Reino Unido diz que negociações para acordo pós-Brexit estão “terminadas”

Neil Hall / EPA

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson

O Reino Unido considera que as negociações pós-Brexit estão “terminadas” e só admite retomar contacto se a União Europeia “mudar fundamentalmente a sua posição”, vincou, esta sexta-feira, o porta-voz do primeiro-ministro britânico.

As negociações comerciais acabaram. A UE acabou com elas, dizendo que não quer mudar a sua posição de negociação. Ou a UE muda fundamentalmente a sua posição ou nós saímos [do período de transição] nos termos da Austrália”, afirmou James Slack, esta tarde, aos jornalistas.

O negociador chefe da UE, Michel Barnier, anunciou, na quinta-feira, após o Conselho Europeu, em Bruxelas, que pretendia voltar a dialogar com o seu homólogo britânico, David Frost, a partir de sexta-feira e passar a próxima semana em Londres.

Mas o porta-voz do chefe do Executivo britânico disse, esta sexta-feira, que Barnier só deve viajar se estiver disposto a aceitar um compromisso.

“Só vale a pena Michel Barnier vir a Londres, na próxima semana, se estiver preparado para discutir todas as questões com base em textos jurídicos de uma forma acelerada, sem que o Reino Unido seja obrigado a fazer todos os movimentos”, explicou.

Esta tarde, o primeiro-ministro, Boris Johnson, urgiu as empresas, transportadoras e viajantes britânicos a prepararem-se para uma relação com a UE sem acordo a partir de 2021, tal como acontece com a Austrália.

“Tendo em conta que eles [UE] se recusaram a negociar seriamente durante a maior parte dos últimos meses, e dado que o Conselho parece excluir explicitamente um acordo do estilo do Canadá, concluí que devemos preparar-nos para, no dia 1 de janeiro, termos que são mais parecidos com os da Austrália, baseados em princípios simples de comércio livre global”, afirmou.

Nas conclusões adotadas durante a cimeira relativamente ao Brexit, publicadas na quinta-feira, o Conselho Europeu “apela aos Estados-membros, instituições europeias e todos os intervenientes, para aumentarem a preparação a todos os níveis e para todos os tipos de cenários, incluindo o de no-deal [cenário em que a UE e o Reino Unido não chegariam a um acordo comercial pós-‘Brexit’]”.

Hoje, a chanceler alemã, Angela Merkel, também admitiu a possibilidade de a União Europeia e o Reino Unido não chegarem a um acordo comercial. “Temos de nos preparar para que não haja acordo” com Londres, disse a governante, em videoconferência de imprensa, no final dos trabalhos do Conselho Europeu.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, assegurou que a UE permanece “disponível para negociar e para continuar as negociações”, esperando que “seja possível fazer progressos no futuro”.

Mas reiterou o aviso que tem vindo a ser feito pelos altos responsáveis europeus nas últimas semanas: “Repito que queremos um acordo, mas não a qualquer custo, e que a equidade de mercado, as pescas e a governança são temas cruciais para a UE e para os 27 Estados-membros”.

Os principais pontos de discórdia continuam a ser as condições de concorrência entre empresas, pescas e um mecanismo para se revolverem conflitos na aplicação do acordo que a UE exige para desbloquear um acordo que permita o acesso britânico ao mercado único europeu sem quotas nem taxas.

O Reino Unido saiu da União Europeia a 31 de janeiro de 2020. Em conformidade com o Acordo de Saída, é agora oficialmente um país terceiro, pelo que já não participa no processo de tomada de decisão da UE. Por comum acordo, a UE e o Reino Unido decidiram, contudo, estabelecer um período de transição, que termina a 31 de dezembro deste ano.

 

ZAP // Lusa

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