May e Corbyn deram um passo em frente. E não chegaram a lado nenhum

Facundo Arrizabalaga / EPA

A primeira-ministra britânica e o líder da oposição reuniram-se esta quarta-feira, mas o encontro não surtiu grande efeito. Uma nova ronda de conversas foi agendada para esta quinta-feira, mesmo com os dedos furiosos da ala eurocética do Partido Conservador apontados para a estratégia de Theresa May.

Theresa May estendeu a mão, Jeremy Corbyn apertou de volta e esta quarta-feira reuniram-se para explorar as soluções possíveis para ultrapassar o impasse do Brexit. O encontro foi catalogado pelo líder da oposição como “útil, mas inconclusivo”, tendo sido agendada uma nova ronda de conversas.

A reunião entre os dois líderes aconteceu sob o olhar furioso da ala eurocética do Partido Conservador, mas o segundo capítulo continua esta quinta-feira com uma nova ronda de discussões entre as duas equipas. Não se sabe se é desta vez que as mãos de May e de Corbyn se juntam em prol de entendimento. Certo é que os tories continuam intransigentes e olham desconfiados para esta “amizade”.

Por sua vez, o líder do Partido Trabalhista, que aceitou deliberadamente encontrar-se com Theresa May, revelou que defendeu durante a reunião com a primeira-ministra a manutenção do Reino Unido numa união aduaneira com a União Europeia após o divórcio, tendo assumido que a posição do Governo britânico não sofreu grandes alterações.

“Tivemos uma conversa e não houve tantas mudanças na posição de Theresa May como esperava. Mas vamos continuar a discutir amanhã de manhã, para explorarmos algumas das questões mais técnicas”, afirmou Corbyn, citado pelo jornal Público.

Corbyn defendeu a posição do Labour perante May, afirmando que o partido pretende que o Reino Unido entre numa união aduaneira e que “tenha acesso ao mercado único”. Mas cada vez que Jeremy Corbyn dedilha este assunto, atiça a primeira-ministra, que olha para a união aduaneira como uma das suas principais linhas vermelhas.

Depois do encontro, numa carta enviada aos deputados trabalhistas, Corbyn acrescentou que “levantou a possibilidade de um voto de confirmação”, público, a um eventual acordo de saída, “mas a primeira-ministra continua resistente a esta proposta”.

As declarações do líder do Partido Trabalhista surgiram momentos depois de os porta-vozes do Labour e de Downing Street terem defendido, em comunicados muito semelhantes, que as conversas foram “construtivas”. “Ambas as partes demonstraram flexibilidade.”

O encontro de May com Corbyn, entendido como um braço a torcer em prol do Brexit, foi agendado na sequência da necessidade imperativa de encontrar uma solução com o líder da oposição para adiar o divórcio do Reino Unido com a União Europeia – de 12 de abril para 22 de maio.

Theresa May não abre mão do tratado jurídico negociado e fechado com a União Europeia, pelo que o centro da reunião com Corbyn terá sido a declaração política sobre os princípios desejados pelas partes para o seu relacionamento futuro – e é neste âmbito que ambos poderão expressar a sua vontade em manter o Reino Unido numa união aduaneira.

Contudo, o facto de não ser juridicamente vinculativa pode ser um entrave para todos os deputados, inclusive aqueles que defendem um Brexit suave.

Tories com um pé atrás

A ala eurocética do Partido Conservador não quer eleições antecipadas (com receio de ver Corbyn em Downing Street) e tem assistido a esta amizade amarga entre May e o “inimigo” como um murro no estômago.

Num artigo de opinião publicado no The Telegraph esta quarta-feira, Duncan Smith escreveu que “o espectro de Corbyn a pairar sobre nós, equiparado a primeiro-ministro, e a destruir o Brexit, faz com que o sangue me corra gelado nas veias e deixa-me receoso pelo meu partido e pelo meu país”.

May tentou acalmar os ânimos numa carta enviada aos deputados conservadores antes do encontro com Corbyn, na qual explicava a sua decisão e os acusava de terem frustrado a aprovação do seu acordo, mas sem efeito. “Com alguns colegas indisponíveis para apoiar o Governo nas votações, esta é a única forma de alcançarmos o Brexit suave e ordeiro que prometemos e que pelo qual os britânicos votaram”, escreveu, (quase) em vão.

Dentro do Governo, a flexibilidade da primeira-ministra foi fortemente contestada por vários ministros. Como consequência, Nigel Adams e Chris Heaton-Harris demitiram-se, aumentando para 12 o número de membros do executivo tory que bateram com a porta este ano na sequência do Brexit.

Por um voto, parlamento força May a adiar o Brexit

Um voto garantiu a aprovação, também esta quarta-feira, de uma proposta da deputada trabalhista Yvette Cooper que obriga Theresa May a pedir a Bruxelas um adiamento do Brexit para além da data prevista de 12 de abril.

A decisão tem como objetivo impedir uma saída desordenada, sem acordo, do Reino Unido da União Europeia e passou com 313 votos a favor e 312 contra. Ainda assim, a decisão não significa ainda que exista uma clarificação sólida no impasse que se vive no país por causa do Brexit.

Como explica o Expresso, a Câmara dos Lordes terá de se pronunciar antes de a proposta poder assumir a forma de lei, o que deverá suceder já esta quinta-feira. Além disto, será necessário que os parceiros europeus estejam disponíveis para concordar com a extensão do artigo 50, tema que deverá estar em cima da mesa na reunião do Conselho Europeu que se realiza a 10 de abril.

LM, ZAP //

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