Maduro responsabiliza Trump pela violência que possa ocorrer na Venezuela

(dv) Palácio Miraflores

Nicolás Maduro condenou as sanções “ilegais e unilaterais” impostas pelos EUA contra a empresa Petróleos da Venezuela SA (PDVSA), acusando Washington de pretender “roubar” a petrolífera e as riquezas do país. Maduro responsabilizou ainda Trump por “qualquer violência” que venha a ocorrer no seu pais.

Em Caracas, o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou que a petrolífera estatal está a tomar ações para impedir a concretização das sanções, anunciadas pela Casa Branca na segunda-feira e que Maduro considerou como um ato ilegal. “Os EUA hoje decidiram tomar o caminho de querer roubar a empresa CITGO [petrolífera subsidiária da PDVSA nos Estados Unidos] à Venezuela e é um caminho ilegal.”

Nicolás Maduro falava durante um encontro no palácio presidencial de Miraflores, com diplomatas que regressaram de diferentes sedes consulares e da embaixada venezuelana nos EUA. “Já dei instruções ao presidente da PDVSA e à CITGO para que iniciem as ações legais para defender a propriedade e as riquezas da Venezuela”, afirmou o Presidente.

A administração norte-americana anunciou na segunda-feira que vai impor sanções à companhia petrolífera, o que aumenta a pressão sobre Nicolás Maduro. O conselheiro de segurança nacional John Bolton e o secretário do Tesouro Steven Mnuchin anunciaram medidas contra a companhia, que impede os norte-americanos de fazerem negócios com a empresa estatal e congela todos os seus bens nos Estados Unidos.

Segundo Nicolás Maduro, as sanções anunciadas, que afetam sobretudo à subsidiária norte-americana Citgo, “demonstram que o objetivo dos Estados Unidos é tirar as propriedades à Venezuela, o dinheiro e o território”.

Maduro sublinhou ainda que essas medidas são feitas “a pedido e amparadas pelo deputado anticonstitucionalmente autoproclamado chefe de Estado da Venezuela, Juan Guaidó”.

Por outro lado, explicou que os diplomatas venezuelanos que se encontravam no palácio presidencial foram chamados pelo Departamento de Estado norte-americano “para suborná-los” e para que declarassem contra a sua pátria, mas que “regressaram com dignidade, com honestidade e amor”. Assegurou ainda que estes diplomatas vão ser designados para outras missões.

Juan Guaidó anunciou, também na segunda-feira, praticamente em simultâneo com a divulgação das sanções norte-americanas, que assume o controlo dos ativos do país no exterior, de modo a evitar que Nicolás Maduro “continue a roubar” o dinheiro dos venezuelanos.

“A partir deste momento iniciamos a tomada do controlo progressivo e ordenado dos ativos da nossa República no exterior, para impedir que no seu percurso de saída, e não conformado com o que já roubou à Venezuela, o usurpador e o seu grupo continuem a roubar o dinheiro dos venezuelanos, financiando delitos a nível internacional e usando o dinheiro para torturar o povo, privando-o de alimentos e medicamentos e assassinando quem protesta pelos seus direitos”, refere Juan Guaidó, num comunicado.

O autoproclamado Presidente acrescentou que já denunciou “junto da comunidade internacional a corrupção na PDVSA”, salientando que esta foi convertida numa “rede de financiamento de crimes”. Juan Guaidó disse ainda que vai iniciar um processo para nomear uma nova administração para a PDVSA e para a sua filial CITGO, que opera nos Estados Unidos.

Maduro responsabiliza Trump pela violência

Responsabilizo Donald Trump por qualquer violência que possa vir a ocorrer na Venezuela”, disse Nicolás Maduro. “Será você, senhor Presidente Donald Trump, responsável por esta política de mudança de regime na Venezuela e o sangue que se possa derramar na Venezuela, será sangue que estará nas suas mãos, Presidente Donald Trump.”

Nicolás Maduro denunciou que há uma grande manipulação mundial, através dos meios televisivos dos Estados Unidos e da Europa para “apresentar uma Venezuela virtual”, da qual faz parte não mostrar a realidade: as manifestações de revolucionários que o apoiam. Por outro lado, anunciou estar pronto para iniciar um diálogo com a oposição para garantir a paz e a estabilidade do país.

Durante o encontro, o Presidente Nicolás Maduro pediu aos venezuelanos que continuem no rumo do trabalho, educação, do positivo e da expansão do modelo socialista, para a construção de uma estabilidade política, sólida, verdadeira e positiva. Nesse sentido anunciou o lançamento do programa estatal “Misión Venezuela Bella” (Missão Venezuela Linda) para embelezar 62 cidades do país.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

ZAP // Lusa

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