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Superliga Europeia está oficialmente suspensa. Teve 48 horas de vida

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Neil Hall / EPA

Protestos de adeptos do Chelsea contra a Superliga Europeia.

Os criadores da Superliga Europeia de futebol revelaram esta terça-feira à noite, em comunicado, que pretendem remodelar aquela competição, depois de os seis clubes ingleses terem anunciado o seu abandono.

“Apesar da anunciada partida dos clubes ingleses, forçados a tal decisão devido à pressão exercida sobre eles, estamos convencidos de que a nossa proposta está completamente alinhada com as leis e regulamentos europeus, como foi demonstrado pela recente decisão judicial de proteger os direitos da Superliga”, pode ler-se no comunicado distribuído, após uma reunião telemática dos clubes que se mantêm.

Aquela estrutura acrescenta: “Dadas as correntes circunstâncias, vamos reconsiderar os passos a dar para remodelar o projeto, tendo sempre em conta que os nossos principais objetivos são oferecer aos adeptos a melhor experiência possível, além de garantir os mecanismos de solidariedade para toda a comunidade do futebol.”

As equipas espanholas do Real Madrid e Barcelona mantêm a proposta de uma nova competição europeia, “porque o sistema atual não funciona”.

A saída dos seis clubes ingleses cofundadores da denominada Superliga europeia de futebol – Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham -, anunciaram a sua desistência da competição, não provoca nenhuma alteração, acrescentam.

O Manchester City foi o primeiro dos clubes ingleses a oficializar, na terça-feira, a saída da Superliga, seguindo-se, pouco depois e praticamente ao mesmo tempo, Arsenal, Liverpool, Manchester United e Tottenham, antes de o Chelsea consumar o abandono de toda a “elite” do futebol britânico, na madrugada desta quarta-feira.

Já esta manhã, o Inter também anunciou a sua saída. “Perante o atual cenário, o projeto da Superliga deixou de interessar ao Inter”, adiantaram fontes do clube à agência italiana ANSA.

Em comunicado, o Atlético de Madrid deu seguimento à debandada. O conselho de administração do emblema madrileno realça que aderiu ao projeto da Superliga para dar “resposta a circunstâncias que já não existem”.

Os colchoneros realçaram ainda que o “mérito desportivo deve prevalecer sobre qualquer outro mérito”.

Entretanto, o AC Milan também oficializou a sua saída. Os rossoneri informam que aceitaram o convite para participar na prova, mas que têm de “ser sensíveis às vozes dos adeptos, aqueles que amam este desporto”.

A Juventus também saltou fora da competição, acreditando que as hipóteses de o projeto ser concluído conforme estava prevista são “limitadas”. No entanto, “os trâmites legais para a saída ainda não foram concluídos”.

Andrea Agnelli, que deixou há dias o cargo que ocupava na Associação Europeia de Clubes (ECA) para assumir a vice-presidência da Superliga, admitiu o seu fim.

“Para ser franco e honesto, não. Estou convencido da bondade do projeto, mas não podemos fazer um torneio com seis equipas”, admitiu, citado pela agência Reuters.

As declarações de Agnelli contrastam com a posição de confiança demonstrada horas antes da debandada dos clubes britânicos, esta segunda-feira.

“Há um pacto de sangue entre os nossos clubes, o projeto da Superliga tem 100% de possibilidades de êxito. Seguimos em frente”, disse na altura ao La Repubblica.

No domingo, AC Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, FC Barcelona, Inter Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham anunciaram a criação da Superliga Europeia, à revelia de UEFA, federações nacionais e vários outros clubes.

A competição previa ser disputada por 20 clubes, 15 dos quais fundadores — apesar de só terem sido revelados 12 — e outros cinco, qualificados anualmente.

A UEFA anunciou que vai excluir todos os clubes que integrem a Superliga, assegurando contar com o apoio das federações de Inglaterra, Espanha e Itália, bem como das ligas de futebol destes três países.

Superliga quer limitar gastos com salários

O relatório secreto sobre a nova competição, ao qual o Financial Times teve acesso, revela que os clubes que eventualmente venham a participar na prova terão de controlar os gastos desportivos, incluindo os salários dos jogadores.

Este é mais um detalhe que se assemelha ao modelo americano do futebol. Na Major League Soccer (MLS), a principal liga de futebol dos EUA, existe um teto salarial que as equipas não podem superar. O dinheiro para transferências também é limitado.

Os clubes que participassem na Superliga Europeia só poderiam utilizar cerca de 55% das receitas para despesas desportivas, como salários e verbas para transferências. O imposto sobre os salários dos atletas seria calculado a uma taxa de 45%, escreve o ECO.

O atual modelo do projeto previa 4 mil milhões de euros por época em direitos televisivos e de patrocinadores.

O plano dos organizadores da Superliga seria então partilhar 32,5% das receitas comerciais com os 15 emblemas fundadores e outros 32,5% serem distribuídos anualmente entre todos os clubes presentes na prova. Além disso, 20% das receitas seriam atribuídas de acordo com o desempenho das equipas e, por fim, os restantes 15% seriam entregues consoante as audiências.

Pressão de adeptos e jogadores

Ameaçados por uma tentativa de ‘oligarquização’ do futebol, os adeptos não tardaram em manifestar-se contra a criação da Superliga Europeia. Em Inglaterra, por exemplo, adeptos do Chelsea reuniram-se à porta do estádio antes do jogo com o Brighton para protestar.

