Mourinho: oito anos, quatro despedimentos, um campeonato

Tsutomu Takasu / wikimedia

José Mourinho

Treinador português brilhou ao longo da primeira década da sua carreira. Mas a segunda década, desde que rumou a Madrid, está longe de ser a melhor do mundo. Voltou a ser afastado de uma equipa, desta vez pelo Tottenham.

José Mourinho foi afastado do comando técnico do Tottenham, no início desta semana. Uma notícia que não mereceu o destaque de outros tempos por dois motivos: porque a criação da Superliga Europeia dominou a agenda na segunda-feira e porque demitir Mourinho já aconteceu algumas vezes nos últimos anos. Quatro vezes, desde 2013.

Um dos treinadores mais conhecidos e mais mencionados no planeta do futebol começou por ser líder de uma equipa na Luz. Foi treinador do Benfica (durante pouco tempo), depois da União de Leiria e foi nas Antas que começou a brilhar. Foi bicampeão nacional pelo FC Porto, em 2003 e 2004, conquistando a Taça UEFA e a Liga dos Campeões em temporadas seguidas. Também ergueu a Taça de Portugal e a Supertaça, em 2003.

O campeão europeu mudou-se para Londres e foi logo bicampeão pelo Chelsea. Ou seja, quatro vezes campeão nacional em quatro épocas. Uma Taça de Inglaterra, duas Taças de Inglaterra e uma Taça da Liga depois, foi afastado do cargo surpreendentemente em setembro de 2007, ainda nas primeiras semanas da época.

Seguiu-se mais um bicampeonato no Inter Milão, o que aumentou a lista de campeonatos nacionais: seis em oito épocas, em três países. Pelo Inter venceu a sua segunda (e última) Liga dos Campeões. Também conduziu o Inter a uma Taça de Itália e a uma Supertaça.

Tal como em 2004, na altura ao serviço do FC Porto, em 2010 Mourinho abandonou o clube pelo qual tinha sido campeão europeu, poucas semanas antes. Saiu de Milão rumo a Madrid – e foi no Real que o seu declínio começou: entre 2010 e 2013, conquistou um campeonato (levou a melhor sobre o grande Barcelona de Guardiola), uma Taça do Rei e uma Supertaça de Espanha. Mas não teve sucesso europeu, não chegou a qualquer final.

Quando a época 2012/13 terminou, e depois de uma temporada sem qualquer título, Mourinho admitiu: “Esta foi a pior temporada da sua carreira” – e também já estava dentro da pior fase da sua carreira. Tinha contrato com o Real Madrid até 2016 mas saiu de Espanha quando a época acabou.

Duas semanas depois, regressou ao Chelsea. Zero títulos na primeira época, mas, em 2015, venceu a Premier League e a Taça da Liga. No entanto, ainda em 2015, em dezembro, o treinador português não resistiu aos resultados do Chelsea no campeonato: tinha perdido mais de metade dos jogos, até essa altura.

Continuou em Inglaterra, liderando o Manchester United em 2016/17 até à conquista da Supertaça, da Taça da Liga e ao seu regresso a uma conquista europeia: a Liga Europa.

24 de maio de 2017: o dia do último troféu levantado por José Mourinho. Há quase quatro anos.

Liderava o Tottenham desde novembro de 2019 mas, novamente sem títulos e em má forma recente, foi novamente afastado.

Embora, nos casos de Real Madrid e de Chelsea, oficialmente tenha deixado os clubes por “acordo mútuo”, a realidade é que José Mourinho foi despedido quatro vezes em menos de oito anos, entre junho de 2013 e abril de 2021. Com somente um campeonato no currículo, durante este período. E uma Liga Europa, além de taças “menores”.

  Nuno Teixeira, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. O caso (do ocaso) do Mourinho deve-nos fazer reflectir.
    Mesmo na hora da vitória, quando a aura de invencibilidade mais brilha e parecemos indestrutíveis, devemos lembrar-nos da nossa condição passageira por esta vida e de que tudo tem um tempo e tudo tem um fim.
    A arrogância, que muitos vencedores gostam de espalhar (de que Mourinho e Cristiano Ronaldo são expoentes máximos) acaba sempre por vir bater à porta.
    Podes conquistar a Europa, como um Napoleão, mas acabarás sempre numa inóspita Santa Helena. Podes conquistar o mundo, como o Alexandre, mas também podes ser derrotado por um minúsculo vírus.

    O que vai ficar do Mourinho para a história do futebol? Pouca coisa. Talvez uma nota de rodapé.
    E a prova evidente que a soberba da vitória é sempre em demasia.

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