Médicos criticam resposta à covid-19 na Grande Lisboa (já há hospitais com taxas de ocupação de 100%)

Alejandro Garcia / EPA

Com o aumento de casos de covid-19 na região da Grande Lisboa e o aumento da pressão sobre os hospitais da região, há médicos a denunciar a falta de uma resposta coordenada, com críticas à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que não terá ainda promovido qualquer reunião com as administrações das unidades de saúde.

A directora de infecciologia do Hospital Amadora-Sintra, Patrícia Pacheco, é uma das vozes críticas, notando, em declarações à SIC, que não houve qualquer reunião conjunta com a ARSLVT.

Para esta profissional de saúde “fazia sentido sentar na mesma mesa os diferentes intervenientes para elaborar uma tentativa de resposta mais centralizada, mais fácil”. A médica realça que urge implementar uma resposta “global, integrada e participativa”, com recurso a “um comando estruturado para agilizar e programar”.

Na Ordem dos Médicos (OM), o presidente da secção sul, Alexandre Valentim Lourenço, critica que “há muito tempo que a OM não é chamada para uma reunião”, conforme declarações divulgadas pelo Público.

O director do serviço de infecciologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez, também lamenta no Público que “nunca foi convocado para nenhuma reunião promovida pela ARS”.

O administrador do Hospital de Loures, Artur Vaz, vinca, igualmente neste jornal, que “gostava que a ARS pensasse num plano de resposta para a região e desse indicações para o trabalho em rede“.

Já o Bastonário da OM, Miguel Guimarães, sustenta num comunicado que a Direcção Geral de Saúde revelou “incapacidade de antecipação”, apelando que “é urgente antecipar e não correr atrás do prejuízo, o que implica ter a humildade de ouvir os profissionais de saúde agora, como foi feito no início” da pandemia.

“Não faz sentido que não haja coordenação entre centros de Saúde, hospitais e as administrações regionais de saúde”, destaca ainda Miguel Guimarães em declarações ao Correio da Manhã (CM), atestando que “é absolutamente obrigatório que haja esta coordenação”. “A ideia que tenho é que as ARS não estiveram nada bem nesta pandemia”, conclui.

Hospital de Loures tem taxa de ocupação de 100%

Nesta altura, os hospitais com situações mais preocupantes são o Amadora-Sintra e o de Loures que “estão a passar por sérias dificuldades”, fruto do aumento de contágios na região, o que já os obrigou a “transferir doentes para outras unidades hospitalares”, conforme apurou o Público.

O Amadora-Sintra tinha 82 doentes internados com covid-19 no passado sábado, dos quais 10 na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), enquanto o de Loures tinha 66 pacientes, dos quais 7 na UCI, segundo dados avançados por este jornal.

O CM reforça que o Hospital de Setúbal também está muito pressionado por causa da pandemia, com uma taxa de ocupação de 86%, notando que no Amadora-Sintra é de 93% e no de Loures é de 100%.

A região de Lisboa e Vale do Tejo tem, actualmente, 45% dos casos de covid-19 do país, enquanto o Norte soma 42%. Há, em especial, 18 concelhos da Grande Lisboa que preocupam mais, com 18.752 casos dos 41.646 a nível nacional – são estes concelhos, respectivamente, Lisboa, Sintra, Cascais, Odivelas, Loures, Oeiras, Amadora, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, Setúbal, Palmela, Sesimbra e Mafra.

Numa entrevista a um jornal espanhol, António Costa referiu que os surtos em Lisboa “não têm nenhuma relação com o centro da cidade” e que se devem, sobretudo a “alguns bairros de municípios vizinhos“, onde “não se assistiu à redução generalizada registada em todo o território”.

Entretanto, a ARSLVT aponta, numa nota citada pelo Público, que está a acompanhar a situação dos hospitais da Grande Lisboa “de forma sistemática e permanente”, realçando que “ocorreram reuniões/teleconferências periódicas com os conselhos de administração”.

O Ministério da Saúde também sustenta que as equipas de saúde têm sido reforçadas, nomeadamente nos hospitais de Odivelas, Loures e Amadora-Sintra, prevendo ainda continuar esse reforço nesta semana, designadamente com “80 médicos internos, provenientes do INSA [Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge] e de vários hospitais, em especial para trabalho em part-time”, conforme nota citada pelo Público.

Além disso, o Ministério refere que “estão ainda em formação cerca de 40 internos de saúde pública”.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. E tudo ia bem… diziam eles. Só tretas. Nunca estivemos bem. Agora, ainda conseguimos estar pior. Só em Lisboa há mais infetados do que em toda a Grécia. Mas como o povo é burro e come o que o Costa lhe diz… E assim vai a burrolândia.

  2. Se agora é assim imagine-se durante o Inverno que está aí à porta e onde todos os Invernos o problema de hospitais à pinha com pessoas com gripe é o pão de cada dia, depois como se vai distinguir entre uma gripe normal e o Covid 19?

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