O autocarro da equipa chegou mesmo a ficar retido à entrada, com o ex-futebolista e atual diretor técnico dos blues, Petr Cech, a ter de apelar aos adeptos que deixassem a equipa passar.

Mais tarde, ao saber do anúncio de que o Chelsea iria saltar fora da competição, os adeptos festejaram efusivamente — como se de um título se tratasse.

Jordan Henderson, capitão do Liverpool, também se insurgiu contra a criação da Superliga e disse que os jogadores estão contra a decisão dos responsáveis do clube que faz parte dos 12 fundadores.

“Não gostamos disso e não queremos que aconteça. Esta é a nossa posição coletiva. O nosso compromisso a este clube de futebol e aos seus adeptos é total e incondicional”, disse o jogador através das redes sociais.

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  Daniel Costa, ZAP // Lusa

4 Comments

  1. Tal como as do Barcelona, as finanças do Real Madrid devem estar nas lonas.
    São estes 2 clubes quem necessita do verdadeiro “resgate” financeiro que a Superliga representaria.

    Os valores que se pagam hoje em dia, em vencimentos a certos jogadores e em contratações são completamente irracionais. Por ex., o Cristiano Ronaldo nestes 3 anos de Juventus, representou um custo perto dos 100 milhões de euros anuais . Vencimento líguido de cerca de 30 milhões mais outro tanto em impostos, mais a amortização anual do valor da contratação (por 100 milhões). São valores completamente irracionais. São bons para ele, apenas.
    As mesmas contas podem fazer-se em relação ao Mbapé. Custou cerca de 180 milhões por 4 ou 5 anos de contrato, o que representa logo um custo à volta de 40 milhões por ano. Acresce o vencimento chorudo, que é duplicado pelos impostos devidos. E arriscam-se a vê-lo sair em 2022 a custo zero. E os exemplos multiplicam-se por quase todos os chamados grandes clubes da Europa.

    Mas estas situações representam também a falência do “fair play” financeiro da uefa. Têm todos muito “fair play” até ao dia em que entram em bancarrota.

    Estes autênticos sorvedouros de milhões já não conseguem passar sem um cheque adicional de 200 ou 300 milhões anuais, de preferência que não esteja dependente dos resultados desportivos. É isso que eles queriam garantir com a superliga.

    • Não dei grande importância a esta “superliga”, a minha pulsação só alterou, um nadinha com o riso, quando li que o FCP “recusou” participar, ainda que Pinto da Costa tenhas afirmado que se tratou de “contactos informais” e não de “convite”. É assim a comunicação social lusa, uma caixa de ressonância da propaganda portista. Vá lá saber-se porquê ou será que sabemos?
      A Superliga é inevitável, urgente e inadiável para além dos próximos cinco anos. Seja pela Covid, sem público está condenado, o futebol que se joga, por todo o lado, é de fraca qualidade, mesmo na Champions, se falarmos da ligas do big 5, é mais propaganda que qualidade e então em tristezas como a liga portuguesa é melhor nem perder tempo, para além da inexistência de qualidade, soma um dirigismo asqueroso.
      A culpa tem nome, a UEFA, a Champions e os crescentes prémios por participação, semeatram a ganância primeiro e depois como ganância alimenta a ganância, os tubarões começaram a perceber que o investimento que fazem e o rendimento obtido é desperdiçado com clubes que que nada acrescentam à competitividade e à valorização da prova. Por exemplo, só o compadrio na UEFA justifica, por exemplo, a absurda hipótese de Portugal ter três clubes na próxima edição a receber tanto como qualquer dos clubes que, de facto, geram os balúrdios da competição. O futebol nunca foi um bodo aos pobres, só porque são pobres e nada fazem para sair da pobreza ou para fazer número, não faz qualquer sentido, desportivo, entrar na fase de grupos da Championd tendo como objectivo principal os prémios de entrada, o que vier a mais é lucro. A EUFA tem que exigir mais qualidade aos participantes na sua prova maior, não pode tolerar que clubes se vangloriem que com 10% do que gastam os “tubarões”, podem fazer umas gracinhas, isso é desprestigiar a competição, tem que haver uma regularização tendente a aumentar a competição, não estimular a mediania dos caçadores de prémios.
      A Superliga é uma necessidade para a criação do patamar de excelência que já não existe, mas tudo tem que começar numa base do mérito desportivo. Por exemplo, não muito elaborado, a Superliga deve ser formado pelos 16 clubes apurados da fase de grupos na edição e 1924/1925 e mais 16 clubes com melhor ranking nos últimos cinco e apurados por um play-off, não é uma proposta perfeita, mas é mais que aceitável do ponto de visto do mérito desportivo. E, obviamente, seria um campeonato aberto, com subidas e descidas de seis equipas por temporada.

  2. Se não se aguentam com tantas despesas como dizem, têm uma boa solução, deixar de comprar e pagar jogadores a preços astronómicos!

  3. A superliga não resolveria problema nenhum. Apenas provocaria uma inflação no médio / longo prazo nos preços dos jogadores e nos seus salários.
    A verdadeira solução estaria num tecto salarial e num draft de transferências, à semelhança do que ocorre na NBA.

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