ECDC. Portugal terá “níveis muito baixos” de novos casos se mantiver restrições

Mário Cruz / Lusa

Se Portugal mantiver as restrições adotadas atualmente, irá registar em dezembro “níveis muito baixos” de novos casos de covid-19.

O Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), criado com a missão de ajudar os países europeus a dar resposta a surtos, estima que, se Portugal mantiver as restrições adotadas atualmente, irá registar em dezembro “níveis muito baixos” de novos casos de covid-19, seguidos de menos admissões hospitalares e mortes.

“Nas mais recentes projeções, estimámos que 22 dos 31 Estados-membros [da União Europeia e do Espaço Económico Europeu] terão uma redução do número de casos confirmados e, subsequentemente, das admissões hospitalares e mortes, para níveis muito baixos”, indica o ECDC.

Portugal é um desses países, mas isso apenas se “mantiverem as medidas de resposta em vigor a 18 de novembro de 2020 e até ao final do período de previsão, que é 25 de dezembro de 2020″, acrescenta a agência europeia, aludindo ao relatório divulgado esta semana.

Numa altura em que a situação epidemiológica se continua a agravar em Portugal, com novos máximos diários de internamentos e nos cuidados intensivos, o país encontra-se em estado de emergência, com restrições à circulação na via pública durante a semana e fins de semana e aos trajetos entre concelhos nos feriados, horários mais limitados para comércio e restauração e uso obrigatório de máscara na rua e nos locais de trabalho.

Se estas medidas continuarem a serem adotadas em Portugal, o ECDC prevê, no relatório divulgado esta semana com projeções a curto prazo sobre a evolução da situação epidemiológica na União Europeia (UE), que após um pico de infeções em meados de novembro, se registe um abrandamento acentuado em dezembro, que deverá culminar em menos de 2.000 casos diários em janeiro.

No caso dos números diários de mortes, de internamentos e de entradas nos cuidados intensivos, o pico deverá ser atingido em dezembro, de acordo com esta agência europeia, que prevê um abrandamento em janeiro.

Evitar um aumento das infeções na altura festiva requer “uma combinação de medidas – incluindo medidas de distanciamento físico, medidas de permanência em casa, tais como teletrabalho, isolamento em caso de sintomas e a implementação de testes generalizados e rastreio de contactos”, e depende “do rigor com que as pessoas aderem às recomendações”.

“Dadas as medidas de resposta atualmente em vigor, prevemos que mais de metade dos Estados-membros da UE e do Espaço Económico Europeu observarão uma redução de mais de 50% no número diário de casos confirmados, e uma subsequente redução na procura hospitalar associada e mortes”, refere o ECDC no relatório.

Ao mesmo tempo, “espera-se que mais de dois terços dos Estados-membros registem alguma diminuição na taxa diária de casos confirmados como consequência das políticas atuais”, acrescenta. A agência europeia de saúde pública admite, porém, que estas projeções “continuam a ser um grande desafio, uma vez que estão muito dependentes das políticas decretadas pelos Estados-membros”.

No caso das estimativas divulgadas esta semana, “foram feitas logo após a implementação de novas medidas, incluindo ordens e recomendações para permanência em casa”, pelo que “há poucos dados observados sobre o seu impacto e amplos intervalos de incerteza”, salvaguarda o ECDC.

Outro cenário equacionado pelo ECDC neste relatório foi se “o comportamento regressasse ao de 1 de abril de 2020, quando as medidas mais rigorosas estavam em vigor em toda a Europa”, tendo a agência verificado que, nesse cenário, “todos os países assistiriam a um declínio na incidência da covid-19“.

Lusa // Lusa

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