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A Linha 12, que desabou no México, tem um longo histórico de problemas

Carlos Ramirez / EPA

Na segunda-feira, na Cidade do México, uma ponte do metropolitano de superfície ruiu à passagem de uma composição. A Linha 12 do metro, onde ocorreu o acidente, tem um longo histórico de problemas desde que foi inaugurada, em 2012.

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O acidente na Linha 12 do metro da Cidade do México é o culminar de uma história de falhas que marcou a obra da infraestrutura desde o seu início. Este trecho, também conhecido como Linha Dourada, custou cerca de 1,2 mil milhões de dólares e tem uma extensão de 24,5 quilómetros, unindo o oeste com o leste da capital.

De acordo com a Vice, apenas 17 meses desde a sua inauguração, a parte elevada da linha foi paralisada durante 20 meses para serem feitos reparos na infraestrutura. A principal construtora mexicana, a ICA, revelou que as especificações do projeto foram alteradas a meio da construção.

A AFP avança também que, desde o início das operações, foram detetados desgastes nos carris e nas rodas dos veículos ferroviários, motivo que levou o governo da capital, já encabeçado por Miguel Ángel Mancera, a suspender o serviço em 12 estações em março de 2014.

Nesse ano, um estudo feito pela empresa Systra concluiu que havia problemas no projeto, na operação e na própria manutenção da linha. Um ano depois, Marcelo Ebrard, líder do governo da capital quando a linha foi inaugurada, foi isentado das falhas.

Ebrard é, atualmente, apontado como um potencial candidato para suceder o Presidente Andrés Manoel Lopez Obrador em 2024. Depois do acidente de segunda-feira, o responsável disse estar à disposição das autoridades para colaborar nas investigações.

A atual presidente da Câmara da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, já tinha anunciado que vai solicitar uma peritagem internacional para averiguar as causas do trágico acidente.

“A minha posição é que devemos chegar às causas deste lamentável incidente e para isso necessitamos de peritos, quer da procuradoria geral de justiça, quer de uma entidade externa e imparcial que faça a peritagem e todos os estudos”, disse.

Em 2017, mais precisamente no dia 19 de setembro, o problemas da Liinha 12 agravaram com o terramoto de magnitude 7.1, que abalou principalmente a capital. O sismo fez 370 mortos e mais de 7 mil feridos, além de ter aumentado as fendas no subsolo, exigindo manutenção adicional.

Em 2018, o diretor do metropolitano, Jorge Gaviño Ambriz, anunciou que os reparos dos danos causados ​​pelo terramoto na Linha 12 tinham sido concluídos. Florencia Serrania, nomeada diretora-geral nesse ano, disse que a infraestrutura da linha foi inspecionada pela última vez em janeiro de 2020 “e não mostrou nenhuma anomalia na altura”.

Contudo, Fernando Espini, líder do sindicato dos trabalhadores do metro, disse esta terça-feira à emissora local Milenio que engenheiros já tinham comunicado problemas em diversas ocasiões.

Pode ter sido descuido, que não deram importância”, acrescentou, lembrando que, ao contrário de outras linhas, a 12 recebe manutenção de uma empresa terceirizada.

A Câmara Municipal assegurou, no entanto, que “todos os dias é realizado um processo de manutenção na Linha 12 em diferentes pontos”.

  Liliana Malainho, ZAP //

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