados, segundo a vontade que Alfred Nobel deixou escrita em testamento em 1895, um ano antes de sua morte.

Segundo os termos do documento escrito em Paris, cerca de 203 milhões de euros  foram alocados a uma espécie de fundo cujos juros deviam ser redistribuídos anualmente “àqueles que, durante o ano, tenham prestado os maiores serviços à humanidade”.

O testamento previa que os juros do capital investido fossem distribuídos ao autor da descoberta ou invenção mais importante do ano no campo da Física, da Química, da Fisiologia ou Medicina, e da obra de Literatura de inspiração idealista que mais se tenha destacado. Uma última parte seria atribuída à personalidade que mais ou melhor contribuísse para “a aproximação dos povos”.

No ano passado, os vencedores do Nobel da Paz foram Nadia Murad e Denis Mukwege, que “fizeram uma contribuição crucial para combater crimes de guerra”.

Denis Mukwege, nascido em 1955, é um médico ginecologista congolês, célebre pela sua acção humanitária na República Democrática do Congo, onde gere um hospital em Bukavu.

Mukwege especializou-se no tratamento de mulheres violadas por milícias na guerra civil do Congo, sendo um dos maiores especialistas mundiais na reparação e tratamento de danos físicos provocados por violação.

Já a ativista dos direitos humanos yazidi Nadia Murad, nascida em 1993, é desde setembro de 2016 a primeira Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico Humano das Nações Unidas.

Murad foi sequestrada pelo Estado Islâmico em agosto de 2014, numa ação terrorista na aldeia de Kocho, no norte do Iraque, na qual combatentes jihadistas invadiram a comunidade e mataram 600 pessoas, incluindo seis dos seus irmãos.

Em julho, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, recebeu na sala Oval, na Casa Branca, sobreviventes de perseguição religiosa. Quando chegou a vez Nadia Murad, a ativista contou como foi uma das milhares de mulheres e raparigas yazidi raptadas pelo grupo extremista auto-intitulado Estado Islâmico. Após esta explicação e pedido de ajuda, depois de ter Trump ter afirmado que o Daesh já foi derrotado, que o presidente dos EUA perguntou: “E recebeu o prémio Nobel? Isso é incrível. Recebeu-o por que razão?”.

ZAP //

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