“Já passei do prazo”. Legislativas são as últimas eleições de Marinho e Pinto

RTP / Flickr

Ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, eleito eurodeputado pelo MPT

O presidente do Partido Democrático Republicano (PDR), Marinho e Pinto, revelou esta quinta-feira que as legislativas de outubro serão as suas últimas eleições, decisão que mantém seja qual for o resultado obtido pelo partido.

“É a última vez que concorro a qualquer coisa, já passei do prazo, estou fora”, disse, em entrevista à revista Visão, dando conta que a sua quarta eleição será também a sua última.

“Se não for eleito, é a ultima vez que concorro a uma eleição (…) Se for eleito também é a última vez, porque não me candidato seja ao que for daqui a quatro anos”, acrescentou o advogado e ex-bastonário da Ordem, apontando a sua idade, bem como o estado da política no país como principais motivos para este afastamento

“Já tenho quase 70 anos, há muito que devia ter deixado a política”, aponta, antes de deixar duras críticas à política portuguesa. “Só temos uma estratégia e uma tática: apontar o que está mal num país em que não há espaço para a cidadania, onde ninguém pode ser candidato se não for por um dos partidos [tradicionais]”, lamenta.

“A vida política transformou-se numa coisa degradante (…) Lutei quando era difícil, mas se soubesse que era para isto não o teria feito. A política atrai os piores”, disse à revista.

Marinho e Pinto insiste na ideia de que Portugal “não tem mudança”, antevendo que Portugal pode mesmo vir a ter um ditador impulsionado por eleitores desiludidos. “Acreditei que era possível mudar as coisas pela vida democrática, mas já percebi que não. O país não tem mudança (…) Há de vir aí um ditador”, afirma, elencando alguns exemplos.

“Trump, Bolsonaro, Orban, Salvini, o Vox aqui ao lado, a [Marine] le Pen, em França – nada disso são epifenómenos, é o resultado de opções de eleitores desiludidos com a democracia (…) O sistema democrático em Portugal perdeu a superioridade moral que tinha em relação à ditadura”, vaticina.

Críticas aos políticos e aos média

Na mesma entrevista, publicada esta quinta-feira na edição da Visão, Marinho e Pinto estende as críticas aos políticos, traçando um cenário que diz estar cada vez pior.

“Isto está cada vez pior, cobram-se mais impostos, as clientelas são cada vez mais vorazes, há políticos que o são desde os 14 anos e que, provavelmente, não sabem o que é pagar o próprio telemóvel porque o partido sempre assumiu esse custo, não sabem o que é pagar um almoço porque sempre usaram o cartão do Estado, e a comunicação social foi corrompida de alto a baixo”, critica.

Tal como recorda a revista, o cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Porto nas legislativas de outubro, pelas listas do PDR, que fundou depois de romper com o MPT, anuncia a sua saída da vida política cinco anos depois de ter regressado.

Em 2014, recorde-se, foi eleito para o Parlamento Europeu nas primeiras eleições que disputou, que foram também as únicas que venceu.

Marinho e Pinto ainda tentou conquistar um lugar na Assembleia da República, mas ficou a 14 mil votos do PAN e falhou o objetivo.

ZAP ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Aqui está um homem que não faz qualquer falta ao país. Por mim estarias reformado ainda antes de teres começado. Um conselho amigo: não escolhas Lisboa para viver a reforma. Bem sabes que não dá com 5 mil euros.

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