Macron eleito presidente da França com 66,1% dos votos

Yoan Valat / EPA

Emmanuel Macron 'En Marche!'

Emmanuel Macron ‘En Marche!’

O candidato centrista Emmanuel Macron foi eleito Presidente de França com 66,1% dos votos e derrotou a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, que obteve apenas 33,9%.

Os resultados de Macron são melhores do que as sondagens tinham indicado nas duas semanas entre a primeira e a segunda voltas. Os valores foram avançados pelos institutos de estudos de mercados Ifop e Harris Interactive, citados pela agência France-Presse, cerca das 20h00 em França.

Segundo uma estimativa da empresa de sondagens Ipsos-Sopra Steria para vários órgãos franceses, a abstenção ter-se-á situado nos 25,3%, a maior taxa numa segunda volta em eleições presidenciais desde 1969.

A participação terá sido assim de 75,7%, menos três pontos percentuais que na primeira volta, a 23 de abril, em que 77,77% dos eleitores franceses foram às urnas. É também a primeira vez desde 1969 que a participação na 2ª volta é inferior à da primeira.

“O que fizemos nestes meses não tem precedente nem equivalente. Todos diziam que era impossível. Isso é porque não conheciam a França“, afirmou Macron, no Museu do Louvre, num discurso para dezenas de milhares de pessoas.

O jovem político, de 39 anos, reiterou que a tarefa que tem pela frente é imensa e pediu votos nas eleições legislativas, que se realizam em junho, para construir uma maioria verdadeira e forte, a maioria da mudança que o país aspira.

Macron alertou que o que virá pela frente não será fácil, mas prometeu aos franceses que sempre dirá a verdade, que protegerá a França e que tem como objetivo unir e reconciliar o país.

O candidato que derrotou a extrema-direita

Emmanuel Macron lançou-se na corrida presidencial francesa projetando a imagem de um político novo e descomprometido, “nem de direita nem de esquerda”, e fica na história por ter derrotado a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.

Aos 39 anos, tornou-se o presidente mais jovem da história de França desde Luis Napoleão Bonaparte (1848-1852), sobrinho de Napoleão Bonaparte, presidente aos 40.

Emmanuel Macron nunca tinha sido eleito e demitiu-se do cargo de ministro da Economia (2014-2016) do governo do presidente François Hollande para apresentar a candidatura.

Com a passagem à 2ª volta da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, Macron teve apoio de dezenas de políticos, empresários, intelectuais, artistas e cientistas, incluindo o republicano François Fillon e o socialista Benoît Hamon, derrotados na primeira volta e representantes dos dois partidos que partilharam o poder nas últimas cinco décadas.

Yoan Valat / EPA

Emmanuel Macron, novo presidente da França

A imprensa francesa qualifica-o de “puro produto da intelectualidade”: filho de um casal de médicos, saído das escolas de elite, banqueiro de investimentos até entrar na política em 2012 como conselheiro de Hollande. Dessa experiência, e da de ministro, Macron diz ter retirado um ensinamento central: o da disfunção do sistema político.

Disse-se candidato da “verdadeira indignação” e da renovação, face “às mesmas caras” da classe política “há 30 anos”: “Isto não pode continuar assim!”.

Nas palavras de Hollande, numa reunião recente, “Macron teve a intuição, precisamente porque estava fora da vida política tradicional, de que os partidos de governo criaram as suas próprias fraquezas, perderam atratividade e estavam desgastados, cansados e envelhecidos”.

Essa intuição levou o jovem ministro a fundar, em abril de 2016, o seu próprio movimento, “Em Marche!”, com as suas iniciais – EM – que reivindica ter 200 mil militantes.

O seu programa é de inspiração social-liberal, prometendo reconciliar “liberdade e proteção”, reformar o subsídio de desemprego, criar apoios para os jovens de bairros desfavorecidos e “olhar para a classe média”, “esquecida pela direita e pela esquerda”.

Europeísta “assumido” mas com pouca experiência internacional, tentou reforçar esta vertente com uma visita ao Líbano e outra a Berlim, onde se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, junto de quem suscita, segundo a imprensa, “interesse e simpatia”.

O seu discurso, politicamente transversal, agrada sobretudo aos jovens urbanos e aos empresários, mas não é popular junto das classes populares, sobretudo rurais, pela globalização que defende.

Martial Trezzini / EPA

O movimento “Em Marche!” de Macron reivindica ter 200.000 militantes

O movimento “Em Marche!” de Macron reivindica ter 200.000 militantes

Contrariamente aos outros candidatos, Macron expôs na campanha a vida privada, aparecendo frequentemente com a mulher, Brigitte, 24 anos mais velha e sua antiga professora. A opção por essa exposição pode ter decorrido do desmentido que fez de rumores lançados nas redes sociais de que seria homossexual.

// Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Quem venceu a extrema-direita chama-se MEDO, só nos falta saber se arealidade não será bem mais medonha. Aguardemos serenamente.

  2. Depois da campanha do medo e da festa vamos ver se o senhor Macron será homem de palavra e de pulso para enfrentar os verdadeiros problemas franceses entre eles talvez o mais grave e polémico a invasão islâmica que aos poucos vai asfixiando os franceses e a própria Europa, é um homem do sistema e nele quanto a mim se deixará enredar.

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