Metade da população portuguesa diz-se psicologicamente afetada pela Covid-19, aponta estudo

Um estudo divulgado na quarta-feira revelou que metade da população portuguesa classificou o impacto psicológico da pandemia de Covid-19 como “moderado a severo”. Na China, país onde surgiu o vírus, a percentagem de pessoas na mesma situação era de “apenas 7,6%”. 

Segundo um artigo do Expresso, este estudo, realizado pelo Instituto de Psicologia Clínica e Forense em colaboração com outras entidades, contraria outros já divulgados, que apontavam para uma percentagem de pessoas afetadas psicologicamente em situação de catástrofe ou crise que oscilava entre os 15% e os 25%.

Neste estudo, metade dos cerca de 10 mil inquiridos – com uma média de idades de 31,3 anos e na sua maioria mulheres -, classificou o impacto psicológico da pandemia como “moderado a severo”. No resumo dos resultados enviado às redações, os investigadores sublinharam o caso da China, onde a percentagem de “participantes que relataram um impacto psicológico moderado a severo” era de “apenas 7,6%”.

Ao Expresso, Sofia Brissos, psiquiatria no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, explicou que foram comparados períodos iniciais da crise em ambos os países e que a diferença “poderá residir no facto de, em Portugal, quando surgiram as primeiras mortes, já haver mais informação sobre o surto e a noção de que a situação era grave e de proporções inéditas”.

Na China, continuou a especialista, que é uma das autoras do estudo, “poderá ter havido a perceção, numa fase inicial, de que se tratava de uma situação circunscrita”.

“Umas das razões possíveis é que, na altura, o surto ainda não era considerado grave e os participantes [na China] não estavam tão bem informados”, lê-se no resumo do estudo, em colaboração com o Centro de Investigação em Psicologia da Universidade Autónoma de Lisboa e o Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro.

No total, 11,7%, 16,9% e 5,6% dos inquiridos relataram sintomas “moderados a graves” de depressão, ansiedade e stress, respetivamente. A “grande maioria não tem sintomas de quadros clínicos graves”, “nem precisa de ser medicada”, esclareceu Sofia Brissos.

Contudo, “será necessário algum tipo de intervenção ou a adoção de medidas ou cuidados específicos”. “Informação rigorosa é importante, assim como é importante dar informações sobre como atuar numa perspetiva tranquilizadora da população”, sublinhou.

Como aconteceu noutros dois estudos sobre saúde mental e pandemia (um da Escola de Medicina da Universidade do Minho, divulgado a 14 de abril, e outro de psiquiatras do Hospital Júlio de Matos, divulgado na terça-feira), os participantes mais velhos apresentaram níveis mais reduzidos de depressão e stress.

Estudantes com mais de 18 anos, desempregados, pessoas com menor nível de escolaridade, mulheres e pessoas “mais sintomáticas” são um dos grupos em que as medidas de isolamento social pode estar a ter mais impacto. Segundo Sofia Brissos, “ter uma doença crónica tem sido associado a mais ansiedade, depressão e stress, e a um maior impacto psicológico da covid-19”.

O estudo mostrou ainda que pessoas em meio rural são mais afetadas do que nas zonas urbanas, o que, para a psiquiatra, era menos expectável. “Isto é especulação mas é também a explicação que vai constar da versão do estudo que será submetida para publicação numa revista científica. E a explicação, a possível explicação, é que as pessoas no meio rural podem pensar que não há recursos suficientes nos hospitais distritais para as tratar, nomeadamente ventiladores, e isso causar-lhes medo”, referiu.

Outra das conclusões apontou que, entre as pessoas que continuam a trabalhar, o impacto da pandemia é menor nas que estão em teletrabalho, “porque não têm de andar de transportes públicos nem expor-se tanto ao vírus”, ainda que “isto não explique tudo e haja outros fatores a ter em conta”, acrescentou.

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