“Pior que os comunistas”. Iniciativa Liberal arrasado após arraial de Santo António

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Manuel De Almeida / Lusa

O presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, no Arraial dos Santos Populares, em Lisboa

O arraial de Santo António organizado pelo partido Iniciativa Liberal (IL), em Lisboa, levantou uma onda de críticas. Há quem fale em “tolice completa” e Rui Rio diz que ainda foi “pior que os comunistas”, lembrando a Festa do Avante e a forma como o IL criticou a realização do evento do PCP.

“Como é possível a IL ter criticado o PCP e agora ainda fazer pior do que os comunistas?” A pergunta é do líder do PSD, Rui Rio, que critica o arraial organizado pelo Iniciativa Liberal em Lisboa.

O evento realizou-se mesmo contra um parecer da Direcção Geral de Saúde (DGS) e depois de a Câmara da capital ter cancelado as festas dos Santos Populares por causa da pandemia.

“Para vencermos a covid-19 temos de ter todos respeito pelos outros e sentido da responsabilidade”, aponta ainda Rio sobre o arraial do IL.

“Assim, não! A arrogância não é arma contra a pandemia, nem a favor da recuperação económica”, critica, por fim, o líder do PSD numa publicação no Twitter.

O IL anunciou o evento organizado na tarde de sábado, no âmbito do Santo António, como um “arraial comício”.

Nos dias que antecederam a iniciativa, João Cotrim de Figueiredo, o deputado único do IL no Parlamento, tratou de realçar no Twitter que os “eventos políticos não precisam de autorização da Câmara”. “O PS acha-se dono da cidade. Não o é“, vincou ainda.

Esta posição choca claramente com as declarações que Cotrim de Figueiredo fez aquando da Festa do Avante. Nessa altura, o líder do IL frisava o cancelamento de “centenas de eventos culturais”, sublinhando que a realização do evento político do PCP dava “a entender que os partidos políticos têm prerrogativas que outras instituições ou cidadãos não têm”.

Em Agosto de 2020, Cotrim de Figueiredo alegou num requerimento entregue no Parlamento, no âmbito da contestação ao Avante, que havia “dois pesos e duas medidas em matéria de grandes eventos”, apontando que a iniciativa comunista colocava em causa “os sacrifícios dos últimos meses”.

“Pessoas que andam em festas levam para casa o vírus”

Porém, o IL terá mudado de ideias e avançou com o seu “arraial comício” apesar de, num parecer, o Delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Carlos da Silva, se mostrar “desfavorável relativamente a todas as actividades que extravasem o referido comício político”.

Esse parecer nota que “atendendo ao princípio de precaução em saúde pública, e pela situação epidemiológica actual na cidade de Lisboa“, o arraial não se deveria realizar.

A directora de Infecciologia do Hospital Fernando da Fonseca em Lisboa, Patrícia Pacheco, nota que o arraial do IL passou “a mensagem errada” numa altura em que a capital está numa situação de tendência crescente de casos de covid-19.

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“Só por desconhecimento do que realmente se está a passar é que as pessoas podem ter este tipo de atitude”, salienta em declarações à SIC Notícias.

“As pessoas que andam em festas normalmente levam para casa o vírus”, sublinha, frisando que depois são os “pais e avós” que são internados com a infecção.

Contra a DGS e contra as regras da Câmara de Lisboa, o arraial do IL lá se realizou, juntando mais de mil pessoas.

“Foi preciso mostrar a Medina que é possível organizar eventos com segurança no cumprimento das normas e dar uma luz de esperança aos comerciantes locais“, aponta o Iniciativa Liberal numa publicação no Twitter, onde partilha imagens da SIC do arraial.

A SIC ouviu comerciantes que mostram a sua satisfação com o arraial por terem vendido “200 quilos de bifanas”, o que “foi óptimo”.

https://twitter.com/LiberalPT/status/1404026442745356288

Nas redes sociais, há algumas imagens que terão sido feitas no arraial e onde aparecem várias pessoas concentradas, muitas a dançar juntas, e sem usarem máscaras.

