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Homem morto a tiro em Moscavide. Família fala de crime “premeditado e racista”

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Bruno Candé Marques / Facebook

O ator Bruno Candé Marques, morto a tiro em Moscavide, Loures

Um homem, de 39 anos, morreu, este sábado, em Moscavide, Loures, depois de ter sido abatido a tiro por outro homem, com cerca de 80 anos.

De acordo com o semanário Expresso, o homem que perdeu a vida, este sábado, chama-se Bruno Candé Marques, tinha 39 anos, era ator da companhia de teatro Casa Conveniente e já tinha participando em telenovelas. De nacionalidade portuguesa, mas de ascendência guineense, deixa três filhos menores, de sete, cinco e três anos.

Segundo a PSP, o homem foi “baleado em várias zonas do corpo” por outro homem, com “cerca de 80 anos”, na Avenida de Moscavide, em Moscavide, Loures. O homicida foi imobilizado pela população até à chegada da PSP.

Com a polícia já no local, o óbito foi declarado no local e o atirador “não ofereceu resistência” à detenção, tendo-lhe sido apreendida a arma de fogo usada no crime. Por se tratar de um homicídio, o caso foi entregue à Polícia Judiciária.

Uma testemunha do assassinato explicou que “o conflito começou há dois dias e o senhor (que disparou) andava à procura da vítima”, adiantando que a tensão entre ambos terá sido por causa da cadela da vítima, que usava como guia depois de um acidente muito grave de bicicleta que lhe deixou sequelas.

Em declarações ao jornal Público, a atriz da companhia Casa Conveniente, Marta Félix, avançou que terá havido “uma discussão na quarta-feira, depois de um homem ter tropeçado na cadela do Bruno, da qual era inseparável e que foi importante na sua recuperação”.

Segundo a atriz, o “homem terá ameaçado o Bruno de morte e, este sábado, quando estava numa esplanada na avenida principal de Moscavide, onde ia assiduamente, o homem avistou-o, terá ido pouco depois a casa buscar uma arma, e disparado quatro tiros.”

“Crime com motivações de ódio racial”

Questionado sobre se o crime foi motivado por racismo, o comissário da PSP, Bruno Pires, referiu que “a única coisa que se sabe, e que poderá ser útil para a investigação, é que já existem relatos de desacatos ao longo desta semana”.

Em comunicado, a família refere que o ator “foi alvejado à queima-roupa, com quatro tiros, na rua principal de Moscavide” e que “o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas”.

“Face a esta circunstância”, a família considera que “fica evidente o caráter premeditado e racista deste crime” e exige que “a justiça seja feita de forma célere e rigorosa”.

A associação SOS Racismo também já reagiu, considerando, em comunicado, que “o caráter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial“.

A organização pede que o “assassinato do Bruno Candé Marques não seja mais um sem consequências”, exigindo que a “justiça seja feita”.

Em declarações à rádio TSF, o diretor-executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro Neto, também afirmou que “há certas correntes mais extremadas que estão em fase de negação quanto ao problema do racismo, mas o certo é que ele existe, e existe de forma quotidiana”, mesmo ao ponto de “atentar contra a vida humana”, como aconteceu neste caso, disse ainda.

  ZAP // Lusa

5 Comments

  1. O crime é reprovável, que não restem dúvidas.
    Agora afirmar que o crime tem motivações racistas, com base naquilo que foi divulgado, parece-me um total exagero e e uma afirmação completamente infundada.
    Veja-se a declaração da SOS Racismo: “o caráter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial“!!! Esta agora! Então se o crime é premeditado quer dizer que tem motivações raciais?!!!
    Em Portugal não faltam casos em que se mata por motivos fúteis, por um jogo de cartas, por um jogo de futebol, por uma gota de água, por um palmo de terra, etc. Já percebi que, segundo alguns, bastava que a vítima fosse de uma raça diferentes para dizerem que afinal as motivações do crime tinham sido raciais.

  2. Se o SOS Racismo disse que as motivações foram racistas, então é porque não devem ter sido. Mamadou Ba tem sempre o juízo previamente formado, independentemente do apuramento dos factos. Chama-se a isso preconceito. Temos, portanto, um preconceituoso a acusar todos os outros de preconceitos.

  3. Mais um velho maluco com armas!…
    Que o crime foi premeditado não haverá grandes dúvidas, mas dizer que foi um crime “racista”, parece-me uma alegação completamente infundada e, que o não deixa margem para dúvidas é que a SOS Racismo é uma organização racista e preconceituosa e, vai daí, vê racismo em tudo – mas SÓ quando as vítimas são africanos!!
    Se tivesse sido ao contrário (um velho preto a assassinar um branco de meia idade), APOSTO que nem uma palavra diriam sobre o caso!

  4. Que o homicídio foi premeditado, não parece haver muitas dúvidas. E o assassino terá que ser punido em conformidade. Agora racista só mesmo na cabeça dos racistas do costume. Já sabemos que para estas mentes pequenas, mesquinhas e preconceituosas, tudo é racismo. Desde que a vítima seja um preto, claro. E o agressor um branco, claro. Nestes casos é sempre racismo. Para todas as outras combinações de cores, nunca é racismo, claro. Portanto senhores racistas das organizações racistas, já todos percebemos bem a vossa mensagem. Racista, claro.

  5. Racismo ou não,a sociedade Portuguesa tem sérios problemas e alguma falta de bom senso.Um louco com oitenta anos com idade para ter juízo,comete um crime totalmente intolerável.Espero que a ”lenta” justiça neste caso acorde e resolva rapidamente a condenação deste louco e atirem a chave ao mar.Condolências à família deste moço e paz à sua alma.

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