Kremlin estará a preparar um “terceiro batalhão” para capturar Severodonetsk em dois dias

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Atef Safadi / EPA

Zelenskyy garante que a Rússia queria controlar o Leste nos primeiros dias de guerra mas, 108 dias depois, ainda não o conseguiu fazer.

A Rússia tem sido capaz de “tomar gradualmente a cidade de Severodonetsk e os seus arredores”, de acordo com as autoridades ucranianas e com o Ministério da Defesa do Reino Unido.

O ministério britânico acrescenta ainda que o Kremlin vai enviar um “terceiro batalhão” para acelerar o processo e o concluir nos próximos dias.

“A maioria das brigadas só envia dois dos seus três batalhões de cada vez para as operações e estes terceiros batalhões não estão, normalmente, totalmente equipados”, fazendo com que a Rússia “dependa, provavelmente, de novos recrutas ou da mobilização de soldados na reserva para enviar esta unidade para a Ucrânia”, sublinhou o Governo do Reino Unido.

O executivo britânico apontou também para outro aspeto negativo desta estratégia: “a redução da capacidade destes batalhões de, a longo prazo, regenerarem o poder de combate depois das operações”.

No entanto, segundo concluem os governos ucranianos com o ataque realizado este sábado à fábrica química de Azot, em Severodonetsk, a Rússia está mais preocupada com o curto prazo e o domínio da região.

Um bombardeamento russo atingiu a fábrica de produtos químicos, na zona leste de Severodonetsk, provocando um incêndio de larga escala.

As autoridades ucranianas informaram que havia cerca de 800 civis abrigados na fábrica e, desde a primeira explosão, o local está “sob forte bombardeamento há horas”. Ainda não se sabe o número de vítimas.

Esta é a segunda vez que uma fábrica representa o último ponto de resistência ucraniano, depois de Azovstal, em Mariupol.

O embaixador russo na autoproclamada República Popular de Lugansk, Rodion Miroshnik, anunciou este sábado que “os civis começaram a deixar Azot” e que as autoridades ucranianas “estavam a tentar fazer exigências”, incluindo a criação de um corredor humanitário para que os civis saíssem da fábrica com os “reféns”.

As negociações e a saída dos civis acabaram por ser bloqueadas pelos bombardeamentos russos e pelo incêndio, segundo o Público.

A segunda ponte que liga a região da cidade Lysychansk, na região de Lugansk, foi outro ponto estratégico atacado pelos russos este sábado, segundo revelou o governador regional, Serhii Gaidai.

O governador acrescentou que as forças russas estavam a bombardear um terceiro e último ponto de acesso. Os ataques à região já tinham destruído, em maio, a ponte Pavlograd, que ligava as duas localidades.

Agora, a ponte que liga a cidade de Sievierodonetsk a Lysychansk foi vítima de um bombardeamento levado a cabo pelas forças russas. Segundo as autoridades locais, caso a ponte desmorone, deixa de haver uma rota de evacuação de civis.

Se depois de um novo bombardeamento a ponte desmoronar, a cidade ficará cortada, deixando de existir forma de abandonar Sievierodonetsk or veículo, sublinha Gaidai.

As forças russas “querem cortar completamente a possibilidade de retirar pessoas ou de trazer munições e reforços para Severodonetsk“, concluiu Gaidai, realçando que os próximos dois dias na frente de combate iam ser decisivos.

Vladimir Putin sublinhou a importância da união do povo russo este domingo, referindo-se à operação militar na Ucrânia. Exaltou a figura de Pedro, o Grande, por ter criado um exército e uma marinha “poderosos e invencíveis”.

O Presidente russo discursou na cerimónia de entrega de prémios no Kremlin, que marcava o Dia da Rússia, apelando ao patriotismo.

Putin afirmou que os russos “se orgulham das conquistas e vitórias militares dos seus ancestrais, de todos aqueles que ambicionaram e souberam progredir, descobrir coisas novas, alcançar o desenvolvimento progressivo da pátria, defendê-la nas batalhas e afirmar o seu papel digno no mundo“.

Por sua vez, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, manifestou, este domingo, “total apoio” ao Presidente Vladimir Putin por ocasião do Dia da Rússia.

Sob a liderança de Putin, a Rússia “conseguiu ousadamente ultrapassar todo o tipo de desafios e dificuldades” enfrentados “na realização da justa causa da defesa da dignidade, da segurança e do direito ao desenvolvimento”, afirmou Jong-un.

O líder norte-coreano reafirmou “a amizade entre os dois países”, que “tem sido transmitida através de uma longa história”, mostrando ainda vontade de “expandir e desenvolver” essa relação “de acordo com as exigências da nova era e as aspirações dos dois povos”. Jong-un não mencionou a guerra na Ucrânia.

Rússia acusada de crimes de guerra em Kharkiv

A Amnistia Internacional acusou a Rússia de crimes de guerra. Estão em causa os ataques em Kharkiv, que mataram dezenas de civis com bombas de fragmentação, que são proibidas pela lei internacional, segundo noticia o Observador.

“Os repetidos bombardeamentos em bairros residenciais em Kharkiv são ataques indiscriminados que mataram e feriram centenas de civis e, como tal, constituem crimes de guerra”, lê-se no relatório, publicado esta segunda-feira pela organização não governamental focada nos direitos humanos.

“Isto aplica-se tanto para os ataques realizados com munições, como para aqueles realizados com outro tipo de foguetes e projéteis de artilharia não guiados”, continua.

A ONG sublinha que “o uso continuado de tais armas explosivas imprecisas em zonas povoadas por civis, sabendo que estão a causar, repetidamente, um grande número de baixas civis, pode até chegar a direcionar ataques contra a população civil“.

A Amnistia Internacional garante ter descoberto provas do uso continuado destas armas por parte das forças russas em Kharkiv — bombas de fragmentação 9N210 e 9N235 e minas terrestres espalhadas, todas proibidas por convenções internacionais.

As primeiras libertam dezenas de pequenas bombas ou granadas no ar, espalhando-as em centenas de metros quadrados. Já as minas terrestres juntam “os piores atributos possíveis de munições cluster e de minas antipessoais”.

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