O homem que “quebrou” o Banco de Inglaterra, quer “quebrar” o Brexit

FMI / Flickr

O investidor George Soros

É conhecido por ter feito fortuna a especular contra a libra na “Quarta-feira negra” e por ser um dos 30 homens mais ricos do mundo. Agora, George Soros confirma ter feito um donativo para uma campanha contra o Brexit.

George Soros já confirmou ter feito um donativo para a campanha “Best for Britain”, que visa impedir que o Brexit aconteça.

O donativo já tinha sido avançado pelo The Telegraph na semana passada, mas agora, para se defender de críticas e insinuações, o multimilionário de 87 anos escreveu um carta aberta para o Daily Mail.

Na carta, Soros confirma ter entregue 400 mil libras à organização (mais de 450 mil euros), por considerar o Brexit “um erro de proporções trágicas”.

Segundo o próprio, tudo foi feito por amor ao Reino Unido e pela importância de viver numa “sociedade aberta” e não numa “sociedade fechada, onde os donos do poder exploram as pessoas”. E isto, George Soros sabe melhor que ninguém, tendo em conta que viveu a infância na Hungria comunista.

É por isso que soros criou a “Open Society“, através da qual doa enormes somas de dinheiro a entidades políticas e ativistas, apoiando causa progressistas e liberais.

George Soros lamenta o Brexit, um processo que vai “transformar o Reino Unido de amigos em inimigos, pelo menos durante o período transitório”. “Antes do referendo, o Reino Unido estava a ter maiores sucesso económico do que o resto da Europa. Mas agora isso inverteu-se, com as economias continentais a crescerem de forma robusta, enquanto que o Reino Unido fica para trás”.

Numa reflexão sobre o referendo que levou ao momento europeu atual, George Soros classifica-o como um “um erro fatal”: “A experiência mostra que os referendos levam, muitas vezes, a decisões erradas. Incentivadas por agitadores sem escrúpulos, as pessoas usam os referendos para expressar insatisfação em relação ao atual estado de coisas, em vez de pensarem sobre as consequências. Só porque a situação atual não é satisfatória não quer dizer que não pode piorar. E isto está a acontecer no Reino Unido”.

E George Soros antecipa ainda que “à medida que o divórcio entrar na fase de maior confronto”, a economia britânica vai sofrer cada vez mais, num sofrimento que classifica como “cada vez mais dolorosamente óbvio”.

Além disso, o multimilionário avisa ainda que as verdadeiras preocupações da Europa deveriam ser os inimigos externos, como a Rússia de Putin.

Segundo o Observador, no que diz respeito à sociedade britânica, Soros pensa muito nos “jovens que vão viver num futuro que nunca verei”.

Isto porque “as pessoas com menos de 35 anos votaram de forma esmagadora para ficar na União Europeia, e só nas pessoas com mais de 55 anos é que houve uma maioria de votantes pelo Brexit”.

Na leitura de Soros, “os velhos sobrepuseram-se aos jovens, que terão de viver com as consequências do Brexit nas próximas décadas”. