Marisa Matias: “É inevitável” que a geringonça seja avaliada nas europeias

Nuno Fox / Lusa

A eurodeputada bloquista Maria Matias defendeu que é “inevitável” que a geringonça governativa – liderada pelo PS com o apoio do BE e do PCP – seja avaliada já nas próximas eleições europeias, que se realizam a 26 de maio.

“É inevitável que aconteça, de certa maneira. É inevitável que, quando uma pessoa vá votar, o faça por aquilo que sente mais próximo na sua vida. Como não há a perceção, infelizmente, do quanto as políticas decididas em Bruxelas afetam a vida das pessoas, provavelmente poderão votar ou não mais pela perceção daquilo que foi a solução da ‘geringonça’”, disse Marisa Matias em entrevista ao Público e à Renascença.

Para a eurodeputada, os resultados da europeias vão ser também um reflexo daquela que é a política nacional seguida nos últimos anos.

Na mesma entrevista, Marisa Matias conta que viu com “alguma tristeza” a frase do ministro da Economia, Mário Centeno, sobre o investimento não ser como a “Anita vai às compras”. De acordo com a eurodeputada, tal aconteceu porque há diferenças de perspetivas sobre o investimento entre o BE e o Governo.

“Não devia haver, mas há. Com alguma dor, confesso. Estamos com esta obsessão do défice zero e défice zero significa investimento zero. Estamos a degradar os nossos serviços públicos”, criticou Maria Matias.

A eurodeputada, que vai encabeçar a candidatura do BE às europeias pela terceira vez, assume que vê hoje um Portugal “um bocadinho melhor” do que aquele que via há cinco anos, quando ocorreram as últimas eleições europeias.

“Já vi um Portugal a ser muito massacrado a partir de Bruxelas, com a intervenção da troika. E a ser pouco respeitado nas suas opções democráticas, quando chegámos a esta solução governativa. Não foi propriamente uma reação, face a Portugal, muito positiva. Tivemos a Comissão Europeia a procurar impedir o aumento do salário mínimo e, depois, a reconhecer que tinha sido uma boa medida. Foram os resultados que levaram a esse reconhecimento, embora isto seja sempre muito contextual e muito contingente”, afirma.

Portugal enfrentou um caminho “um bocadinho doloroso” de enfrentamento das instituições europeias, defende. “A solução não é perfeita, teve bons resultados, mas foi limitada. O que as pessoas sentiram como resultados mais positivos nas suas vidas foram aqueles em que foi preciso enfrentar mais diretamente o que era a indicação prévia de Bruxelas”.

Questionada sobre o tipo de Europa que vê atualmente, Marisa Matias diz que o que vê ” uma União Europeia minada pela corrupção e com uma ascensão da extrema-direita enorme”, considerando haver um “lobby muito poderoso”. “Um lobby em teoria é inscrito, sabe-se quem reúne com quem, mas obviamente não creio que seja tudo às claras. Haverá um tipo de influências que não será feito às claras”, considera.

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