“Bomba atómica.” Motoristas de matérias perigosas ameaçam com greve

Carlos Barroso / Lusa

No dia 15 de julho, há reunião entre o Governo e a ANTRAM. Se não houver acordo, a paralisação dos motoristas de matérias perigosas inicia-se a 12 de agosto sem data de término.

Dois sindicatos de motoristas de matérias perigosas decidiram entregar ao Governo, no próximo dia 15 de julho, um pré-aviso de greve. Nesse dia, o Executivo e os patrões receberão uma listagem de reivindicações, aumentos salariais e um pedido de legislação própria. A data para o início da paralisação é dia 12 de agosto.

Segundo o Expresso, os motoristas estiveram este sábado reunidos em congresso, em Santarém, e ambos os sindicatos equacionam o regresso à greve. Horas de discussão depois, ficou decidido, segundo informação transmitida pela SIC Notícias, entregar um pré-aviso de greve a apresentar numa reunião no próximo dia 15 de julho.

Nesse encontro, estarão os representantes dos dois sindicatos (o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias), a associação representante do patronato, ANTRAM (Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias), a Fectrans (sindicato que tem um acordo coletivo de trabalho) e representantes do Governo: Ministério do Trabalho, Infraestruturas e Economia.

A listagem de reivindicações será apresentada ao mesmo tempo que há uma ameaça de uma paralisação a iniciar dia 12 de agosto, sem data definida para terminar.

Segundo a Lusa, a proposta “prevê um aumento do salário base de 100 euros nos próximos três anos (1.400 euros brutos para 2020, 1.600 para 2021 e 1.800 para 2022), melhoria das condições de trabalho e pagamento das horas extraordinárias a partir das oito horas de trabalho, entre outras medidas”.

Pedro Pardal Henriques, representante do SNMMP, disse que a ANTRAM não tem respeitado aquilo que ficou decidido. “Andam, fazem promessas e continuam a não cumprir as promessas e a ultrapassar tudo aquilo que é legal. Os motoristas estão a fazer isto porque não estão satisfeitos com as condições”, que classifica como “precárias”. A greve “é a bomba atómica que temos do nosso lado”.

Em abril, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas iniciou uma greve em busca da negociação de melhores condições profissionais com a ANTRAM, que se estendeu por quatro dias.

O Governo decidiu decretar a requisição civil dos profissionais, já que a paralisação afetava o “abastecimento de combustíveis aos aeroportos, bombeiros e portos, bem como o abastecimento de combustíveis às empresas de transportes públicos e aos postos de abastecimento da Grande Lisboa e do Grande Porto”.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. …é triste quando um estado que se diz livre e justo usa o direito à greve para insultar, ameaçar e prejudicar gente inocente.
    Algo está muito errado.

    • Estado?!
      Insultar e ameaçar?!
      Acho muito bem que os motoristas lutem pela melhoria das condições de trabalho!!
      Se as petrolíferas tem tanto lucro, algum pode ser distribuído pelos que transportam os combustíveis.

    • Não prejudica “gente inocente”….. mais adequado, é perturbar a vida normal dos Portugueses em geral, certo é que as petrolíferas ao ceder, irão compensar o custo por via de aumento dos combustíveis, disso não tenho a minima duvida. Portanto, Sr. Eu!…….. prepare o porta-moedas, porque se aumenta o combustível, inevitavelmente aumentam os bens essenciais !

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