27 não se entendem em relação à vacina da AstraZeneca. Presidência e Comissão apelam à coordenação

José Coelho /Lusa

Após algumas horas de reunião, os 27 ministros da Saúde da União Europeia não conseguiram acertar agulhas relativamente a critérios comuns para a administração da AstraZeneca, mas comprometeram-se a “continuar a seguir melhor a informação científica disponibilizada pela EMA nos seus pareceres”.

Marta Temido convocou uma reunião de emergência, esta quarta-feira, para coordenar as posições dos 27 em relação à administração da vacina da AstraZeneca, mas parece não haver consenso entre os ministros de Saúde da União Europeia (UE).

Esta quarta-feira, na conferência de imprensa da Agência Europeia de medicamentos (EMA), foi confirmado que “existe a possibilidade de ocorrência de casos muito raros de formação de coágulos sanguíneos” associados a níveis reduzidos de plaquetas, identificados, na sua maioria, em indivíduos do sexo feminino com menos de 60 anos”.

O regulador reforçou, no entanto, que os benefícios da vacina continuam a superar os riscos e que não existe prova que justifique limitar a administração da vacina a grupos etários específicos.

“Os Estados-membros da UE partilharam diferentes interpretações sobre as conclusões do [mais recente] relatório, tendo procurado, no entanto, clarificar com a EMA aspetos relacionados com a segurança da Vaxzevria”, refere o comunicado da presidência portuguesa do Conselho da UE, citado pelo Expresso.

“Esta é uma decisão técnica. Não uma decisão política. Devemos continuar a seguir a melhor informação científica disponibilizada pela EMA nos seus pareceres. Não devemos esquecer que as decisões individuais afetam todos“, avisa Marta Temido, ministra da Saúde portuguesa, no comunicado.

O primeiro-ministro, António Costa, também já tinha apelado a uma “posição coordenada”, defendendo que era preciso evitar “o cada um por si”.

“Sempre disse e é o apelo que temos feito que as autoridades nacionais, todos os estados membros da União Europeia devem respeitar as decisões da EMA e evitar tomar decisões unilaterais”, frisou o governante.

No final do encontro dos 27 não houve conferência de imprensa, apenas uma declaração conjunta da presidência portuguesa e da Comissão Europeia, na qual ambas apelam a uma maior coordenação em matéria de vacinação.

“As nossas decisões devem agora basear-se no trabalho científico da EMA e numa avaliação rigorosa e contínua dos riscos e benefícios. Hoje, apelo aos Ministros da Saúde para que sigam uma abordagem coordenada em toda a Europa no sentido de melhorar a confiança dos cidadãos”, defende Stella Kyriakides, Comissária da Saúde, citada também no comunicado.

EMA vai ter em conta sugestão britânica

A Agência Europeia do Medicamento disse que a União Europeia terá “em conta” a recomendação de especialistas britânicos que sugeriram alternativas à administração da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 para menores de 30 anos.

“Quanto ao Reino Unido, não posso comentar qual foi a tomada de decisão para restringir a uma determinada idade, mas posso dizer-vos que há muito mais uso em grupos etários mais jovens no Reino Unido do que há na UE neste momento e certamente teremos isto em conta nas nossas futuras avaliações”, disse Emer Cooke, diretora executiva da EMA.

Cooke reagia ao anúncio feito pelo Comité Conjunto de Vacinação e Imunização, um organismo de apoio ao governo britânico, que defendeu que as autoridades devem oferecer uma vacina alternativa à AstraZeneca às pessoas com menos de 30 anos devido aos sinais crescentes de que pode provocar tromboembolismos.

A decisão foi tomada após a Agência de Medicamentos britânica atualizar para 19 casos fatais entre 79 casos de pessoas que desenvolveram este problema, dos quais 51 mulheres e 21 homens entre 18 e 79 anos, contra sete mortes entre 30 casos identificados há quatro dias.

No total, mais de 21 milhões de doses da vacina AstraZeneca foram administradas no Reino Unido. A limitação do uso da vacina AstraZeneca pode atrapalhar a campanha de vacinação no Reino Unido, o país com mais mortes atribuídas a covid-19 na Europa, quase 127.000 desde o início da pandemia.

Espanha, Bélgica e Itália

A Bélgica só administrará a vacina da AstraZeneca a maiores de 55 anos ao longo das próximas quatro semanas, decidiram esta quarta-feira os ministros da Saúde federal e regionais belgas.

“Com base em pareceres científicos recentes, os ministros da saúde belgas decidiram substituir (a vacina) AstraZeneca por outras para pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos. Para as pessoas com 56 anos ou mais, todas as vacinas continuarão a ser administradas”, indica a declaração das autoridades sanitárias belgas, que estão a seguir os passos de vários outros países.

Já a Itália vai dar prioridade à administração da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 a maiores de 60 anos, após recomendação dos cientistas que trabalham com o Governo.

“A posição decidida pelo ministro [da Saúde, Roberto Speranza], após reunião connosco e outros especialistas, é de recomendar o uso preferencial [da vacina da AstraZeneca] a pessoas com idade superior a 60 anos”, destacou, em conferência de imprensa, o presidente do Conselho Superior de Saúde de Itália, Franco Locatelli.

A mesma posição é assumida pela vizinha Espanha. A ministra da Saúde espanhola, Carolina Darias, anunciou que o país vai limitar a administração da vacina da AstraZeneca a maiores de 60 anos.

“Vamos continuar a administrar a vacina AstraZeneca, mas a partir dos 60 anos”, disse.

Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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