Marques Mendes recusa liderança do PSD, sublinha “trapalhada” com votos dos emigrantes e aponta fim da pandemia em Portugal

António Cotrim / Lusa

O conselheiro de Estado e antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes

Comentador caracterizou como “surreal” a situação do PSD, dizendo que a demora no processo de sucessão de Rui Rio “não é normal”.

Luís Marques Mendes lamentou ontem, no seu habitual espaço de comentário, a “trapalhada” da anulação dos votos do círculo da Europa, concluindo que “não havia nenhuma solução boa”, daí aceitar a “correta e compreensível” opção do Tribunal Constitucional de mandar repetir a eleição. O comentador antecipa, no entanto, uma maior abstenção face à “desmotivação e indignação” gerada entre os eleitores em questão pela forma como o processo foi conduzido. Atribuiu ainda culpas a Eduardo Cabrita, antigo ministro da Administração Interna, quem entende ter tido competência para propor à Assembleia da República uma mudança da lei eleitoral.

O comentador abordou ainda as consequências governativas da repetição das eleições, o que adia a tomada de posse da nova Assembleia da República e do novo Governo, adiando “lá para maio ou junho” a discussão do Orçamento do Estado. “É mau viver tanto tempo e duocécimos”, sintetizou o antigo líder do PSD.

Já no que respeita à composição do novo Governo, Marques Mendes antecipa mais mudanças do que se esperava. Entre os nomes que se perfilam, está o de Fernando Medina, para o cargo de ministro das Finanças, e o de José Luís Carneiro, que pode assumir a pasta da Administração Interna. Na visão do comentador, no caso do antigo presidente de Câmara de Lisboa “será uma escolha de natureza pessoal e política”. Pessoal por se tratar de um “amigo de António Costa” e política porque interessará ao primeiro-ministro “mudar o perfil” do detentor da pasta das Finanças, tendo em vista o futuro. “Costa não dá ponto sem nó, e a questão da sua substituição chegará.”

A sugestão do nome de Augusto Santos Silva para presidente da Assembleia da República também foi analisada, com Marques Mendes a classificá-la como “boa escolha”. “Tem experiência e mais que estatuto para o efeito”, afirmou. Foi também antecipada uma possível candidatura à presidência da República por parte do ainda detentor da pasta dos Negócios Estrangeiros, a qual seria naturalmente apoiada pelos socialistas.

Outro tema que mereceu duras críticas do comentador foi a sucessão de Rui Rio como presidente do PSD, uma situação que descreveu como “surreal” face ao anúncio do atual líder em que anunciou a sua saída, mas com uma postura quase intransigente quanto à data em que esta vai efetivamente acontecer. “A demora não é normal. O calendário não é uma questão de mercearia. [Não ter novo líder até junho ou julho] cria um vazio político e prejudica”, entende Marques Mendes, que aponta para o debate do Orçamento do Estado como um momento particularmente delicado, mas também nas escolhas do líder da bancada parlamentar ou dos nomes para o Conselho de Estado.

Ainda a propósito da sucessão de Rui Rio, Marques Mendes aproveitou a oportunidade para negar a possibilidade avançada por Carlos Carreiras de que o comentador poderia ser uma solução para a liderança do partido. “É um não assunto. Nem pensar. Nunca se deve regressar a um lugar onde já se esteve”, atirou, agradecendo, ainda assim, “a simpatia e amabilidade” do presidente da Câmara de Cascais.

Na atualidade internacional, Marques Mendes disse estar atualmente menos confiante nos “esforços diplomáticos” para evitar uma guerra do Leste da Ucrânia, tendo em consideração a tensão que se vive. “Não acredito na boa fé da Rússia”, começou por dizer. “A Rússia sempre foi contra a independência e a soberania da Ucrânia”, mas “o medo é a entrada ou associação deste país à União Europeia”. Neste cenário, entende o comentador, “a Ucrânia vai ter prosperidade, o que fará contraste com uma Rússia decadente“.

Voltando ao plano nacional, o comentador apontou ainda que perante o alívio de medidas anunciadas na última semana pelo Governo, na sequência da reunião com os especialistas no Infarmed, “na prática, a pandemia acabou em Portugal”. Como tal, o comentador entende que “se impunha, e isto é mais com o Presidente da República, condecorar o Serviço Nacional de Saúde”.

  Ana Rita Moutinho //

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