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Madeira, Suíça, Dubai. Antes de chegar ao “Príncipe”, luvas da Odebrecht terão dado a volta ao mundo

Os alegados pagamento de luvas da construtora brasileira Odebrecht ao “Príncipe”, nome de código de um cidadão português que as terá recebido, terão circulado entre a Madeira, a Suíça e o Dubai, avança o Correio da Manhã.

De acordo com o Correio da Manhã, que avança a notícia este sábado, mais de dois milhões de euros terão saído em várias tranches de uma conta no Banif, na Madeira, passando pelo Banque Privée Espírito Santo (BPES), na Suíça, até chegarem ao ES Bankers Dubai (ESBD), no Dubai, entre novembro de 2008 e março de 2009.

Este circuito é revelado em e-mails enviados, em meados deste mês, ao processo 1441/17. Os e-mails constam de uma certidão extraída, a 11 de dezembro, de um inquérito ao Banif. Os três processos correm no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Os e-mails referem várias vezes as várias transferências da conta da Arc Engineering and Constructions Services, empresa do grupo Odebrecht, entre o Banif, na Madeira, para o BPES, na Suíça, e para o ESBD, no Dubai.

Este circuito financeiro terá sido utilizado a partir do final de novembro de 2008.

Nos emails, surgem ainda nomes de funcionários do Banif e de Fernando Migliaccio, que terá gerido do alegado pagamento de luvas. Migliaccio refere que, apesar de ter sido dada ordem de transferência bancária, o dinheiro não chegara ao beneficiário.

A pedido do Ministério Público (MP), as autoridades judiciárias do Brasil ouviram Migliaccio em agosto de 2019. Nesse depoimento, Migliaccio disse “não saber se o Príncipe seria o intermediário ou se seria o beneficiário final dessas operações, desconhecendo quem seja a pessoa a quem foi atribuído esse codinome [Príncipe].”

Estas supostas luvas pagas pela Odebrecht estarão relacionadas com a obra de construção da barragem do Baixo Sabor que pertence à EDP. A barragem localizada no distrito de Bragança começou a ser construída durante o Governo de José Sócrates com um custo inicial de 450 milhões de euros. Contudo, as contas derraparam para gastos da ordem dos 650 milhões de euros.

A obra está a ser investigada no âmbito do caso EDP, onde é suspeito o antigo ministro da Economia, Manuel Pinho, que esteve no Governo de Sócrates e que é suspeito de ter recebido 4,5 milhões de euros de alegadas “luvas” da EDP e do Grupo Espírito Santo (GES).

O MP está a tentar chegar à identidade do “Príncipe”, um cidadão português que terá recebido alegadas luvas pagas pela Odebrecht através da conta de um amigo de Ricardo Salgado no Dubai.

  Maria Campos, ZAP //

 

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