Em resposta a Macron, Putin diz que autoridades agiram para evitar situação igual à dos “coletes amarelos” em França

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin

O Presidente da Rússia Vladimir Putin disse, durante um encontro com o seu homólogo francês Emmanuel Macron, que as autoridades russas agiram para garantir que as manifestações dos seus opositores permanecem dentro “da lei”, evitando uma situação “semelhante à dos coletes amarelos” em França.

Recebido na residência de verão de Emmanuel Macron, Vladimir Putin afirmou que não quer ter “uma situação semelhante” à que abanou a presidência francesa no final do ano passado e início deste, noticiou a TSF, citando a agência Lusa.

Vladimir Putin referia-se ao período no qual a população saiu à rua num movimento que ficou conhecido como dos “coletes amarelos”, devido ao facto de os manifestantes vestirem coletes dessa cor para protestar contra as políticas do governo.

A resposta do Presidente russo surgiu, segundo o Moscow Times, depois que Emmanuel Macron lhe ter pedido que respeitasse os princípios democráticos, após semanas de protestos em Moscovo.

“Todos sabemos sobre os eventos ligados aos chamados “coletes amarelos” durante os quais, de acordo com nossos cálculos, 11 pessoas morreram e 2.500 ficaram feridas”, disse Vladimir Putin. “Não queremos que tais eventos ocorram na capital russa e faremos tudo o que pudermos para garantir que a nossa situação política evolua estritamente no marco da lei”, acrescentou.

Emmanuel Macron, por sua vez, indicou que uma comparação com a França é imprecisa, já que pelo menos os “coletes amarelos” podiam concorrer nas eleições. “Fico feliz que se expressem livremente nas eleições porque reduz o confronto. Somos um país onde as pessoas podem se expressar livremente, protestar livremente, ir a eleições livremente”.

Yuri Kochetkov / EPA

De acordo com a TSF, a câmara baixa do parlamento russo anunciou a criação de uma comissão para investigar uma “ingerência estrangeira” na política interna do país, após os protestos governamentais que Moscovo diz mostrarem envolvimento ocidental.

A Rússia já fez advertências aos Estados Unidos e à Alemanha, acusados de apoiarem as recentes ações da oposição, que tem vindo a protestar na capital russa todos os fins de semana desde meados de julho contra a rejeição dos seus candidatos às eleições locais que se vão realizar a 08 de setembro.

Trata-se de um dos mais poderosos movimentos de protesto desde o regresso de Vladimir Putin ao Kremlin, em 2012. A maioria das manifestações, não autorizadas, foram severamente reprimidas pela polícia. Mais de duas mil pessoas foram detidas e mais de 100 ficaram presas.

Vários dos candidatos, assim como crítico do Kremlin Alexei Navalny, estão a cumprir pena de prisão por acusações relacionadas aos protestos. As autoridades dizem que os candidatos foram impedidos de concorrer porque não conseguiram recolher assinaturas suficientes, uma alegação que a oposição rejeita como falsa.

A agência russa de vigilância das telecomunicações Roskomnadzor, por seu turno, exigiu ao Google que proibisse a publicidade das ações da oposição na plataforma de vídeo YouTube.

Macron: Cessar-fogo na Síria deve ser respeitado

Ainda na segunda-feira, ao receber o seu homólogo da Rússia na sua residência de verão, o Presidente de França exortou o regime de Damasco e o seu aliado russo a respeitarem o cessar-fogo na província de Idlib (noroeste da Síria).

“É imperativo – é para nós importante e teremos ocasião de falar sobre isso – que o cessar-fogo decidido em Sotchi (Rússia) seja verdadeiramente respeitado”, declarou quando recebia Vladimir Putin no forte de Brégançon, no sudeste de França, para um encontro onde a Ucrânia e as relações Rússia-União Europeia foram também abordadas.

O Presidente russo reafirmou que Moscovo “apoia o exército sírio” no seu combate contra as “ameaças terroristas”.

As forças pró-regime intensificaram desde abril os bombardeamentos contra o norte da província de Hama e o sul da de Idlib, último bastião insurgente que ainda escapa ao controlo do Presidente Bashar al-Assad.

Cerca de três milhões de pessoas vivem em Idlib e, segundo a ONU, só nos últimos três meses, mais de 400 mil estão deslocadas no interior da província, que é controlada na sua maior parte pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS, ex-braço sírio da Al-Qaida).

Emmanuel Macron defendeu ainda a realização de uma cimeira sobre a questão da Ucrânia nas próximas semanas, considerando que a eleição do novo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, representa uma “mudança real” nas relações entre Kiev e Moscovo.

Youssef Badawi / EPA

Antes do encontro com o Presidente francês, Vladimir Putin evocou um “otimismo prudente” em relação ao dossier das relações separatistas pró-russas do leste da Ucrânia após contactos com Zelensky.

O encontro de trabalho entre os dois chefes de Estado permitiu ainda a Emmanuel Macron anunciar que se deslocará a Moscovo em maio de 2020 para assistir às celebrações na Rússia do 75.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi e a Vladimir Putin congratular-se por o Presidente francês ter aceitado o convite.

As comemorações na Rússia têm sido evitadas pelos europeus desde que o país anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014.

O Presidente francês defendeu igualmente uma aproximação entre a União Europeia e a Rússia, apelando a que se recupere a “confiança” numa ordem internacional que está em “recomposição”.

Apesar “dos mal-entendidos das últimas décadas, os debates sobre a relação com o Ocidente”, a Rússia “é europeia” e “deve ser reinventada uma arquitetura de segurança e confiança entre a União Europeia e a Rússia”, declarou.

O encontro bilateral ocorreu quando está marcada para os dias 24 e 26 de agosto, em Biarritz (sudoeste de França), a cimeira do G7, grupo das sete maiores economias mundiais, que se reunia em formato G8, incluindo a Rússia, antes do país ter sido excluído após a da Crimeia.

Líderes dos protestos em Moscovo processados

Duas empresas de transporte de Moscovo e o dono de um restaurante estão a pedir quase 200 mil dólares (aproximadamente 180 mil euros) em indemnizações por supostas interrupções no tráfego e perda de receita durante os protestos do mês passado, informou a Corte da cidade na sexta-feira, citada pelo Moscow Times.

Yuri Kochetkov / EPA

O Tribunal do Distrito de Koptevsky, em Moscovo, concordou em ouvir os casos das duas empresas de transportes, que acusam nove dos candidatos da oposição pelos prejuízos provocados pela greve, que totalizam em mais de 190 mil dólares (cerca de 171 mil euros). As audiências preliminares foram agendadas para 22 de agosto.

Já o proprietário de um restaurante arménio alegou que o negócio tinha perdido mais de 8.200 dólares (à volta de 7.400 euros) em receita durante os protestos de 27 de julho. O caso será ouvido no Tribunal Distrital de Tushinsky.

TP, ZAP //

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