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Morreu Donald Rumsfeld, o secretário de Defesa que só tinha medo dos unknown unknowns

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Gage Skidmore / Flickr

O ex-secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld

Morreu o antigo secretário de defesa dos EUA Donald Rumsfeld, que liderou o Pentágono durante o governo de George W. Bush. É considerado o arquiteto das guerras no Iraque e no Afeganistão.

O antigo secretário de defesa de George W. Bush, Donald Rumsfeld, morreu aos 88 anos em Taos, no estado do Novo México, anunciou a família esta quarta-feira.

“A História poderá recordá-lo pelas suas proezas extraordinárias durante seis décadas de serviço público, mas quem o conhecia melhor recordará o seu amor inquebrantável pela esposa, Joyce, pela família e amigos, e a integridade de uma vida dedicada ao país”, disseram os seus familiares em comunicado, citado pela agência AFP.

George W. Bush expressou os seus sentimentos pela morte de Rumsfeld, que recordou como “um homem de inteligência, integridade e energia quase inesgotável”, que “nunca empalideceu diante de decisões difíceis”. “Os Estados Unidos são mais seguros” graças a Donald Rumsfeld, disse Bush em comunicado.

“Estamos de luto por um funcionário exemplar, um homem muito bom“, acrescentou o antigo presidente dos Estados Unidos.

Donald Rumsfeld foi o mais jovem e o segundo mais velho secretário de Defesa dos EUA. Na sua primeira passagem pelo Departamento de Defesa dos EUA, de 1975 a 1977, durante a administração Ford, foi um dos mentores da estratégia de Guerra Fria dos Estados Unidos.

Considerado o arquiteto das guerras no Iraque e no Afeganistão, Rumsfeld liderou o Pentágono na resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. O político republicano encontrava-se no edifício quando um dos aviões sequestrados caiu sobre o Pentágono, sede do Departamento de Defesa norte-americano.

Foi Rumsfeld a liderar então os ataques ao Afeganistão a partir do final de 2001, pondo fim ao regime Talibã que dominava o país, e também um dos nomes fortes da administração Bush, com Dick Cheney, a defender a necessidade de invasão ao Iraque, em 2003 — uma guerra vencida em tempo recorde e “sem botas em terra”, mas que é até hoje uma das páginas mais controversas da história dos EUA.

Controverso é também o envolvimento de Rumsfeld nas polémicas práticas de tortura de prisioneiros suspeitos de terrorismo em Guantanamo, Cuba, e na prisão de Abu Ghraib, em Bagdad, que receberam condenação generalizada da comunidade internacional.

Da longa carreira política do falcão republicano ficam para a história os seus famosos “there are known knows, known unknowns, and unknown unknowns“, com que respondeu a uma pergunta acerca da existência de armas de destruição massiva no Iraque.

“Os relatórios que dizem que uma coisa não aconteceu são sempre interessantes”, disse na altura Rumsfeld, “porque, como sabemos, há coisas que sabemos que sabemos, e também sabemos que há as coisas que sabemos que não sabemos. Mas também há as coisas que não sabemos que não sabemos“.

E eram estas últimas que aparentemente preocupavam o antigo secretário de Estado.

Também para a história fica o momento em que Donald Rumsfeld veio a público admitir ao mundo que afinal, após anos à procura das míticas armas de destruição massiva no Iraque, “não tinha sido possível encontrá-las“. Uma tremenda incompetência, daquelas que só acontecem quando um Estado é, ainda e apesar de tudo, uma democracia.

  Armando Batista, ZAP // AFP

2 Comments

  1. O Ramsfeld foi um arquitecto do mal! Que a terra seja muito pesada ao sr. ‘arquitecto’ da guerra! Tudo por petróleo, as pessoas não interessavam.

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