Lisboa e Porto lideram aumento de vagas no Superior. Medicina mantém lugares

Bobo Boom / Flickr

Lisboa e Porto lideram no aumento do número de vagas disponíveis para o próximo ano letivo, segundo dados divulgados este sábado, com o Porto a crescer nas engenharias e Lisboa nas competências digitais.

A Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) disponibilizou os dados relativos ao concurso nacional de acesso ao Ensino Superior público de 2020/2021, que aponta para um aumento global de 1% no número de vagas, com a Universidade do Porto e a Universidade Nova de Lisboa a registarem o maior crescimento em termos absolutos.

Segundo a lista de vagas, o Porto vai abrir, no total, 4173 vagas, ganhando 142 novos lugares, a maioria dos quais na Faculdade de Engenharia, que vai poder receber no próximo ano mais 110 alunos, em comparação com o ano anterior.



“O Porto tem muitos casos de cursos com elevada procura por parte de alunos de excelência, mas foi pedido, por falta de capacidade interna, o reforço da Engenharia Eletrónica e das Ciências da Computação, em vez da Arquitetura e Direito”, explicou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, em declarações à Lusa.

Já na Universidade Nova de Lisboa há um reforço no âmbito das competências digitais e das ciências de dados, acrescenta o ministro, com a Faculdade de Ciências e Tecnologias a somar mais 17 vagas e o Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação a disponibilizar mais 14 lugares, em relação ao ano anterior.

Por outro lado, também a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa cresce em número de vagas, passando de 390 para 426, um aumento que estará relacionado com a elevada procura por alunos de excelência.

Vagas também aumentam no Interior

Olhando para os dados referentes ao concurso nacional de acesso ao Ensino Superior público, o ministro destaca também o aumento de vagas nas zonas do interior e nos institutos politécnicos.

Nas regiões com menor pressão demográfica, o aumento é de 2%, em relação ao ano anterior, enquanto o número de vagas disponibilizadas pelas instituições de Ensino Superior politécnico aumenta 1,3%, mais 0,3 pontos percentuais em comparação com as universidades.

Relativamente ao ensino politécnico, o ministro sublinha que o aumento registado traduz uma cada vez maior valorização e modernização destas instituições.

Medicina mantém vagas. Ministro quer mais oferta

A divulgação dos dados da DGES confirma também a decisão já anunciada pelas Universidades de Medicina em manter o mesmo número de vagas, apesar da possibilidade de aumento.

O despacho para o próximo ano letivo, publicado em meados de junho, autorizava as instituições a aumentarem o número de vagas até 15% (até 215 novos lugares) e estabelecia uma obrigação de assegurar, no mínimo, a manutenção dos mesmos lugares.

Entre as nove instituições com cursos de Medicina, só a Universidade dos Açores optou por disponibilizar mais vagas no próximo ano, aumentando de 38 para 44.

Na altura da publicação do despacho, o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) manifestou “a sua discórdia e estupefação” e o “profundo desagrado” pelo facto de ter sido “sistematicamente ignorado” ao longo do processo, cita o jornal Público. A Ordem dos Médicos (OM) também se mostrou contra.

Em declarações ao jornal, vários diretores de Faculdades de Medicina explicaram que não será a formação de mais médicos que irá resolver o problema da falta de profissionais em algumas regiões do país.

Outro dos argumentos é que a capacidade formativa das unidades de saúde está esgotada, o que veio ainda agravar-se com a pandemia, acrescenta o matutino.

Apesar de respeitar a posição das instituições e também a sua autonomia, Manuel Heitor admitiu que esta decisão demonstra que as universidades não querem abrir a oferta e que isso deve ser feito por outras vias.

“Isto é uma mensagem claríssima que a abertura e a diversificação do ensino da Medicina deve ser feita através de novas ofertas por outras instituições, públicas e privadas“, disse o governante, dando o exemplo das Universidades de Aveiro e Évora, que não dispõem deste curso, ou da Universidade Católica Portuguesa, que tem submetido pedidos de acreditação nesse sentido.

52.129 vagas no total

No global, regista-se um aumento de 1% face ao número de vagas disponibilizadas no ano anterior, uma tendência que, segundo Manuel Heitor, acompanha a cada vez maior procura.

“Este ano atingimos, pela primeira vez, metade dos jovens de 20 anos residentes em Portugal a estudar no Ensino Superior. Se isso nos deve orgulhar, também sabemos que não chega e que temos de estudar mais”, sublinhou o ministro.

