“Nem menos um cêntimo”: Montenegro disse algo perigoso e criou três problemas

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Rodrigo Antunes / LUSA

Luís Montenegro, primeiro-ministro

Subsídio para polícias: primeiro-ministro foi “imprudente”, empurrou o assunto e deixou uma ministra “amarrada”.

Luís Montenegro disse nesta terça-feira que o Governo não vai colocar “nem mais um cêntimo” na proposta para as forças de segurança.

O primeiro-ministro defende a decisão em nome da estabilidade financeira, e recordando o “esforço medonho” – 300 euros – que o Governo já fez para satisfazer as exigências daqueles profissionais.

“Há uma coisa que não pode acontecer: é o Governo perder a autoridade de se preocupar com toda a sociedade, com todos os outros”, atirou Montenegro.

O primeiro-ministro quis mostrar autoridade mas também arranjou, pelo menos, três problemas.

Primeiro, e como seria de esperar, foi rápida a reacção dos polícias.

O porta-voz da plataforma de sindicatos da PSP e GNR disse que deixou de haver condições para a reunião que estava agendada com a Ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, para a próxima terça-feira.

“Diz que não tem margem para mais um cêntimo. Eu diria, da nossa parte: nem menos um cêntimo“, avisou Bruno Pereira na rádio Observador.

São 100 euros que separam os dois lados: as forças de segurança só aceitam aumento de 400 euros no suplemento de risco. O Governo não dá “mais um cêntimo” do que o seu aumento máximo de 300 euros.

Mas Bruno Pereira não percebe “como é que o Governo pode dizer que não tem mais margem orçamental para acomodar os valores na proposta quando claramente não conhece o orçamento que vai ter daqui a dois, três ou quatro anos”.

O mesmo porta-voz disse na RTP que Luís Montenegro está a “empurrar o assunto” para a Assembleia da República, retirando margem negocial entre sindicatos e ministra.

Os outros dois problemas

O primeiro-ministro falou quase no mesmo momento em que a ministra da Administração Interna dizia: “Acho que estamos todos de boa-fé. Quer os sindicatos, quer as associações profissionais, têm um comportamento e uma atitude positiva para procurar estabelecer com o Governo o melhor acordo possível”.

Mas as palavras de Luís Montenegro deixaram Margarida Blasco “completamente amarrada”, segundo Bruno Pereira. A ministra “não poderá, certamente, vir trazer nada de novo que possa traduzir-se no aumento salarial”.

Quem está por dentro do assunto é Eduardo Cabrita. O anterior ministro da Administração Interna avisou, também na RTP, que o primeiro-ministro “não foi prudente”.

Primeiro porque “desautorizou” a ministra Margarida Blasco, que “manifestamente não estava consertada nas declarações feitas, poucos minutos antes, com o sentido e o tom” que Montenegro ia dizer.

Segundo, e indo de encontro a Bruno Pereira, porque as suas palavras “tiram sentido” à reunião do dia 9 de Julho.

Terceiro lugar, o que disse é “perigoso” porque, numa dimensão política, “é fundamental valorizar o diálogo” com os sindicatos, que assim saem “enfraquecidos”. Com este anúncio, dá mais espaço e deu uma “dádiva” ao Chega, avisa o antigo ministro – poucas horas depois de os sindicatos se terem afastado de André Ventura.

ZAP //

8 Comments

  1. antes das eleições o discurso era outro … bem feito para todos os policias , .. mandava todos trabalhar na segurança privada …

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    • Caro leitor,
      O titulo refere-se à reação do porta-voz da plataforma de sindicatos da PSP e GNR às declarações iniciais do primeiro-ministro.

  2. Porque haveria de dar mais? Já está a fazer o que os outros malandros não fizeram.
    Cambada de ingratos… só estão bem com “ouro”.

  3. Bom dia, cara equipa do ZAP. 🙂
    Façam o favor de corrigir o título da notícia para “Nem MAIS um cêntimo” (pedido já realizado anteriormente pelo utilizador “AT”), visto terem sido estas as palavras proferidas pelo atual primeiro-ministro em relação aos suplementos salariais para os polícias.
    É incrível como nunca ficam satisfeitos com quem tenta resolver seriamente os problemas. Só se sabem queixar! 🙁
    O antigo “governante” deu zero euros de “aumento”, ZERO! E Luís Montenegro pôs o valor nos 300 euros mensais (para os polícias), o que é muito bom, contudo, não pode dar nem mais um cêntimo, para que os cofres do Estado possam ficar com algumas verbas, para equilibrar as contas. Porque são tão asquerosos com quem ajuda, e ingénuos com quem, nestes anos todos, nunca deu um cêntimo de aumento?
    Ai, até mete confusão. Lógica dos pategos: 0 (zero) é superior a 300 (trezentos). Dar zero, para alguns, parece ser melhor do que dar trezentos euros TODOS OS MESES.

  4. Trata-se de algo confuso, mas não mando nos textos noticiosos que vocês elaboram. Obrigado, ainda assim, por terem publicado os meus comentários.

  5. Se temos a divida a subir sem parar, de onde acham que o dinheiro vai aparecer? A realidade é que os policias são pessoas que são voluntárias e já ganham muito a cima da média do português. Se acham que estão mal, façam como o resto da população mudem de emprego. Vão carregar baldes de massa para ganhar 650 euros por mês.

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