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Marcelo diz que decisão de administrar terceira dose de vacina cabe ao Governo

António Cotrim / Lusa

O Presidente da República reforçou, este domingo, o apelo do coordenador da task force para a vacinação dos jovens de 16 e 17 anos.

O presidente da República disse, este domingo, que cabe ao Governo decidir sobre a administração de uma terceira dose da vacina contra a covid-19, e apelou aos jovens que sejam inoculados para que o próximo ano letivo decorra com normalidade.

“Não quero avançar com opinião sobre essa matéria. É uma matéria de decisão política do Governo, não do Presidente, mas é evidente que eu percebo a preocupação do Governo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em Melgaço, no final da cerimónia de entrega dos Prémios Jean-Loup Passek, no encerramento da edição 2021 do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço.

Questionado sobre a intenção do Governo de realizar uma campanha de teste serológicos, nomeadamente nos lares, relacionada com a avaliação da necessidade de administração de uma terceira dose da vacina contra a covid-19, o Chefe de Estado apontou “o exemplo dos profissionais de saúde, dos professores e de outros setores que foram vacinados em primeiro lugar, vai fazer seis meses, para garantir serviços básicos”.

“É preciso acompanhar os anticorpos. Mantêm-se os anticorpos no mesmo grau, ou não? Até agora a opinião comum é que é duradoira a presença de anticorpos, mas é preciso verificar. Como é que isso se faz? Com testes serológicos que permitem apurar como estão as resistências provocadas pela vacina. Concordo com isso, é uma preocupação que faz sentido”, afirmou Marcelo.

Um estudo dos serviços de Patologia Clínica e de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), divulgado este domingo, concluiu que os anticorpos caem a pique meses após vacinação. Nesse sentido, a terceira dose torna-se inevitável.

O Presidente da República lembrou que se aproxima o início do ano letivo, que deverá decorrer “nas melhores condições de saúde pública, mas também nas melhores condições educativas”.

“Em relação aos jovens de 16 e 17 anos que vão ser vacinados queria reforçar o apelo do vice-almirante Gouveia e Melo. Eu sei que quando se têm 16 ou 17 anos não há ninguém que não se considere eterno. Eu considerava-me eterno e considerava que problemas de certa natureza não eram tão urgentes ou prementes”, começou por dizer.

“Eu percebo que o próprio debate, há umas semanas, sobre se devia ou não haver vacinação para os 16 e os 17 anos, tenha levado muitos jovens a dizer que não valia a pena. Eu apelo para que pensem que pode fazer a diferença na sua saúde e no seu próximo ano letivo. Já tivemos dois anos letivos muito complicados”, destacou.

Até às 23h59 de sexta-feira, cerca de 101.900 jovens com 16 e 17 anos propuseram o autoagendamento da sua vacinação contra a covid-19. O agendamento para esta faixa etária terminou na sexta-feira e, tendo em conta que o INE contabiliza este universo em 212 mil jovens, apenas 48% fez a marcação.

Questionado sobre o aumento do número de surtos em lares, o chefe de Estado disse existir “um lado normal”, nessa situação, apelando para um “acompanhamento atento”.

“Há um lado normal que, ao fim de seis meses da vacinação, surjam franjas da população que não foi vacinada, mesmo nos grupos de risco ou em que há, como noutras vacinas, casos de contágio, que é o que está a acontecer em casos isolados em lares. Não são propriamente casos generalizados”, referiu.

  // Lusa

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