Infarmed mantém vacina. Portugueses continuam a querer ser vacinados com AstraZeneca

Hannibal Hanschke / AFP

Depois de ser conhecida a avaliação da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) à AstraZeneca, o Infarmed decidiu manter a vacina, “continuará a acompanhar a situação e atualizará a informação quando necessário”.

De acordo com o ECO, o Infarmed decidiu continuar a administrar a vacina da AstraZeneca, que foi suspensa em alguns países europeus, e recordou a “importância de notificar ao Sistema Nacional de Farmacovigilância qualquer suspeita de reação adversa”.

Segundo a autoridade nacional responsável pelos medicamentos e produtos de saúde, a possibilidade de aparecimento deste tipo de coágulos é “muito baixa”.

Contudo, o Infarmed recomenda que as pessoas vacinadas procurem “imediatamente assistência médica” se detetarem sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço nas pernas, dor abdominal persistente, sintomas neurológicos (dores de cabeça intensas e persistentes ou visão turva) ou pequenas manchas de sangue sob a pele em locais distintos do local da injeção.

A EMA identificou esta quarta-feira uma “possível ligação” entre a vacina da AstraZeneca e os casos “muito raros” de formação de coágulos sanguíneos associada a baixo nível de plaquetas. No entanto, a agência europeia reitera que os benefícios da vacinação continuam a superar os riscos.

Nesta avaliação, foi feita a “revisão detalhada de 62 casos de trombose dos seios venosos cerebrais e 24 casos de trombose venosa esplâncnica, 18 dos quais fatais, ocorridos no Espaço Económico Europeu e do Reino Unido, e notificados pelos sistemas nacionais de farmacovigilância à base de dados europeia de reações adversas, até 22 de março de 2021”.

Segundo as conclusões, estas reações podem ser explicadas por “uma resposta imunológica similar à ocasionalmente observada em doentes tratados com heparina”.

Os casos notificados ocorreram “principalmente em mulheres com menos de 60 anos, nas duas semanas seguintes à vacinação”, mas não é ainda possível “a definição de fatores de risco específicos”.

A ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, convocou uma reunião de emergência esta quarta-feira para coordenar as posições dos 27 estados-membros em relação à administração da vacina da AstraZeneca, mas parece não haver consenso entre os ministros de Saúde da União Europeia (UE).

Vários países, como é o caso da Bélgica, Itália e Espanha, decidiram limitar as idades das pessoas a quem serão administradas estas vacinas. Enquanto a Bélgica só administrará a vacina a maiores de 55 anos, Itália e Espanha vão dar prioridade a adultos com mais de 60.

Portugueses mantém confiança

Um estudo da Deco Proteste revela, segundo o ECO, que a maioria dos portugueses ainda quer ser vacinada com o fármaco da AstraZeneca, apesar de a confiança ter sido abalada com os casos de coágulos sanguíneos reportados.

O inquérito foi feito em quatro países – Portugal, Espanha, Itália e Bélgica – e concluiu que a confiança nas vacinas contra a covid-19 é superior nos portugueses.

Segundo o estudo, a confiança na vacina da AstraZeneca diminuiu para 63% dos portugueses, mas não foi o suficiente para decidirem não tomar o fármaco. Entre os inquiridos, apenas 5% têm a certeza que não vão tomar a vacina e 10% hesitam. Pelo contrário, 59% dos portugueses que ainda não tomaram a primeira dose da vacina iriam com certezas tomar e 26%, apesar das dúvidas, provavelmente também iria.

Dos portugueses que já tomaram a primeira dose da vacina em causa, mais de metade dos que reportaram efeitos negativos (55%) está disposto a tomar a segunda dose.

Em Espanha, apenas 52% tomariam a vacina sem hesitar, na Bélgica o número passa para 47% e, em Itália, desce para 45%.

Maria Campos, ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

  1. Eu vou continuar a usar máscara e a lavar as mão…. Não me metem astazeneca no braço de certeza. Venha qualquer outra…..

