Na Argentina, paga-se aos infetados para que aceitem o isolamento social

Juan Ignacio Roncoroni / EPA

O governo da província de Buenos Aires, onde vivem 38% dos argentinos, vai pagar para os doentes de baixos rendimentos, assintomáticos ou com sintomas ligeiros, aceitarem ficar internados em centros alternativos de saúde.

“Nem todos têm as mesmas condições para se isolarem nas suas casas e não se isolam porque sentem que perdem alguma coisa. Por isso, a província vai dar 500 pesos por dia (equivalentes a 6 euros) para compensar e incentivar esse isolamento em albergues”, explicou o governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof.

O pagamento diário faz parte do programa “Acompanhar” que prevê seduzir, financeiramente, contagiados por coronavírus com sintomas ligeiros.

Para compensar a perda diária de trabalho e para convencer os infetados da importância do isolamento, serão pagos 500 pesos por dia durante um período máximo de dez dias. O valor máximo de 5 mil pesos (equivalentes a 60 euros) representa metade da ajuda financeira mensal que o governo argentino concede aos cidadãos de baixos rendimentos durante a pandemia.

O anúncio do governador aconteceu durante uma visita a um centro de exposições, transformado no maior parque sanitário do país com capacidade para receber duas mil pessoas que terão atendimento médico, contenção psicológica e atividades recreativas.

Para descomprimir a ocupação de leitos da rede de Saúde pública, vários municípios argentinos condicionaram clubes, ginásios e igrejas como espaços para receberem pacientes assintomáticos ou com sintomas leves que não requeiram um internamento hospitalar.

O ginásio desportivo do Clube Português da Grande Buenos Aires no distrito de La Matanza, um dos mais populosos da Argentina, por exemplo, deu lugar a um hospital de campanha com 100 camas.

“Estamos a estender uma mão solidária a quem tem problemas habitacionais. Este centro é para os mais necessitados que não podem isolar-se em casa, mas que não estão graves ao ponto de um internamento hospitalar”, indicou à Lusa Víctor Estanqueiro, presidente do Clube Português da Grande Buenos Aires.

Esses espaços de saúde foram pensados para doentes de baixos rendimentos. Os bairros mais populares são compostos por moradias precárias com espaços reduzidos nos quais convivem várias pessoas de uma mesma família. Essa vulnerabilidade social funciona como um combustível para a propagação do vírus.

Para isso, a província de Buenos Aires criou 19.150 camas extra-hospitalares, mas apenas 10,6% estão ocupadas. Muitos dos contagiados com sintomas ligeiros negam-se ao isolamento ou porque menosprezam a doença e não se cuidam ou porque não podem deixar de trabalhar por necessidade diária de sustento. Assim, põem em risco parentes próximos e a população em geral.

“Um parte significativa dessas instalações está desocupada, mas estamos com mais contágios do que antes”, advertiu o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof.

A Argentina tem vivido um aumento de casos e de vítimas nos últimos dias. Só nas últimas 24 horas, foram 5.782 novos casos e 98 mortes, mais de 90% na região metropolitana de Buenos Aires. No total, a quantidade de mortos chega a 2.588.

Lusa // Lusa

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