No distrito de Castelo Branco, apenas uma fábrica de confeções não está em lay-off

No distrito de Castelo Branco, devido à pandemia da covid-19, apenas uma empresa de confeções não se encontra em ´lay-off`, uma procedeu ao despedimento coletivo de 60 pessoas e outra enviou para casa os funcionários “sem dar explicação”.

A informação é adiantada pela presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa, Marisa Tavares, à agência Lusa. Segundo a dirigente, “nas confeções está tudo parado, só uma empresa está na habitual semana de férias da Páscoa”, no concelho do Fundão.

No Tortosendo, vila próxima da Covilhã, uma firma dispensou 60 pessoas e uma outra, censura Marisa Tavares, enviou cerca de 60 pessoas para casa, argumentando não ter trabalho, “mas sem lhes ser dada uma explicação sobre a sua situação”.

“Estamos a trabalhar para tentar suspender os contratos de trabalho, para que possam ter uma fonte de rendimento”, diz a presidente do STBB, segundo a qual este ramo emprega, no distrito, cerca de mil pessoas, enquanto nos lanifícios há 1.500 postos de trabalho.

De acordo com a dirigente sindical, “o impacto já é muito significativo“. Só não tem um peso maior nos trabalhadores porque, no caso das confeções, “cerca de 90% recebe o salário mínimo e não vai ter uma quebra no rendimento”.

O setor dos lanifícios, adianta Marisa Tavares, “está a trabalhar”, exceto uma fábrica que aderiu ao ´lay-off´ por os parceiros serem sobretudo espanhóis, e uma outra, a Fitecom, com 200 empregados, recorreu à redução temporária do horário.

João Carvalho, o proprietário da empresa, informa não estar a receber encomendas “há mais de mês e meio”, uma vez que exporta 98% dos tecidos e, por tudo estar fechado, não consegue fazer as entregas aos clientes e tem o armazém lotado.

Devido ao atual contexto, optou por, nas divisões de tecelagem e acabamento, recorrer ao ´lay-off` parcial, com os funcionários a trabalharem três dias.

No mercado inglês, onde tem muitos clientes, são várias as marcas que fazem a confeção na China e as entregas no destino estão em suspenso. “A minha principal preocupação é manter os trabalhadores e ter dinheiro para lhes pagar no final do mês”, frisa João Carvalho. O proprietário da Fitecom diz que “tudo terá de voltar a um equilíbrio” e o seu objetivo é “resistir até se chegar a esse ponto”, embora se manifeste apreensivo.

Esta situação não se pode prolongar por muito tempo, porque não há economia que resista por muito mais tempo”. No seu caso, alerta para a estabilidade da empresa, que lhe permite aguentar algum tempo. “Nós, felizmente, sempre tivemos uma situação económica muito equilibrada. Julgo que, com a ajuda do ´lay-off`, nos conseguimos aguentar três ou quatro meses”, prevê João Carvalho. “O meu maior receio é que as coisas continuem por muito tempo e entre em rutura”, acrescenta o industrial, com fábrica na Covilhã.

João Carvalho acredita que após a pandemia o sucesso vai ser de quem for “capaz de se adaptar às novas realidades”. Marisa Tavares vinca ter “uma atitude otimista” e pensar que, “quando as lojas abrirem, a economia vai começar a funcionar”, embora anteveja que “uma ou outra empresa passe dificuldades”, perspetiva que “quem trabalha com grandes marcas, provavelmente, vai continuar a trabalhar”.

Neste momento, a principal preocupação é com a saúde dos trabalhadores, “que vão todos os dias para a fábrica com o coração nas mãos”. João Carvalho garante ter adotado medidas quando a covid-19 ainda não tinha chegado a Portugal e diz observar que os funcionários “são cautelosos e têm cuidados máximos”.

Luís Garra, coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, considera prioritário estar atento “ao agravamento da situação social”, às questões sanitárias, sublinha que “a recuperação vai ser paulatina” e assegura estar alerta para que “entidades patronais não carreguem em cima dos direitos dos trabalhadores a pretexto da pandemia”.

Lusa // Lusa

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