Este aumento não é transversal, com a formação em competências digitais a passar de 8036 para 8263 vagas (mais 2%), mas, de uma maneira geral, a maioria das Universidades e Politécnicos vai poder receber mais alunos no próximo ano letivo.

Em sentido oposto, estão apenas três instituições: a Universidade dos Açores, o Instituto Politécnico de Lisboa e a Instituto Politécnico de Viseu. Sobre estes casos, Manuel Heitor explica que a definição das vagas respeita a estratégia interna das próprias instituições.

No próximo ano letivo, serão disponibilizadas 52.129 vagas, mais 561 do que no ano anterior, 1523 das quais em cursos de Medicina.

O prazo de candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior público decorre entre 7 e 23 de agosto, mais tarde do que habitualmente, devido à pandemia de covid-19, que obrigou também ao adiamento do calendário de exames nacionais.

ZAP ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. O problema da falta de médicos é gravíssimo e antiquíssimo.
    Este bloqueio à formação de médicos é um dos maiores lobbies que existem e dos que maiores problemas causam em Portugal.
    Há anos (décadas) que este problema se arrasta. Há anos (décadas) que as universidades e alguns médicos dizem que o problema será resolvido rapidamente, pois já estariam em formação mais médicos do que aqueles que seriam precisos a médio prazo. Pelos vistos, há anos (décadas ) que esses estudantes andam a estudar sem conseguir acabar o curso.
    Não compreendo como não abrem mais vagas e mais cursos, tanto mais que medicina é um curso com imensa procura.
    Existem belíssimos alunos que dariam excelentes profissionais e que pura e simplesmente não têm possibilidade de provar as suas capacidades, pois não são admitidos nos cursos de medicina de Portugal (embora muitos sejam admitidos em cursos de medicina em Espanha ou noutro país estrangeiro…). Haver mais vagas não quer dizer que os profissionais saiam com menos preparação. O crivo deve ser aberto à entrada, permitindo um aumento de alunos de medicina, podendo perfeitamente manter-se o crivo da qualidade à saída. Quantos vezes um aluno com média mais elevada à entrada de um curso acaba com média de final de curso mais baixa do que outro aluno que entrou com média mais baixa?
    Que o poder político tenha capacidade para corrigir esta situação, que afeta a população em geral, que sofrer constantemente com a falta de médicos, como afeta muitos estudantes a quem não se dá a oportunidade de provarem que poderiam tornar-se excelentes alunos de medicina e excelentes profissionais.

    • Não estou totalmente de acordo com o seu desacordo em não ver aumentadas as vagas para o 1º ano de medicina e para iso coloco uma questão: Há imensos médicos que não se conseguem especializar por falta de vagas; se aumentar as vagas para o 1º ano, daqui a uns anos o número de supranumerários para a especialização ainda se tornará mais gravoso! Porque não libertar a entrada de novos alunos e aumentar o nº de vagas para a especialização? Refira-se que eu sou engenheiro e com poucos conhecimentos da classe médica.

      • Porque não limitar a entrada de novos alunos para o 1º ano de medicina e, antes aumentar o nº de vagas para a especialização? Assim, não se criaria uma expectativa aos recém chegados alunos que, no futuro é frequentemente gorada. Será que tenho razão? O Sr. ministro e restantes entidades do ensino superior em medicina pensem nesta minha humilde sugestão.

  2. Parece-me claro que quem quer ceder a Lobbis é precisamente o Ministro. Concordo quando se diz que existem alunos com médias mais baixas que dariam excelentes médicos, mas discordo completamente que se abram vagas para que depois de terminarem o curso não terem acesso à especialidade, como acontece atualmente. Um médico sem especialidade é um médico que não completa a sua formação. A maioria das pessoas ainda pensa que um médico que sai da faculdade está pronto para exercer e isso não é verdade. Muito me admira que um ministro não tenha a capacidade de ver isso, demonstrando total desconhecimento da formação em medicina. Abram vagas na formação especializada, obrigando os privados a aceitar médicos para fazer especialidade e não vai haverá falta de médicos. Atualmente os hospitais privados apenas beneficiam do esforço de todos os contribuintes, uma vez que não tem qualquer responsabilidade na sua formação e apenas os contratam depois de formados/ especializados sem terem nenhum custo na sua formação.

  3. Alguém sabe se o número de vagas para ladrão de colarinho branco aumentou? E quais os cursos e universidades que recomendam nesta área? Obrigado

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