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Nenhuma testemunha da morte de Bruno Candé falou de racismo, garante PSP

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Bruno Candé Marques / Facebook

O ator Bruno Candé Marques, morto a tiro em Moscavide, Loures

Segundo o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, foram inquiridas seis testemunhas no local após a morte do ator e nenhuma falou de racismo.

Luís Santos, comissário do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS) da PSP, garantiu ao Público que, na inquirição de testemunhas ouvidas no local após o homicídio, não houve relatos de insultos ou ameaças racistas. “Temos ouvidas seis testemunhas. Nenhuma das testemunhas falou nisso, nenhuma falou em racismo.”

O comissário referiu que não tem acesso aos autos formais nem “ao que vai constar do teor da acusação” do Ministério Público (MP), mas adiantou ao diário que as testemunhas “estavam na via pública e ouviram os disparos”, não tendo ouvido insultos ou ameaças racistas.

Aliás, o responsável indicou que os relatos das testemunhas ouvidas no local parecem apontar para “algum desaguisado” entre “os dois sujeitos processuais”, não havendo ainda qualquer indício de que o desaguisado estivesse relacionado com “a cor da pele” da vítima.

Não tenho acesso a qualquer informação que me leve a poder dizer que A chamou nomes a B ou C, discriminatórios em termos de cor de pele”, disse Luís Santos.

A família do ator anunciou, em comunicado, que três dias antes do crime este já havia sido ameaçado de morte, tendo sido alvo de “vários insultos racistas” por parte do suspeito de homicídio. “Face a esta circunstância”, a família considerou que “fica evidente o caráter premeditado e racista deste crime”.

Catarina Martins repudia “assassinato violento, racista”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, repudiou este domingo a morte do ator Bruno Candé Marques, baleado no sábado em Moscavide, que qualificou como “um crime horrível, um assassinato violento, racista“.

A bloquista defendeu que é bom que se perceba que “racismo não é opinião, é crime“, e que, “quando se tira a humanidade a outros com o racismo, estas coisas acontecem”.

Catarina Martins interrogou “como é possível o tom de pele determinar que alguém perca assim a vida num crime tão odioso”.

“E, se ficaremos a pensar nesta família, nos amigos, nesta perda, nesta enorme dor, não deixaremos também de discutir essa frase que é muitas vezes dita, e o seu significado profundo: o racismo não é uma opinião, o racismo é crime, e o crime acontece”, reforçou.

“Portugal é o país menos racista da Europa”

A direção nacional do Chega sustentou, também este domingo, que a morte do ator Bruno Candé Marques é uma tragédia sem relação com o racismo e acusou a esquerda de aproveitamento destes casos.

Apesar de, em comunicado, a família do ator de 39 anos referir que “o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas”, a direção do Chega contrapôs que “o assassinato do ator Bruno Candé é uma tragédia mas nada tem, segundo os dados conhecidos até ao momento, a ver com racismo”.

Numa nota enviada aos órgãos de comunicação social, o partido liderado pelo deputado André Ventura reiterou a ideia de que “a sociedade portuguesa não é racista” e considerou “que o aproveitamento político que a esquerda faz destes episódios é deplorável”.

Portugal é o país menos racista da Europa, talvez do mundo, pelo que só nos resta transmitir à família e amigos de Bruno Candé sentimentos de solidariedade e conforto”, acrescentou a direção nacional do Chega, nesta curta nota, com três parágrafos.

  ZAP // Lusa

6 Comments

  1. Tem uma certa ironia este “senhor do partido do Chega” falar sobre o racismo…mas probto são opiniões…se estamos num estamos numa democracia temos de ter direito a opinião desde que não ultrapasse os limites da liberdade de cada um….quanto a noticia é um crime, seja ele com contornos racistas ou não é foi um homicídio

  2. Pouco interessa se o motivo foi racismo ou a cadela ou as duas coisas. Foi um homicídio. Premeditado. Foi uma vida. Uma pessoa que deixa três órfãos pequeninos. Este velho nojento nunca cumprirá a pena que merece. Não tem esperança de vida que chegue.

  3. O tribunal tem de ir buscar os bens e a casa do velho ou à família para atribuir uma grande indemnização à mulher e aos filhos menores da vitima. Só desta forma é que se tira a ideia da cabeça aos outros velhos que têm a mania e se gabam que não importa se forem condenados porque são enviados para casa em pena domiciliária por serem velhos ou doentes.

  4. Foi um crime racista? Talvez, o que não significa que Portugal seja um país racista. Afinal de contas há mais crimes contra o pudor de crianças em Portugal, do que crimes racistas E ninguém se lembraria de dizer que Portugal é um país de pedófilos.

  5. Mais um crime a lamentar como todos os outros, mas infelizmente logo rotulado de racista com partidos pelo meio para atiçar mais ainda a veia racista que um ou outro independente da raça possa ter. Por esta ordem de ideias e tendo em consideração os ataques de gente preta quer a civis, quer às autoridades, é razão para perguntar porque se fica esta gente calada quando surgem circunstâncias destas que afinal são tão frequentes. Será que racismo é apenas de branco contra preto e nunca o contrário?

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