/

Apelo desesperado. Mães afegãs atiram bebés sobre arame farpado para os militares britânicos

1

Wakil Kohsar / AFP

No Afeganistão, pais e mães desesperados estão a tentar fazer com que os seus filhos deixem o território a qualquer custo.

As redes sociais estão repletas de vídeos filmados perto do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, que mostram crianças a serem levantadas sobre a multidão para chegarem às mãos das tropas britânicas.

Segundo o relato de um militar britânico, citado pela Sky News, algumas mães desesperadas chegam a atirar os bebés por cima de cercas com arame farpado. “Foi terrível: as mulheres atiravam os seus bebés por cima do arame farpado, pedindo aos soldados que os levassem. Alguns ficaram presos no arame”, contou.

Ao The Independent, outro militar do regimento de paraquedas britânico mostrou-se chocado com as imagens. “As mães estavam desesperadas, estavam a ser espancadas pelos talibãs. Gritavam ‘salve o meu bebé‘ e atiravam-nos para nós.”

“Alguns caíram no arame farpado. Foi horrível o que aconteceu. No final da noite não havia nenhum homem entre nós que não estivesse a chorar”, desabafou.

Apesar do desespero de alguns afegãos, o Governo britânico já afirmou que não irá aceitar menores desacompanhados.

Segundo a Vice, o ministro da Defesa britânico, Ben Wallace, pediu que as famílias afegãs não entreguem as suas crianças às tropas britânicas, uma vez que os menores desacompanhados não serão colocados nos voos de repatriamento.

 

Muitos receiam uma escala da violência nas ruas de Cabul depois de, no domingo, os talibãs terem conquistado a capital, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista, que acolhia no seu território o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

  Liliana Malainho, ZAP //

1 Comment

  1. Se já tivessem deixado de vender armas aos terroristas durante estes 20 anos que já passaram, de certeza que isto não estaria acontecer.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.