Falta de diálogo e doentes a entupir urgências. Inverno está quase a bater à porta (e já assusta os hospitais)

Giuseppe Lami / EPA

O inverno está quase a bater à porta e há problemas estruturais a assustar os hospitais do país, entre os quais a falta de diálogo com o SNS24 e os centros de saúde.

Os hospitais nacionais estão já a preparar-se para o inverno tenso que se avizinha. É o caso do Hospital de São João, no Porto, que terá um serviço de urgência, no final de outubro, munido com o dobro da dimensão e das boxes de separação de doentes. Também o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho terá, na mesma altura, um novo serviço de urgência com todas as valências que uma pandemia exige.

No entanto, avança o Expresso, há mudanças estruturais necessárias extrínsecas e os hospitais apelam ao poder central para uma melhor articulação com as entidades que referenciam doentes para as urgências – o INEM, os cuidados de saúde primários e o SNS24.

“Tem de haver um diálogo profícuo entre estas entidades e devo dizer que ele não existe. A rede hospitalar não consegue falar com o SNS24, não temos um interlocutor”, denunciou Nelson Pereira, coordenador da equipa de urgência covid-19 do São João.

As admissões são feitas a partir de um sistema informático que informa os hospitais das entradas, “só que diariamente encontramos disfunções de vários níveis, sejam doentes que vêm e que não precisavam do nosso nível de cuidados, ou que não são dos nossos centros de saúde”, acrescentou o responsável.

A juntar-se a este problema há ainda a falta de coordenação entre as urgências hospitalares e os cuidados de saúde primários, uma vez que vários doentes “que tentam chegar aos cuidados de saúde primários batem com o nariz na porta e não têm outra escolha que não seja a de vir ao serviço de urgência”.

O semanário adianta que já houve várias tentativas para resolver este problema, entre as quais o plano experimental de reencaminhar os pacientes para uma consulta, com hora marcada, no prazo de 24 horas, no seu centro de saúde. A experiência começou no Hospital de Barcelos.

“Sabemos que está a haver uma iniciativa legislativa no sentido de generalizar este processo ao todo nacional e é uma mais-valia, mas infelizmente não tem tido o sucesso que nós gostaríamos”, admitiu Nelson Pereira ao Expresso, adiantando que mais de 95% dos doentes não aceitam serem atendidos num centro de saúde.

Rui Guimarães, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Eduardo Santos Silva, em Vila Nova de Gaia, revelou que, quando implementou pela primeira vez a medida em Barcelos, “se este número não foi 95% há-de ter andado lá perto”. No entanto, a experiência, com o tempo, revelou-se frutífera.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. (e já assusta os hospitais) e possíveis doentes também, para além certamente dos profissionais de saúde que têm que estar na linha da frente, tudo será resolvido como habitualmente, empurrar de uns para outros e promessas jamais cumpridas sem soluções à vista.

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