Liga e 5 Estrelas chegam a acordo para formar Governo em Itália

Alessandro di Meo / EPA

Luigi di Maio, líder do Movimento 5 estrelas

A liga Norte, força de extrema-direita, e o Movimento 5 Estrelas, partido anti-sistema, chegaram a acordo para formar um Governo de coligação em Itália.

Os líderes do Movimento 5 Estrelas e da Liga anunciaram, esta quinta-feira, que foram reunidas “todas as condições” para formar um Governo de unidade nacional. “Foram reunidas todas as condições para um Governo político M5S/Liga”, anunciaram os líderes Luigi di Maio e Matteo Salvini, num comunicado divulgado pelo M5S.

Luigi Di Maio, líder do M5S, defendeu, na quarta-feira, que fosse escolhido outro nome para ministro da Economia, depois de o chefe de Estado ter vetado a escolha inicial.

Sergio Mattarella vetou Paolo Savona para o ministério da Economia de um Governo de coligação, devido às suas posições eurocéticas. Na segunda-feira, Mattarella deu a responsabilidade a Carlo Cottarelli de procurar constituir um Governo neutral de tenocratas para conduzir o país para eleições antecipadas, escreve o Jornal de Notícias.

Contudo, esta quinta-feira, Mattarela convocou novamente Giuseppe Conte, um jurista sem experiência política proposto pelo Movimento 5 Estrelas e pela Liga para formar Governo. Perante este anúncio, Cottarelli recuou, renunciando ao cargo.

Já não é necessário formar um governo de tecnocratas“, disse o antigo diretor do FMI aos jornalistas, citado pelo Jornal de Notícias, depois de se ter encontrado com o Presidente da República para renunciar, formalmente, ao cargo.

Sergio Matarella recebeu Giuseppe Conte no Palácio do Quirinal pelas 21 horas locais (20 horas em Lisboa), para, provavelmente, o encarregar de formar um novo Governo, depois de o Movimento 5 Estrelas e a Liga terem chegado a acordo.

Giuseppe Conte foi indigitado primeiro-ministro a 23 de maio. Quatro dias depois, demitiu-se do cargo por não ter conseguido formar Governo.

O novo Governo

Giuseppe Conte foi de novo encarregado de formar Governo em Itália e o executivo anunciado conta com os chefes dos dois principais partidos como vice-primeiros-ministros, sendo que Di Maio acumula o cargo com o Desenvolvimento e Matteu Salvini com a Administração Interna.

A composição do novo Governo dita que Paolo Savona ficará com a pasta dos Assuntos Europeus, enquanto o Ministério da Economia e Finanças fica com Giuseppe Tria, professor de economia política e favorável à manutenção de Itália no euro. O europeísta Enzo Moavero Milanesi será o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Do Governo sobressai a criação de uma nova pasta, que resulta do pacto entre o M5S e a Liga e da insistência do Movimento em criar um ministério para se poder ocupar dos temas em que mais insistiu na campanha. Di Maio sempre insistiu em questões como o trabalho precário, a pobreza, as mulheres ou o emprego jovem.

No pacto assinado entre os dois partidos, na realidade um Programa de Governo, o capítulo do trabalho está pouco desenvolvido, falando-se em acabar com a precariedade, mas sem se apresentar soluções. O M5S propõe uma espécie de rendimento mínimo de inserção, um subsídio para pessoas com dificuldades económicas fixado em 780 euros mensais durante o máximo de dois anos.

Também como ministro do Trabalho, Di Maio vai ocupar-se de outra promessa de campanha, abolir a lei que preconiza o aumento progressivo da idade da reforma.

Já o líder da Liga, vice-primeiro-ministro e ministro da Administração Interna, disse esta noite que “mandar para casa” os imigrantes será a sua prioridade. Uma promessa num comício, já depois de o Presidente da República de Itália ter aprovado o Governo de Giuseppe Conte.

Ao todo, o Governo de Itália tem 18 ministros, metade para cada partido e com cinco mulheres – uma na Defesa, outra na Saúde, outra na Administração Pública, outra nos Assuntos Regionais e Autonomias, e a última como ministra do Sul.

ZAP // Lusa

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