Com novo máximo mundial de casos, Índia encontra-se com falta de oxigénio nos hospitais

STR / EPA

Enquanto na Europa o número de mortes e de novos casos começa a estabilizar, alguns dos países mais pobres do mundo continuam a encurralados. A Índia está a passar por uma crise de oxigénio nos seus hospitais, numa altura em que o número de novas infeções não para de aumentar.

A Índia está a enfrentar, nas últimas semanas, uma nova variante que parece ser mais transmissível. Ao mesmo tempo, o serviço de saúde está sobrecarregado de doentes e a ter de lidar com uma crise no fornecimento de oxigénio.

O país registou 2263 mortos e 332.730 infetados com o novo coronavírus nas últimas 24 horas.

Os números das autoridades de saúde elevam o total de infetados para 16,2 milhões e de mortos para 186.920 desde o início da pandemia no país – é o segundo país com mais casos, apenas atrás dos Estados Unidos.

O aumento de novos casos nesta segunda vaga tem sido vertiginoso no país asiático, com um aumento de mais de 100 mil casos só na última semana, o que contrasta com as menos de dez mil infeções registadas em Fevereiro, quando muitos pensavam que o pior já tinha passado.

O número de mortes das últimas 24 horas também representa um novo máximo, disse o Ministério da Saúde, enquanto as autoridades do norte e oeste da Índia, incluindo na capital, Nova Deli, alertaram que a maioria dos hospitais estavam lotados e sem oxigénio.

Assim, as autoridades de saúde relacionam algumas mortes com a crise de oxigénio em muitas regiões indianas, escreve o Público.

Na quarta-feira, 22 pacientes com covid-19 morreram num hospital público no estado de Maharashtra quando o fornecimento de oxigénio acabou depois de um problemas nos tanques, escreve a agência Reuters.

A Max Healthcare, que administra uma rede de hospitais no norte e oeste da Índia, publicou um apelo no Twitter, esta sexta-feira, a pedir material médico e oxigénio para os hospitais que gere em Nova Deli.

América central sofre nova vaga e exige mais vacinas

Metade dos países da América Central enfrenta uma nova vaga de covid-19, com os países a reclamar por um acesso equitativo e mais rápido às vacinas, ao mesmo tempo que registam um aumento de novos casos.

A Guatemala e as Honduras registam um crescimento no número de novas infeções do novo coronavírus, com a Costa Rica a atingir um número recorde de pessoas hospitalizadas em unidades de cuidados intensivos.

O Panamá apresenta um “controlo” da pandemia após uma “segunda vaga” no final de 2020, com El Salvador a mostrar números estáveis de novos casos, enquanto a Nicarágua revela um número muito baixo de casos positivos e mortes que são refutados por uma rede de médicos voluntários, que apontam para um cenário mais grave.

Estes seis países centro-americanos, com cerca de 48,5 milhões de habitantes, acumulam quase 1,1 milhões de casos confirmados de covid-19 e 23.450 mortes em pouco mais de um ano de pandemia, de acordo com dados oficiais.

A Costa Rica tem 277 do total de 316 camas em cuidados intensivos ocupadas, o máximo atingido desde o início da pandemia, com a Guatemala a declarar um alerta vermelho na sua rede hospitalar e as Honduras na iminência de decretar novas restrições e confinamentos para conter a pandemia no país.

O Panamá, com 361.678 casos acumulados e 6.196 mortes, considera a pandemia controlada após as medidas implantadas no final de 2020, segundo o diretor da Região Metropolitana de Saúde, Israel Cedeño.

Vários líderes dos países da América Central aproveitaram a XXVII Cimeira Ibero-Americana, realizada quarta-feira em Andorra, para apelar a um acesso equitativo às vacinas, para que os processos de imunização não sejam comprometidos na região.

Emirados não conseguem conter a expansão de surto

Os Emirados Árabes Unidos registaram 2.081 novos casos de covid-19 e quatro mortes nas últimas 24 horas, e não estão a conseguir reduzir os casos diários, apesar de ultrapassarem a barreira de 100 doses de vacinas para cada 100 habitantes.

A Autoridade Nacional de Gestão de Emergências, Crises e Desastres dos EAU anunciou na quarta-feira ter administrado um total de 9,9 milhões de vacinas entre a sua população, representando uma taxa de 100,1 doses por 100 habitantes.

Os países árabes situam-se na vanguarda em termos de doses administradas por habitante, superado apenas por Israel em todo o mundo, mas a evolução da sua curva de contágio difere completamente da de outros que estão muito adiantados na campanha de vacinação, como o Reino Unido.

Com mais de cinco milhões de habitantes vacinados com pelo menos uma dose e quase quatro milhões com as duas, as autoridades não explicaram a que se deve a estagnação na evolução das infeções, apesar dos índices de vacinação.

Desde o início da pandemia, os Emirados Árabes totalizam 504,8 mil casos de infeção por covid, 1.565 mortes, e 486,9 mil pessoas recuperadas da doença.

Hungria relaxa restrições em esplanadas e bares

O governo húngaro anunciou na quinta-feira a intenção de abrir as esplanadas dos bares e atrasar em uma hora o recolher obrigatório, apesar de o país continuar a ter a maior taxa de mortalidade da União Europeia associada à covid-19.

O ministro do Interior, Gergely Gulyás, disse que flexibilização das medidas vai ser possível porque é previsto que nesse dia seja atingida a marca de 36% de população inoculada com pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19.

Até hoje, 35% dos 9,7 milhões de húngaros já receberam uma injeção, a segunda percentagem mais elevada da União Europeia, e nas últimas 24 horas, foram registados 214 mortes e 3.607 novos casos do vírus, mantendo a tendência de queda das últimas semanas.

Apesar da descida, a Hungria tem a maior taxa de mortalidade da UE, com 22,5 óbitos por milhão de habitantes, quatro vezes superior à média comunitária, segundo o portal Our World in Data.

Desde o início da pandemia, a Hungria totaliza 760,967 infeções e 26 mil mortos, a par de 469,5 mil doentes recuperados. Nas últimas 24 horas, o país teve 3,6 mil novos casos e 214 mortes.

ZAP ZAP // Lusa

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