“Não me sinto seguro sem uma”. Venda de armas aumentou drasticamente nos EUA

Os EUA continuam a ser um dos países onde os cidadãos comuns têm mais facilidade em comprar armas de fogo. Esta é uma prática recorrente, e mais de um terço das famílias norte-americanas têm uma arma em casa. A tendência é mais recorrente entre indivíduos negros, e só este ano o número de vendas aumentou em mais de 50%.

Nos EUA, há uma grande controvérsia sobre a política de armas. Há pessoas que defendem o controle de armas e apoiam o aumento das regulamentações relacionadas com a posse de armas. Outras defendem os direitos das armas e apoiam a diminuição dos regulamentos relacionados à propriedade das mesmas, e defendem uma maior liberalização.

Frequentemente, estes dois grupos discordam das leis e dos processos judiciais relacionados com o tema. Contudo, os números nos EUA são preocupantes: estima-se que entre os cidadãos dos EUA haja 393 milhões de armas de fogo, e que entre 35% e 42% das famílias do país tenham pelo menos uma arma.

Para os americanos ter ou não uma arma pode ser considerada uma questão de segurança, ou mesmo, para alguns, até de honra.

Ao NPR, Bruce Tomlin – um motorista de pesados que vive no Novo México – disse que nunca teve o hábito de andar armado. Contudo, depois de ver um vídeo de três homens homens a perseguir e matar brutalmente um individuo negro, Tomlin confessa que ficou assustado.

“O homem estava a tentar fugir, e eles estavam a dar-lhe tiros como se ele fosse um cão”, revelou Tomlin depois de assistir ao vídeo que o fez comprar uma arma.

“Sinto que na América, especialmente os homens negros, precisam de ter algum tipo de proteção com eles. O clima político está a chegar a um ponto em que vai haver muita violência com a comunidade negra “, disse Tomlin que garante que não se sente seguro. Ainda assim, assume que “nem sempre me senti assim. Nunca fui fã de armas, mas agora não me sinto seguro sem uma”.

No início de junho, o NPR entrou em contacto com alguns membros da comunidade negra norte-americana, e questionou-os sobre as suas experiências pessoais no país. Cerca de 500 pessoas responderam, sendo que algumas mostraram o desejo de comprar armas de fogo como sinónimo de autodefesa, em resposta à recente luta por justiça racial.

De acordo com o que Jim Curcuruto, diretor de Pesquisa e Mercado da National Shooting Sports, escreveu num relatório “o maior aumento nas vendas de armas de fogo deve-se a compras de homens e mulheres negros. Houve um aumento de 58,2% nas compras de armas durante os primeiros seis meses de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado”, o que acredita dever-se também à eclosão da pandemia.

Philip Smith, o presidente da National African American Gun Association, disse que esta tendência teve duas ondas: uma em 2016, após a eleição do presidente Donald Trump, e agora depois dos recentes protestos por maior justiça racial. Porém, este fenómeno não é uma novidade dos dias de hoje.

Ifeoma Ozoma, um jovem de 28 anos, já possuía armas muito antes dos recentes protestos emergirem em todo o país. Ozoma cresceu no Alasca, e sempre teve  familiaridade com armas de fogo, por isso soube desde cedo que queria ter uma para legítima defesa. A jovem assume que a posse de armas “não está ligada ao movimento político”, mas deve-se ao facto de “acreditar na posse de armas“.

Ainda assim, há americanos que acreditam que ter uma arma não faz deles pessoas mais bem protegidas. Larry Green, vive em Phoenix e não quer comprar ou possuir uma arma, pois acredita que ter uma pode não valer de nada.

Green contou a história de Philando Castile, um proprietário de arma registada que foi baleado e morto por um polícia em 2017, mesmo depois de dizer que estava armado. Por isso, o norte-americano considera que “não importa se estou armado ou não, posso ser morto na mesma. E prefiro não estar armado.”

Um outro fator que faz aumentar as vendas de armas nos Estados Unidos, é a ocorrência  de acidentes no país. Um exemplo disso foi aquando do 11 de setembro, pois a venda de armas aumentou logo após os ataques terroristas.

  ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Em 2016 a culpa foi de Trump, em 2021 a culpa Não é de Biden. A culpa é do Corona! Até estava à espera que a culpa ainda fosse de Trump… mas vá lá, é do Corona…

    • Ai zumba (na caneca) que andas todo baralhado das ideias… então o Trump, que tinha apoio da NRA, da indústria do armamento, etc, etc, é comparável com a postura do Biden que tem feito tudo para haver mais controlo na venda de armas?!
      Vais bonito, vais…

  2. Ai zumba (na caneca) que andas todo baralhado das ideias… então o Trump, que tinha apoio da NRA, da indústria do armamento, etc, etc, é comparável com a postura do Biden que tem feito tudo para haver mais controlo na venda de armas?!
    Vais bonito, vais…

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