Hospital de São João alerta para aumento do número de casos nas urgências depois do Natal

José Coelho / Lusa

Hospital de São João, no Porto

Num balanço do período festivo, coordenador do Serviço de Urgência na resposta à Covid-19 do Hospital de São João, no Porto, disse que a percentagem de doentes positivos voltou a aumentar e que este é “o nosso principal sinal de alerta de que há um agravamento da situação”..

Nelson Pereira, coordenador do Serviço de Urgência na resposta à Covid-19 do Hospital de São João, no Porto, aponta para um “claro recrudescimento do número de doentes que recorrem ao serviço de urgência” depois do período natalício. O hospital conta neste momento com 101 doentes internados, 46 dos quais em cuidados intensivos.

“Há um claro recrudescimento do número de doentes que recorre ao Serviço de Urgência. Voltamos a ter mais de 100 casos suspeitos por dia (…). A percentagem de doentes positivos anda novamente nos 25 e 30%. Esse é o nosso principal sinal de alerta de que há um agravamento da situação. É algo que nos põe de pé atrás do que vai acontecer nas próximas semanas”, disse Nelson Pereira.

O diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ) falava aos jornalistas na manhã desta segunda-feira, em frente à entrada para a urgência de adultos deste hospital do Porto, para fazer um balanço do período festivo, mas sobretudo para apelar à manutenção de cuidados como distanciamento social, etiqueta respiratória e higienização das mãos.

“Durante o mês de dezembro assistimos a uma diminuição progressiva do número de casos suspeitos no Serviço de Urgência, assistimos a uma diminuição razoável do número de casos em enfermaria e assistimos a uma situação mais ou menos estável do número de casos internados em cuidados intensivos”, descreveu o médico.

Nelson Pereira admitiu que a atual situação “não é uma surpresa” e frisou, relativamente ao aumento que agora está a fazer-se sentir, que “é certamente efeito da época natalícia”, repetindo o apelo aos cuidados.

“Não são só os dias 24 ou 25 que produzem este efeito. Todo o ambiente à volta das festas faz com que as pessoas contactem e se mobilizem mais (…). Qualquer aumento que possa acontecer nas próximas semanas é muito preocupante e pode ter impacto”, disse.

Nelson Pereira recordou que a unidade de doentes críticos deste hospital “continua com 22 camas abertas, além da capacidade normal do serviço”, e frisou que vê “com preocupação este recrudescimento porque novos casos significam novos internamentos e mais cuidados intensivos”.

“É muito importante que as pessoas compreendam que a situação está longe de ser resolvida. Estamos num início de 2021 que vai ser muito difícil. Mesmo que tenham tido algum laxismo na forma como se comportaram durante as festas, é importante que voltem a perceber que os cuidados são para manter”, sublinhou.

Ao Público, Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, referiu que, apesar de ainda não ser possível avaliar os efeitos do alívio das medidas, o alívio maior de restrições assumido por Portugal (em comparação com outros países europeus) pode ter implicações na dimensão do aumento de casos.

O diário indica que, dos seis países que o matutino escolheu acompanhar, apenas Portugal e Reino Unido têm verificado um aumento constante de novos casos depois da quadra natalícia.

No caso de Portugal, os menores números de notificações nos dias de Natal foram seguidos por três dias com mais de seis mil casos. A média a sete dias de novos casos diários por um milhão de habitantes do país é agora de 489,3, o que corresponde a um aumento de quase 40% face à incidência de 350,5 a 24 de dezembro.

Ricardo Mexia disse os picos verificados em Portugal entre o Natal e o Ano Novo têm “seguramente um pouco a ver” com a quadra festiva, até porque só a partir de quarta-feira é que deverão começar a ver-se valores mais próximos da realidade.

Apesar dos relaxamentos, Espanha, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e até França “tiveram medidas mais apertadas do que as nossas”, pelo que se antevê que o crescimento provocado pelas reuniões familiares “tenha uma maior dimensão” em Portugal, apontou o médico ao diário.

ZAP // Lusa

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