Porém, João Gomes do IL assegura que “toda a gente se comportou bastante bem durante todo o evento” e que “houve muita responsabilidade por parte dos participantes”.

Mayan diz que “era lá que todos devíamos estar”

O candidato do IL à Presidência da República, Tiago Mayan, reforça que o arraial foi “algo que só foi excepcional porque ainda há um longo caminho de liberdade a fazer em Portugal”.

“Só lá não estive presente por compromissos anteriores, mas não tenho dúvidas nenhumas: era lá que todos devíamos estar“, aponta no Twitter.

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Em sentido contrário, chovem críticas à iniciativa do IL com o comentador da Rádio Renascença, Henrique Monteiro, a falar de “um caso de tolice completa”.

“Criticaram muito as iniciativas e prerrogativas que os políticos tinham e os cidadãos não tinham e depois acabam por fazer o mesmo e pior, porque a CGTP [nas celebrações do Primeiro de Maio] teve cuidados com os distanciamentos e ao que parece neste arraial não houve cuidado nenhum”, destaca ainda.

Durante o arraial do IL, houve um jogo de tiro ao alvo com caras de várias figuras políticas nacionais, designadamente António Costa, Rui Rio, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, mas também Pedro Nuno Santos, Eduardo Cabrita, Augusto Santos Silva e Fernando Medina.

https://twitter.com/jafundo/status/1403815407945981954

Este tiro ao alvo “parece muito de extrema-direita ou extrema-esquerda“, nota ainda Henrique Monteiro.

Mas, nas redes sociais, há quem sugira que no próximo Avante haja “uma banca com bisnagas cheias de gel, para acertar na cabeça do João Cotrim de Figueiredo“. E também o escritor Rui Zink deixa algumas farpas à actividade do IL.

O humorista João Quadros nota que “o mais espectacular do arraial da Iniciativa Liberal é que foi a primeira vez que a dúzia de sardinhas estava em Bitcoins“.

Já em tom mais sério, o músico João Gil refere que a iniciativa “não foi apenas uma provocação a Medina e às regras impostas a todos, nem uma afronta à DGS que deu o parecer negativo”. “Foi uma joelhada em todos nós e um enorme tiro nos pés“, escreve também no Twitter.

Por outro lado, há também quem se recorde dos festejos do Sporting e saliente que Medina autorizou as celebrações do título dos leões com milhares de pessoas nas ruas, enquanto no arraial do IL só estiveram “algumas centenas”.

  Susana Valente, ZAP //

10 Comments

  1. Concordo com o Senhor Rio, mas ao Senhor Figueiredo digo, assim você não chega lá, falta de disciplina, não obrigada, não quero.

  2. Nessa altura, o líder do IL frisava o cancelamento de “centenas de eventos culturais”, sublinhando que a realização do evento político do PCP dava “a entender que os partidos políticos têm prerrogativas que outras instituições ou cidadãos não têm”.
    Não brinquem com coisas sérias, mas o que é isso de dar a entender? A verdade é que nem todos têm capacidade organizativa como o PCP para realizar um evento da dimensão da Festa do Ávante ou outros, cumprindo as determinações das autoridades de saúde, o resto é conversa da treta.

  3. A estes negacionistas como o Sr. Cotrim, é quando chegarem ao hospital a necessitar de cuidados mandã-los pastar. Não é possível aceitar, que todos tenhamos que pagar para dispensar recursos tão preciosos por vaidade destes meninos de coro armados em sabichões.

  4. Há quem tenha ficado com medo de viver, sem confiar na sua própria responsabilidade e esteja à espera que o paizinho diga que já pode sair à rua…..mas quando for o Sporting pode-se fazer tudo que ai o virus não entra..

  5. Se disponibilizassem camisolas do Chelsea e do Manchester City a entrada já não haveria problema, assim fizeram uma borrada.

  6. Tudo uma cambada de incompetentes e oportunistas, de extrema a extrema, penso ter-me feito entender! A democracia deu em palhaçada, já nada parece ser a sério!

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