Moedas consegue aumentar devolução de IRS dos lisboetas para 3%

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Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa

No próximo ano, a Câmara Municipal de Lisboa vai devolver 3% do IRS aos munícipes, em vez dos atuais 2,5%. A proposta foi aprovada na segunda-feira.

A Câmara Municipal de Lisboa vai aumentar a devolução de IRS dos munícipes a que tem direito, passando dos atuais 2,5% para 3% em 2022, segundo uma proposta do presidente, Carlos Moedas, aprovada na segunda-feira pelo executivo municipal.

A lei que regula o financiamento das autarquias destina às câmaras municipais até 5% do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) de quem tem residência fiscal no concelho, cabendo a cada município decidir que percentagem retém.

Segundo a proposta aprovada pelo executivo municipal de Lisboa, que será agora submetida à Assembleia Municipal, a câmara terá “uma participação de 2% no Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares para vigorar no ano de 2022”.

Atualmente, este valor está nos 2,5%, pelo que em 2022 haverá um aumento da “devolução do IRS aos lisboetas”, como afirmou Moedas numa declaração divulgada nas redes sociais.

Carlos Moedas justificou a medida, que foi umas suas promessas eleitorais, por Portugal ser “um dos países com maior carga fiscal na Europa” e, por outro lado, porque Lisboa “tem de ser competitiva” em relação a outras cidades europeias, sendo este “um sinal para essa competitividade” e “um sinal de expectativas económicas” no contexto de uma recuperação no pós-pandemia.

A proposta foi aprovada com sete votos a favor dos eleitos do PSD, CDS e independentes na coligação Novos Tempos; com cinco abstenções dos vereadores socialistas e com os votos contra dos restantes elementos do executivo (dois do PCP, um do Bloco de Esquerda, um do Livre e um da independente Paula Marques).

Num comunicado, os vereadores socialistas explicaram que não votaram contra esta “proposta de devolução de 3 pontos do IRS, em vez dos atuais 2,5 pontos, a maior taxa de devolução da Área Metropolitana, mesmo depois de Carlos Moedas ter recusado a proposta de alteração do PS, que viabilizava a devolução de 3 pontos de IRS, mas implementava também a gratuitidade das creches no concelho“.

“O Partido Socialista continua a defender que a gratuitidade das creches é socialmente mais justa, porque não concentra a devolução de rendimentos nos dois escalões mais elevados do IRS, tem maior impacto nos rendimentos das famílias, e é um importante estímulo ao aumento da natalidade numa das cidades mais envelhecidas de um dos países mais envelhecidos da Europa”, lê-se no comunicado.

O vereador do PCP Josué Caldeira disse à Lusa que os comunistas votaram contra esta medida porque se traduzirá numa perda de receita para o município que favorecerá, fundamentalmente, as pessoas com maiores rendimentos, defendendo que essas verbas poderiam e deveriam ser usadas em programas sociais da câmara, como a promoção de casas para renda acessível ou o Fundo de Emergência Social.

Josué Caldeira afirmou que o Fundo de Emergência Social foi destino de 7,5 milhões de euros da Câmara nos últimos anos e que estão em causa 42 milhões de euros de perda de receita com a proposta da devolução do IRS hoje aprovada, sublinhando que 56% desse valor será devolvido apenas a 10% da população da cidade, a “mais rica de Lisboa”.

Também a vereadora Beatriz Gomes Dias, do BE, “votou contra as propostas da direita e do PS que reduziam as receitas do IRS da Câmara” por considerar estar em causa “uma medida fiscalmente regressiva e entregando esses recursos aos lisboetas mais ricos”, segundo um comunicado do partido.

O BE levou à reunião uma proposta para alterar a derrama, que foi rejeitada pela “direita e PS”, que garantia “o pagamento de derrama sobre os lucros entre os 100 e os 150 mil euros às empresas que não cumprem a legislação laboral, penalizando, desta forma, as empresas que utilizam trabalho precário na sua atividade”.

A vereadora Paula Marques, numa nota escrita, disse que a proposta sobre o IRS aprovada “poupa impostos aos mais ricos e prescinde ainda mais de recursos necessários para a cidade”.

“Esta proposta acontece sem qualquer contrapartida de equilíbrio social com forte impacto na vida das famílias, como, por exemplo, o alargamento da rede pública de creches e a sua gratuitidade, que foi recusada”, acrescentou, considerando que “agrava assim a assimetria das condições de quem vive em Lisboa”.

  ZAP // Lusa

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