Imagens de satélite revelam dimensão da crise dos rohingya no Myanmar

(dr) Google Earth / ASPI

A aldeia de Maw, dos rohingya, no Myanmar, em 2017 e em 2018

Apesar das promessas do Governo do Myanmar para começar a repatriar os rohingya que fugiram para o Bangladesh, imagens de satélite mostram que as aldeias desta minoria étnica continuam a ser destruídas.

Uma análise a várias imagens de satélite mostra que o Governo do Myanmar falhou na promessa de fazer com que o regresso dos Rohingya fosse seguro e revela ainda que a destruição das suas aldeias continua, avançou o The Guardian esta quarta-feira.

De acordo com o relatório do Australian Strategic Policy Institute (ASPI), apesar das garantias do Executivo de repatriar os cerca de 700 mil Rohingya que fugiram do estado de Rakhine, depois de uma violenta ação militar em agosto de 2017, as preparações para o seu regresso foram “mínimas”.

Segundo o jornal britânico, o relatório também descobriu através das mesmas imagens de satélite que as aldeias desta minoria étnica continuaram a ser destruídas ainda este ano, sendo queimadas como parte de uma campanha do Exército para assegurar que não existem aldeias habitáveis para quando estas pessoas regressem ao país.

“O que mais me surpreendeu foi a escala dos fogos contínuos depois de 2017. Não foram apenas aldeias espalhadas ou casas ocasionais a ser queimadas em 2018 e 2019, os militares passaram por paisagens inteiras e queimaram todas as aldeias. Portanto, ainda há uma destruição generalizada e contínua das áreas residenciais dos Rohingya”, afirma Nathan Ruser, um dos autores do relatório.

“Isto, em particular, enfraquece a mensagem do Governo do Myanmar de que está disposto a conseguir um processo de repatriação”, diz ainda o autor do relatório, que acrescenta que, além da destruição, estão a construir campos altamente securitizados e bases militares.

Em vez de reconstruir as aldeias dos Rohingya, as imagens de satélite mostram que o foco da construção em Rakhine foi a construção ou ampliação de pelo menos 45 acampamentos, com os quais vários grupos de defesa dos direitos humanos já expressaram preocupação por considerarem que não seriam nada mais do que “prisões ao ar livre”.

O Bangladesh, país para o qual fugiram mais de 700 mil pessoas, e o Myanmar assinaram um acordo para começar a repatriar os refugiados em finais de janeiro deste ano, que acabou por ser suspenso à última da hora por Daca.

A violência dos militares sobre esta minoria étnica, com a destruição de aldeias, assassinatos e violações em massa, foi considerada pelas Organização das Nações Unidas (ONU) como uma “limpeza étnica” e uma “tentativa de genocídio”.

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, já defendeu a responsabilização dos autores da “horrenda perseguição” destes muçulmanos em Myanmar, considerando que as descobertas e recomendações dos investigadores da organização “merecem séria ponderação de todos os órgãos relevantes das Nações Unidas”.

Myanmar não reconhece cidadania aos rohingya, que considera imigrantes ilegais bengalis, submetendo-os há várias décadas a todo o tipo de discriminações, incluindo restrições à liberdade de movimentos e no acesso ao mercado de trabalho.

ZAP //

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