Juventus sob suspeita. Transferência de Ronaldo investigada (e procura-se uma “carta” misteriosa)

Marco Bertorello / AFP

A transferência de Cristiano Ronaldo da Juventus para o Manchester United é uma de várias operações com jogadores que está a ser investigada no clube italiano. Em causa estão suspeitas da existência de um eventual esquema financeiro de mais-valias falsas.

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A Juventus está a ser investigada no âmbito da chamada Operação Prisma que levou a buscas nas instalações do clube na semana passada.

O Ministério Público (MP) de Turim, cidade que acolhe o clube da Série A, revelou, na altura, que estava a ser analisada a suspeita de que os dirigentes da Juventus passaram falsas informações aos investidores e de que emitiram facturas por transacções nunca realizadas.

Um dos processos que estará a ser investigado respeita à transferência de Cristiano Ronaldo para o Manchester United, em Agosto passado.

O clube italiano anunciou um acordo de 23 milhões de euros com o Manchester United, 8 milhões dos quais estão condicionados ao cumprimento de certos objectivos por parte de Ronaldo na Premier League.

Em busca da “famosa carta” de Ronaldo

Entre os vários documentos que os investigadores estão a analisar, bem como as cópias forenses dos conteúdos de computadores e discos rígidos que foram apreendidos nas buscas, procura-se a “famosa carta” de Cristiano Ronaldo, como nota o Corriere della Sera.

O jornal italiano repara que esta suposta carta “teoricamente não deveria existir” e, até agora, não foi encontrada entre os documentos apreendidos.

Mas as escutas telefónicas feitas no âmbito da investigação captaram conversas entre o director desportivo Federico Cherubini e o responsável de um gabinete de advogados, Cesare Gabasio, a falar dessa tal “carta”.

A dúvida, agora, é se esse tal documento respeitará a um eventual acordo por baixo da mesa que não entrou nas contas da Juventus.

A Gazetta dello Sport admite que o empresário de Ronaldo, Jorge Mendes, pode ser chamado para testemunhar depois do Natal.

Negócios da equipa sub-23 também investigados

As suspeitas em torno da Juventus prendem-se com transferências realizadas entre 2019 e 2021, de acordo com a imprensa italiana.

Além do negócio de Ronaldo e de outros, os olhares dos investigadores estarão também concentrados na equipa de sub-23 do clube, semelhante às equipas B de outros países.

O Corriere della Sera repara que o MP de Turim suspeita que os sub-23 foram usados, basicamente, para “lucrar”.

O processo refere a existência de “numerosas operações de venda de jogadores jovens com valores significativos e fora do habitual, em comparação com jogadores do mesmo nível e categoria”, aponta o referido jornal.

Na temporada 2019/2020, os sub-23 da Juventus foram negociados por “um valor superior à soma das demais 59 equipas da Série C“, destaca ainda o diário.

A publicação cita, por exemplo, os casos de Matheus Pereira da Silva que rumou ao Barcelona por 8 milhões de euros, com uma mais-valia de 6,82 milhões, de Pablo Moreno Taboada que foi para o Manchester City por 10 milhões, com “um efeito económico positivo” nas contas da Juventus de 7,6 milhões, e de Franco Daryl Tongya Heubang que se mudou para o Olympique de Marselha por 8 milhões.

Mas também houve alguns jogadores que saíram da Série C italiana para a Série B da Roménia, como destaca o Corriere della Sera.

O director desportivo da Juventus sub-23, Giovanni Manna, foi ouvido durante mais de três horas pelos investigadores, mas não estará entre os suspeitos, tendo sido “ouvido como uma pessoa informada dos factos”, nota o Corriere dello Sport.

Os principais suspeitos do processo serão o presidente Andrea Agnelli, o vice-presidente Pavel Nedved, o ex-director desportivo Fabio Paratici, agora no Tottenham, e o empresário Stefano Cerrato, como nota o Corriere della Sera.

A Juventus anunciou que está a colaborar com as autoridades.

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  Susana Valente, ZAP //

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