  2. Portugal sempre gostou de baixar a calcinha a Inglaterra. Começou logo com o dote de casamento de Catarina de Bragança em que ficámos sem Bombaim e Tanger… Depois vieram ajudar a combater Napoleão e levaram-nos ouro e preciosidades Rio acima e até à terra deles, enquanto o nosso Rei estava no Brasil (já na altura a fugir do perigo enquanto o povo sofria com ele).

    Somos mesmo uns vendidos… A mais antiga aliança militar da Mundo entre nós e os Bifes, sempre os beneficiou apenas a eles. Agora simbolicamente voltamos a arrear a cueca perante a Astrazeneca.

  3. Eu a astrazeneca não apanho, salvo se vierem enfermeiros a correr atrás de mim, com a seringa na mão e me puserem uma camisa de forças!! Aliás, não duvido nada que essa aparente “sondagem” não corresponda minimamente à realidade…
    Ninguém pode ser tão obtuso!!

  4. Título: “Infarmed mantém vacina. Portugueses continuam a querer ser vacinados com AstraZeneca”.
    Pois não hão de querer! Se recusarem vão para o final da lista e tomam-na na mesma…
    Ao menos em Itália, podem recusar, vão para o final da lista, mas depois já podem escolher!

  5. Os “portugueses” que querem que a vacinação com a Astrazeneca continue, são aqueles que já estão vacinados com a Pfizer e Moderna. Tipo o Cata vento.

  6. Só não havendo alternativas é que o uso da AstraZeneca poderia ser admissível. Mas havendo alternativas – as vacinas russas e chinesas – só um louco é que aceitaria correr o risco de trombose para ficar protegido do Covid 19. E só governos irresponsáveis é que não procurariam comprar imediatamente essas vacinas russas e chinesas, sobretudo por razões políticas ou ideológicas.

  7. Eu dispenso a minha, desde que seja esta, para quem estiver interessado; antes não era indicada para idade superior aos 65 anos, agora são esses que terão que gramar com a dose, será carne para abate? Continuo a achar estranho como se refugiam apenas nestas vacinas e não abrem caminho a outras que poderão dar melhor resposta às necessidades atuais. Na Alemanha e outros países mais a leste parece começarem a sair do acordo inicial e a comprarem vacinas russas, tudo isto demonstra que a imposição da UE está errada em todos os sentidos logo a começar pela falta de vacinas.

  8. Lendo esta noticia até parece que os portugueses são todos tontos! Não são!
    E como não são, obviamente NÃO querem sequer ouvir falar dela!
    Depois de mudarem as idades “ideais”, estipulou-se agora que são os de mais idade que terão menos problemas, o que tem toda a lógica, porque as pessoas de mais de 60 devem ter todas uma excelente circulação e um sangue fora-de-série, (assim como eu, que fico com as pernas e pés inchados, estando sentada ou de pé). Vem mesmo a calhar uns trombozinhos nas pernas ou na cabeça…ou noutro lado!
    Na minha opinião, apesar de tudo, até tem alguma razão de ser, visto os mais de 60, que primeiro eram mais de 65, estarem mais perto da reforma. Se morrerem alguns, sempre se poupa alguma coisa em pensões e contribui-se também para aligeirar, um pouco mais, o excesso de população porque, óbviamente, não morreram só as pessoas que dizem no texto!!!…Se assim fosse, não havia tanta controvérsia!
    Os mais velhos, claro, já estão na calha e não interessa qual ela seja. Mas se tens mais de 80…levas Pfizer e ficas todo contente porque não acontece nada…
    Se os portuueses “estão desertos” de levar com a AstraZ, então porque não deixar escolher! Decerto não chegarão para os “desejosos” e sobram as outras. Pela minha parte, com os meus quase 66, dou de boa vontade a minha dose, em troca de outra mais confiável…

    Por que raio se insiste em usar vacinas de uma entidade que não cumpre os contratos, não respeita a UE que lhes proporciona um negócio mega milionário, se ainda por cima a vacina não é fiável em termos de efeitos secundários e não chega nas quantidades acordadas?

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