Itália: Da crise pandémica à crise política. Conte tem agora o voto de confiança dos deputados

Presidenza della Repubblica / Wikimedia

Giuseppe Conte, primeiro-ministro de Itália

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, obteve ontem a confiança dos deputados para se manter no governo, depois da demissão de duas ministras do partido Itália Viva (IV) ter aberto uma crise política, deixando o governante sem maioria no Senado.

No total, 321 deputados dos 316 necessários para obter a maioria apoiaram o executivo de Conte, mais concretamente os do Movimento 5 Estrelas (M5E/antissistema), do Partido Democrático (PD/social-democrata), do partido de esquerda Livres e Iguais e do grupo misto.

Na votação abstiveram-se 27 deputados, na sua maioria do partido liberal Itália Viva, e 259 dos partidos de direita Liga, Irmãos de Itália e Força Itália votaram contra.

Entre os votos a favor encontra-se o da deputada Reneta Polverini, da Força Itália, que, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE, revelou ter sido “um ato de responsabilidade”, depois da sessão parlamentar, distanciando-se da linha do seu partido.

O voto de confiança dos deputados surge depois de Matteo Renzi ter aberto uma crise política, após semanas de críticas ao governo de Conte, estando a aguardar agora pela votação de terça-feira no Senado.

No dia 13 de janeiro, duas ministras italianas apresentaram a demissão e abriram uma crise política, dado que ambas pertencem ao partido Itália Viva (IV), integrado na coligação governamental, deixando o primeiro-ministro Giuseppe Conte sem a maioria no Senado.

Numa conferência de imprensa, o presidente do IV, o antigo primeiro-ministro Matteo Renzi anunciou a demissão das ministras da Agricultura, Teresa Bellanova, e da Família, Elena Bonetti.

Renzi tem criticado a gestão, que considera “solitária”, da pandemia e discorda do plano idealizado pelo primeiro-ministro para absorver e aplicar os mais de 200 mil milhões de euros que a União Europeia (UE) deverá disponibilizar em breve no quadro do relançamento económico e do combate à crise sanitária.

A discórdia levou o Governo de Conte a aprovar na passada terça-feira, em Conselho de Ministros, uma nova versão do plano, em que as duas ministras do Itália Viva se abstiveram.

Sem os 18 senadores da Itália Viva, Conte precisará de novos apoios no Senado, na câmara baixa a sua maioria é suficiente. Uma outra hipótese seria um novo governo de Conte. O primeiro-ministro poderia demitir-se e obter um novo mandato do Presidente Sergio Mattarella para uma equipa renovada.

Esta não é a primeira incursão de Renzi num tentativa de derrubar o Governo italiano. O político tornou-se primeiro-ministro em 2014 ao depôr o então colega do Partido Democrata Enrico Letta como líder da Itália. Renzi caiu do poder quase três anos depois, após perder muita da sua popularidade num referendo constitucional que acabou por ser um fracasso.

Atualmente, Itália é a terceira economia da zona euro e o primeiro país europeu a ser atingido duramente pela epidemia, enfrentando a sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma crise governamental poderá ainda dificultar a aprovação de um novo plano de ajudas públicas de vários milhares de milhões de euros para apoiar os setores mais afetados pelos confinamentos para travar a progressão do novo coronavírus.

Os italianos têm demonstrado pouca paciência para lutas políticas internas, quando a prioridade do país é controlar a pandemia e distribuir as vacinas. Numa nova pesquisa, 42% dos italianos admitiram não entender o que provocou as últimas divisões do governo.

  ZAP // Lusa

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