Louçã rouba o protagonismo a Marisa Matias e tenta “desviar” votos socialistas

Estela Silva / Lusa

Marisa Matias acusou as autoridades e os poderes públicos em Portugal de terem falhado na preparação da nova vaga da pandemia. No entanto, foi Francisco Louçã quem roubou o protagonismo.

O oitavo dia de campanha de Marisa Matias começou no Porto, na Escola Básica e Secundária do Cerco, para um encontro com seis precárias do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), tendo, no final, sido questionada pelos jornalistas sobre o agravamento da situação pandémica em Portugal, com uma enorme pressão sobre os hospitais e avisos de vários especialistas.

“Houve uma falta de preparação em relação ao que aí vinha e nós já sabíamos – não porque eu tenha capacidades de adivinhar o futuro – mas porque havia muitas análises de muitos especialistas, de muitos peritos em saúde pública e em epidemiologia que nos avisavam já que ainda havia momentos muito difíceis pela frente e um agravamento em vários momentos da pandemia”, lamentou.

Na perspetiva da recandidata presidencial apoiada pelo BE, “as autoridades em Portugal falharam e os poderes públicos falharam na preparação do que estava para vir e na garantia dos apoios para que as pessoas pudessem continuar a cumprir esse isolamento”.

“Eu não acredito em milagres, eu acredito na vontade política e na nossa capacidade de dar resposta às necessidades e acredito na nossa capacidade também, enquanto país, de todos e todas juntos ultrapassarmos estes momentos tão difíceis”, respondeu, quando questionada sobre se a ideia de um “milagre português” na primeira vaga contribuiu para algum relaxamento agora.

Para Marisa Matias, “uma intervenção política permanente exige também medidas permanentes e constantes” que deem condições às pessoas e garantia “de que não vão ficar sem rendimento”.

“É isso que faz uma resposta completa, não é uma obra de milagre. É obra da política e da intervenção política e da intervenção pública”, defendeu.

Francisco Louçã: “Querem mesmo votar em Marcelo?”

Ainda antes de Marisa Matias discursar, o fundador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, roubou o protagonismo. O antigo coordenador nacional do BE disse que em Portugal “quem pode não quer” e “quem precisa não consegue fazer ainda”. Um problema transversal “a toda a gente”, frisou Louçã, mas muito particular “na esquerda”.

O bloquista dirigiu o foco aos socialistas, cujo partido se demitiu destas eleições presidenciais, não apresentando um candidato próprio.

“Queria perguntar aos socialistas, esses que votaram toda a vida, e que hoje olham para os vários candidatos, não se reconhecendo em nenhum: querem mesmo votar em Marcelo?”, perguntou, citado pelo Expresso.

“Quem é que vai resolver o desastre criado pelas contratações da saúde que o Governo não quis fazer até agora? Quem é que vai dizer que o Orçamento do Estado falhou quando não quis a responsabilidade de criar as carreiras, a exclusividade, a dedicação, a intensidade, que merecem esses esses profissionais de saúde que aguentam e salvam Portugal na pandemia? Quem é que vai dizer aos privados e ao Governo que hoje não é tempo para pagar 13 mil euros por cada doente covid? Quem é que lhes vai dizer? É Marcelo ou será Marisa?”, acrescentou.

Da mesma maneira que lançou a pergunta, Francisco Louçã deu a resposta: “É a Marisa que o fará”.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

Daniel Costa Daniel Costa, ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. É tão cómico o Louçã, parece o ‘Ali’! Depois de lhe oferecerem o tacho no Banco de Portugal que aceitou com as duas mãozinhas estendidas, aliás foi para isso que trabalhou enquanto responsável pelo Bloco. Depois de estar bem encostado, entregou o cargo às meninas que sempre fizeram mais que ele, mas, com receio de ver o seu ‘Bloco’ desaparecer” anda a cantar o fado aos socialistas menos renitentes.

  2. Mais uma vez se confirma que os partidos servem para governar a trupe e não os interesses do País.
    Razão tinha o outro que governou sem se governar……

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