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Não viabilizar o OE2022 seria “suicídio eleitoral” para o PCP

PSD / Flickr

Luis Marques Mendes

Luís Marques Mendes

O Orçamento do Estado não parece ter a aprovação garantida e foi um tema inevitável no comentário de Luís Marques Mendes neste domingo à noite, na SIC.

O comentador político considera que a intenção de o Bloco de Esquerda votar contra o OE é um “não assunto”, dado que “as relações entre o BE e o Governo nunca foram as melhores do mundo” e este voto contra “já era esperado”.

Além disso, o Bloco “já tinha voltado contra há um ano” e algumas das condições colocadas pelo partido “claro que o Governo ia chumbar, nomeadamente o fator de sustentabilidade da Segurança Social”.

Já o PCP é um assunto diferente. Para Marques Mendes, seria “uma irracionalidade” o Partido Comunista não aprovar o Orçamento do Estado, já que “ganhou nas negociações”, nomeadamente em matéria de “aumento extraordinário das pensões, creches gratuitas e, ainda que de uma forma faseada, reforços da saúde e em sede de IRS”.

“Se o PCP decidir em função de critérios racionais vai viabilizar o Orçamento; se o que prevalecer for a irracionalidade, então vamos ter, pela primeira vez, um Orçamento chumbado”, afirmou, citado pelo Expresso.

O ex-líder do PSD salientou que o fator da divisão interna pesa na decisão do partido. “O PCP endureceu clarissimamente a sua posição mas continua profundamente dividido em termos internos: o sector sindical ganhou força e o sector autárquico, que tradicionalmente era a favor da geringonça, perdeu força por causa dos resultados das autárquicas”, disse.

Se a escolha dos comunistas for a não viabilização do documento, Marques Mendes prevê um descalabro eleitoral: “como explicar aos pensionistas que votaram contra os aumentos das pensões, que eles mesmos exigiram? E sobre os aumentos na saúde? E sobre as creches?”

É o Orçamento mais à esquerda dos últimos anos. Quem se pode queixar é a direita e as empresas que não são propriamente estimuladas com este OE. Agora, a esquerda?”

O PCP não aprovar o OE seria “um tiro no pé monumental, um suicídio”, resumiu.

Em relação à possibilidade de o país vir a enfrentar novas eleições, o comentador afirmou que “dificilmente haverá um Governo maioritário”. “Só o Chega é que ganhava com eleições. No entretanto, o país pagava a fatura de uma crise política.”

Já sobre a luta interna no PSD, Marques Mendes considera que, neste momento, não se trata apenas de uma disputa entre duas pessoas: “é uma disputa entre dois projetos diferentes para o PSD, duas visões diferentes do partido, duas formas diferentes de fazer oposição”.

  ZAP //

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