Lusa afasta diretor de informação e adjuntos demitem-se

Carlos Narciso / YouTube

Fernando Paula Brito, ex-diretor de informação da agência Lusa

A direção de informação da Lusa demitiu-se, depois de o Conselho de Administração da agência ter decidido afastar o diretor de informação, Fernando Paula Brito, em funções desde 2011.

De acordo com o Expresso, a administração da agência noticiosa escolheu o jornalista Pedro Camacho, ex-diretor da Visão como substituto.

Numa nota à redação da agência de notícias, Fernando Paula Brito explica que o Conselho de Administração da Lusa, através da sua presidente, Teresa Marques, o informou da sua “decisão de realizar uma alteração na estrutura da Lusa que inclui a mudança do diretor de informação”.

Na sequência desta decisão, os diretores adjuntos – Nuno Simas e Ricardo Jorge Pinto, também em funções desde 2011 – apresentaram também a sua demissão “solidariamente”, o que representa a saída de funções de toda a direção de informação.

Na mesma nota, Fernando Paula Brito adianta que se manterá em funções até 04 de outubro.

Também os diretores adjuntos se manterão em funções até 4 de outubro.

“Orgulho-me de ter coordenado o trabalho de uma direção e de uma equipa de jornalistas, e de, juntos, termos feito um trabalho seguindo critérios de isenção, rigor, independência e respeito pelo pluralismo”, refere.

A presidente do Conselho de Administração da Lusa explicou que o afastamento do diretor de informação surge no âmbito da reorganização da agência, que pretende alguém com mais experiência de gestão no cargo, rejeitando qualquer intervenção da tutela.

A presidente do Conselho de Administração da Lusa, Teresa Marques, explicou que o diretor de informação tem hoje que “ter outros requisitos em termos de experiência de gestão e controlo orçamental que antes não eram tão vistos na função de diretor de informação, porque era uma função mais editorial”.

“Procuramos um perfil diferente: obviamente um jornalista, porque a parte editorial continua a ser o core business, um jornalista que seja reconhecido. Como marca que a Lusa é, tem que ser alguém reconhecido no mercado como um grande jornalista e independente”, adiantou Teresa Marques, sobre o nome que será ainda hoje proposto ao conselho de redação da agência e, após parecer deste órgão, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

Em declarações à Lusa, Teresa Marques explicou que esta mudança na direção de informação se insere numa reorganização que está a ser levada a cabo na agência, que implica alterações em várias áreas, com o objetivo de “gerir a empresa de uma forma diferente que tem a ver com o momento”.

Questionada sobre a altura para a mudança, dada a proximidade das eleições legislativas a 04 de outubro, a responsável considerou que este é o melhor momento, uma vez que em outubro tem que começar a ser preparado o orçamento para o próximo ano.

“Esta direção de informação continua em funções até 5 de outubro, porque queremos que toda a gente perceba que não é um movimento político, mas de reorganização interna e de gestão”, declarou, acrescentando que se a mudança fosse em outubro “iam dizer que, mais uma vez, na Lusa se mudam os diretores de informação quando muda o Governo”.

Teresa Marques adiantou ainda que, sendo o nome proposto para a direção de informação exterior à agência, “há recursos dentro da Lusa para fazer parte da equipa do diretor de informação”.

A presidente do Conselho de Administração considerou que o atual diretor de informação “fez um bom trabalho”, sublinhando que se cumpriu a missão com o cliente, o acionista e os trabalhadores.

A nova organização da estrutura da agência entra em vigor hoje, com a autonomização dos serviços comerciais através da criação da Direção Comercial e de Marketing.

Assim, no topo da estrutura da Lusa está o Conselho de Administração, apoiado pelo Gabinete de Planeamento e Controlo de Gestão e o Apoio ao Conselho de Administração, e tem depois quatro direções distintas: Direção de Informação, Direção Comercial e Marketing, Direção Administrativa e Financeira e Direção de Operações e Sistemas.

O organigrama de cada direção será conhecido ainda durante este mês.

/Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. …Também os médicos são administrativos, informáticos e gestores! Um director de informação de uma agência já não é só exclusivamente responsável editorial!

  2. É o lápis azul a a cumprir a sua missão aos mais altos níveis. Por isso se vê que a qualidade da informação é cada vez “melhor”.

    • Em fim de mandato? Lápis azul? Com a Lusa? Só um certo revolucionarismo de “esqª” radical de aviário à antiga ‘novosti’ é que pode estabelecer este tipo de ligações de objectivos inconfessáveis e ao mesmo tempo claros quanto aos propósitos… Usar qualquer “vírgula” para os vermos de dedo em riste “só porque”.
      A informação não tem de soar bem ou mal. Não deve basear-se na treta da separação entre realidade e opinião em que o jornalista é mero mediador, nem estar sujeita a ‘filtros’ (gatekeeper), do mesmo modo que as notícias não devem ser produto calendarizado de um mercado (jornalístico) específico, tal como o jornalismo de instrumentalização, Panfletário, ou jornalismo interpretador de correntes ou jornalismo construtor de “realidades”.
      Os critérios são muitos e o crivo das massas está demasiado exposto às várias linhas editoriais! Ainda que muitos creiam na selectividade porém não as distingem apesar de ser uma realidade que não foi nem é virtual. É o 5º poder nos estados democráticos – Presidente da República, Assembleia, Governo, Tribunais e PRESS. Enquanto os outros se cruzam verticalmente a imprensa além de os cruzar a todos, o seu ‘mercado’ é a generalidade dos leitores afinal Eleitores… Lugar à opinião livre o que é diferente da livre opinião – Ser, pensar, procurar e não apenas estar, obter ou ter

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