Afinal, Israel autoriza entrada de uma congressista dos EUA (mas só para visitar a avó)

Jim Lo Scalzo / EPA

Israel anunciou na quinta-feira ter proibido a visita de Tlaib e de uma outra congressista democrata, Ilhan Omar, devido ao seu apoio ao movimento de boicote internacional ao Estado hebreu e após um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Mas o ministro Arié Dery decidiu esta sexta-feira autorizar a entrada de Tlaib “para uma visita humanitária à sua avó”. Tlaib também “prometeu não promover a causa do boicote contra Israel durante a sua estadia”, segundo um comunicado do ministro.

Rashida Tlaib é a primeira eleita para o Congresso norte-americano de origem palestiniana. O território israelita é a porta de entrada para os territórios palestinianos.

O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), promovido por palestinianos, apela para um boicote económico, cultural e científico de Israel em protesto contra a ocupação dos territórios palestinianos. Em 2017, Israel aprovou uma lei para proibir a entrada no seu território de militantes do BDS, que denuncia como antissemita, acusação refutada pelos defensores do movimento de boicote.

Na noite de quinta-feira para esta sexta-feira, Rashida Tlaib escreveu às autoridades israelitas pedindo autorização para visitar a sua família e mais concretamente a sua avó, que vive na aldeia de Beit Ur al-Fauqa, perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

“Poderá ser a minha última oportunidade de a visitar”, assinalou a congressista norte-americana na carta divulgada na internet. “Comprometo-me a respeitar todas as restrições e a não promover o boicote de Israel durante a minha visita”, adianta.

Ilham Omar e Rashida Tlaib são as duas primeiras muçulmanas eleitas para a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos, e pertencem à ala esquerda do Partido Democrata. As visitas de delegações de representantes e senadores dos Estados Unidos a Israel são frequentes e a decisão de proibir a sua visita não tem precedente, segundo a agência Associated Press.

Donald Trump tinha afirmado pouco antes da primeira proibição que “Israel daria mostras de grande fraqueza se permitisse a visita” de Omar e Tlaib. “[As congressistas] odeiam Israel e todos os judeus e não há nada que se possa dizer ou fazer para mudarem de ideias”, escreveu Trump no Twitter.

O jornal Público frisa que esta decisão surge depois de o Presidente dos Estados Unidos fazer a publicação no Twitter, pressionando assim o Governo de Israel.

No mês passado, recorda a agência Reuters citada pelo mesmo diário, o embaixador norte-americano em Israel, Ron Dermer, tinha dito que Omar e Tlaib poderiam entrar no país como demonstração de respeito pelo seu estatuto como congressistas.

Nos últimos meses, Tlaib e Omar têm sido alvo de repetidos ataques de Donald Trump, incluindo uma série de tweets em que disse que as congressistas deviam “voltar para o lugar de onde vieram”, comentários que foram condenados como racistas numa resolução aprovada pela Câmara dos Representantes.

Ilham Omar nasceu na Somália e emigrou com a família para os Estados Unidos aos 10 anos e Rashida Tlaib nasceu nos Estados Unidos, filha de imigrantes palestinianos.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O verdadeiro problema desta menina é ser uma vítima do ódio, aquele com que os árabes atacaram Israel na intenção de os eliminar de vez, o tiro saiu-lhes pela culatra e hoje estão a ser vítimas disso mesmo.

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