“É impopular dizer isto, mas o sistema bancário está a ajudar a amortecer” a crise, diz Siza Vieira

António Pedro Santos / Lusa

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, não responsabiliza a banca pela demora nos créditos cedidos às empresas e pela baixa percentagem, prometendo que “nos próximos dias” a tendência será para que comece a chegar mais dinheiro ao tecido empresarial.

“Sei que é impopular dizer isto, que há muitas queixas, mas neste momento o sistema bancário no seu conjunto está a ajudar a amortecer o impacto [da crise], o que não se verificou há 10 anos”, afirmou, em entrevista ao podcast do PS Política com palavra, citado na quinta-feira pelo Expresso.

Siza Vieira reconheceu as dificuldades em vários campos, que podem atrasar os processos. Uma das demoras é na Garantia Mútua (SPGM), a estrutura pública que concede as garantias do Estado para que os bancos possam ceder o crédito. Questionado se o que se passa na SPGM é o mesmo que na Segurança Social, em que a “máquina” teve de se adaptar, o ministro respondeu: “É isso mesmo”.

A SPGM passou de uma avaliação de 200 créditos para 40 mil, numa semana. “Estamos a falar de um nível que vai recuperar nos próximos dias. Nos próximos dias vamos ver o dinheiro a chegar às empresas”, indicou.

O ministro referiu que a banca tem tido um comportamento “bem diferente de há 10 anos”, quando ocorreu a última crise financeira. Admitiu ainda que “foi muito difícil assegurar o fluxo de tratamento dos processos”, uma vez que também tem funcionários em casa.

Siza Vieira declarou ainda que os bancos estão a “permitir amortecer bastante a crise no setor económico” e que “não estava à espera” que a adesão das empresas a estes apoios fosse desta ordem de grandeza.

Para o ministro, a crise poderá ser mais profunda no segundo trimestre, com o mês de abril a ser o pior, mas com o terceiro e quarto trimestre já em crescimento. O Banco do Fomento “vai fazer diferença na fase de retoma”, acrescentou o ministro, frisando que a instituição “vai ter de ir para a frente muito rapidamente”.

Quanto à TAP, questionado se o Estado deverá ficar a mandar na empresa, explicou: “Acho que é inevitável e está a acontecer em todo o lado” onde há entrada de dinheiro público em empresas de aviação. “Onde isso tem acontecido, tem havido um acréscimo do poder de controlo dos Estados sobre as empresas”, reforçou.

“Quem mete dinheiro, obviamente tem de ter uma cautela especial como esse dinheiro está a ser utilizado”, concluiu o ministro, que defende a entrada do Estado no capital de algumas empresas.

Para que tal aconteça, são necessários “instrumentos híbridos ou entrada no capital”, em empresas de “setores estratégicos”, “setores industriais” que “são promissores do ponto de vista da sua capacidade técnica, mercado” como indústria da “metalomecânica, dos plásticas, das biotecnologias, da saúde, do agro-alimentar”.

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