Madeira está há duas semanas sem novos casos. Mas o sucesso tem um sabor agridoce

Há 14 dias que não se registam novos casos de covid-19 na Madeira. No entanto, com os hotéis fechados e a ausência de turistas, o sabor do sucesso é agridoce.

De acordo com um novo comunicado, citado pelo Expresso, há 14 dias que não se registam alterações na Madeira: 90 casos positivos, 64 recuperados e 26 ativos. Segundo o semanário, a forma como as equipas de saúde pública agiram permitiu conter as 11 cadeias de transmissão identificadas e o trabalho no terreno vai agora ser complementado pelo estudo genético ao vírus.

A sequenciação do genoma do vírus com origem na Madeira está a ser feita pelo Instituto Ricardo Jorge e poderá ajudar a perceber por que motivo a doença teve poucos casos severos no arquipélago.



Os bons resultados da Madeira permitiram dar início ao desconfinamento, a um ritmo muito diferente do resto do país: os cabeleireiros, centros comerciais e as lojas de rua abriram no início de maio, na semana seguinte os ginásios retomaram atividade, ainda que com muitas regras.

O acesso às praias deixou também de estar vedado e o regresso foi feito a pézinhos de lã, com regras e muita vigilância. Os cafés e restaurantes reabriram, mas são poucos os clientes. Os funcionários públicos voltaram ao trabalho a 18 de maio e os autocarros da empresa Horários do Funchal começaram a circular com horário normal.

O Expresso adianta que as escolas devem abrir em setembro ou para aulas de apoio aos alunos do 11.º e 12.º anos. O ensino secundário tem estado a funcionar em regime de telescola e ainda não se sabe se as creches e infantários reabrem antes de setembro.

A quarentena obrigatória para quem chega a Porto Santo, oriundo da Madeira, foi levantada No entanto, a Madeira vive do turismo e, sem ele, a reabertura e o sucesso na contenção da doença traz muito poucos frutos. A crise económica e social ofusca os bons resultados e os próximos tempos avizinham-se com grade agitação política.

A Madeira precisa de turistas e o objetivo é que comecem a chegar em junho, altura em que deverão reabrir alguns hotéis e a TAP passará a ter um voo diário para a região. Ainda que seja um risco em termos de saúde, não será suficiente para conter os estragos de dois meses sem turistas.

O Governo regional injetou na economia e para os apoios sociais 240 milhões de euros: para um primeiro momento, disponibilizou uma linha de crédito de 100 milhões de euros, que podem ser a fundo perdido se houver manutenção dos postos da trabalho, e duplicou a ajuda aos trabalhadores independentes que perderam os rendimentos.

Contudo, o apoio de emergência às empresas está a esgotar-se. Desta vez, escreve o Expresso, a Madeira não pede dinheiro, mas sim uma moratória sobre o pagamento de duas prestações do empréstimo feito ao Estado em 2012 – que vencem em julho e em janeiro do próximo ano, no valor de 98 milhões – e uma autorização para contrair um empréstimo de 500 milhões de euros.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. É inadmissível que digam que os funcionários públicos voltaram ao trabalho no dia 18 de maio. Pura mentira.
    Trabalho na administração pública regional e laborei no meu local de trabalho todos os dias desde o início da crise. Além disso, ninguém me pagou o tempo que trabalhei todos os fins de semana em casa, em serviço público.
    À parte disso, tive colegas em teletrabalho a dar o litro e a enviar contributos todas as noites e ao fim de semana, em prol do bem público.
    Vergonhosa esta afirmação.

  2. Previlegiados ganhando na maioria o ordenado mínimo!….Haja decoro e respeito pelos funcionários públicos , como em todos os postos de trabalho há bons e maus trabalhadores

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