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INE confirma estagnação da economia no 3º trimestre

billy_wilson / Flickr

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O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta segunda-feira uma taxa de variação nula do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre face ao trimestre anterior e um aumento de 1,4% em termos homólogos.

O INE divulgou a segunda estimativa das Contas Nacionais referentes ao terceiro trimestre, confirmando os números que tinha avançado na estimativa rápida conhecida a 13 de novembro, sinal que a meta do anterior governo de um crescimento económico de 1,6% este ano pode estar comprometida, admitiram economistas contactados pela agência Lusa.

Perante estes valores, a economia portuguesa no conjunto do ano deverá crescer abaixo da meta inscrita no Orçamento do Estado de 2015, prevendo a maioria dos economistas contactados pela Lusa um crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, inferior aos 1,6% estimados pelo anterior governo liderado por Pedro Passos Coelho.

O anterior governo PSD/CDS-PP esperava que a economia portuguesa crescesse 1,6% este ano, uma projeção que foi incluída no Orçamento do Estado para 2015, de outubro de 2014, e que foi reiterada no Programa de Estabilidade, conhecido em abril passado.

A economista-chefe do BPI Paula Carvalho considera que “matematicamente ainda é possível” que o PIB aumente 1,6% no conjunto de 2015 face ao ano anterior, mas admite que agora “a probabilidade é menor”.

“A atividade teria de crescer à volta dos 0,8% em cadeia” no quarto trimestre para que a meta de crescimento do anterior governo fosse cumprida, segundo a analista, que considera que esta é uma previsão “pouco plausível”.

Alertando que “o próprio valor do terceiro trimestre pode ser revisto em ligeira alta”, Paula Carvalho afirma que, “com os dados conhecidos atualmente, a probabilidade de [o crescimento económico] ser de 1,5% é maior”.

Já António Ascensão Costa, professor do Grupo de Análise Económica do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), afirma que a meta da coligação PSD/CDS-PP é “muito pouco provável” e que, depois da estagnação económica no terceiro trimestre, “é mais provável que o crescimento económico em 2015 fique nos 1,5%”.

O professor universitário afirmou que, para que a economia crescesse ao ritmo estimado pelo anterior governo no conjunto do ano, teria de existir um crescimento em cadeia de 0,5% e 0,6%.

Também o presidente da Informação de Mercados Financeiros (IMF), Filipe Garcia, e o banco BBVA esperam que a economia cresça abaixo dos 1,6% previstos pelo anterior executivo, aumentando 1,5% este ano.

Por sua vez, o departamento de Estudos do Montepio continua a admitir um crescimento económico de 1,6% para a totalidade de 2015, explicando que será necessário uma melhoria entre 0,5% e 0,6% no quarto trimestre face ao terceiro.

O economista-chefe do Montepio considera que um valor em cadeia de 0,5% é “perfeitamente possível”, admitindo, no entanto, que o “principal risco descendente se prende com a indefinição política”.

Também o professor Jorge Borges de Assunção, do Núcleo de Estudos de Conjuntura Económica Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, disse à Lusa que “será necessário que o crescimento no último trimestre seja na ordem dos 1,8% (embora 1,6% possa chegar) e de 0,8% em cadeia (embora 0,6% possa chegar)” para que seja alcançada a meta definida pelo governo de Pedro Passos Coelho.

/Lusa

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