Hospitais de Lisboa à beira da rutura. Há doentes transferidos para o Algarve e cirurgias oncológicas em risco

Alejandro Garcia / EPA

Pela primeira vez desde o início da pandemia, a zona de Lisboa e Vale do Tejo esgotou no último fim de semana a capacidade de resposta aos doentes com covid-19. 

De acordo com o semanário Expresso, no domingo passado, nenhum dos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo tinha meios para receber mais infetados. O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) ajuda à Administração Regional de Saúde e a única solução encontrada foi a transferência de doentes para o Algarve e Covilhã.

No sábado, as urgências do Hospital de São José, que integra o CHLC, também já tinham sido encerradas para os doentes trazidos por ambulâncias.

Na segunda-feira, o Hospital de Santa Maria registou 426 atendimentos de urgência, muitos dos quais resultado de transferências de outras unidades que já tinham esgotado a capacidade de atendimento.

O Centro Hospitalar Lisboa Norte registou na segunda-feira o terceiro pior dia desde o início da pandemia.

Com 98% de ocupação, a situação do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental é considerada crítica, com dificuldade para acomodar os doentes que chegam às urgências.

A situação está a fazer com que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) pondere transferir doentes em cuidados intensivos em Lisboa para zonas menos pressionadas do país – o que nunca antes aconteceu.

“Sabemos que taxas de ocupação superiores a 80% em cuidados intensivos não nos permitem dar resposta a todos os doentes e neste momento a média de ocupação é igual ou superior a 94%”, alertou João Gouveia, presidente da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, em declarações ao Expresso.

A taxa média de ocupação e a falta de capacidade para continuar a expandir o atendimento está a levar à possibilidade de mobilização de profissionais de saúde de especialidades não envolvidas na linha da frente e de médicos e enfermeiros de outras regiões do país.

Segundo o responsável, está ainda a ser ponderado o condicionamento das cirurgias aos doentes oncológicos para libertar blocos operatórios, salas de recobro e anestesistas para permitir a expansão das camas destinadas a doentes críticos. As cirurgias oncológicas devem ser temporariamente concentradas apenas nos institutos de oncologia e nos hospitais privados.

A ministra da Saúde, Marta Temido, determinou a suspensão imediata da atividade não urgente em Lisboa e a elevação de todos os planos de contingência para o nível máximo.

Marta Temido especificou também o que tem de ser feito em várias unidades. O Santa Maria deve converter imediatamente 12 camas não-covid em covid; o São Francisco Xavier tem de criar 53 camas que “ainda não estão totalmente consideradas”; no Hospital de Vila Franca de Xira, “todas as camas críticas poderão ser afetas à covid, utilizando o recobro para não-covid” e no Hospital de Cascais “mais camas poderão ser abertas com reafetação de recursos humanos”.

O Expresso avança ainda que o Curry Cabral pode ser transformado num hospital exclusivamente dedicado à pandemia, fazendo do Santa Marta uma unidade não-covid.

Hospitais de Coimbra suspendem atividade cirúrgica

Esta quinta-feira, o Centro Hospital e Universitário de Coimbra (CHUC) suspendeu a atividade cirúrgica programada, convencional e ambulatória que ocorra no bloco operatório central, com exceção de doentes oncológicos, urgentes e muito prioritários e prioritários.

O objetivo, segundo um comunicado do CHUC, é “mobilizar recursos humanos necessários ao reforço do dispositivo do plano de contingência da covid-19, de reduzir a pressão sobre os serviços de internamento e a circulação de pessoas no polo Hospitais da Universidade de Coimbra”.

“As consultas externas subsequentes, sempre que o doente reúna critérios para o efeito, deverão ser preferencialmente substituídas por teleconsultas ou consultas não presenciais”, adianta a nota enviada à agência Lusa.

De acordo com o CHUC, no polo dos Hospitais da Universidade de Coimbra ficam também suspensas as atividades presenciais dos alunos da Universidade de Coimbra e das Escolas Superiores de Enfermagem e de Tecnologias da Saúde.

No entanto, fora desta medida ficam os alunos do 6.º ano de mestrado integrado de medicina, alunos dos cursos de especialidade em enfermagem e alunos cuja suspensão do ensino clínico comprometa a conclusão do curso.

Maria Campos, ZAP // Lusa

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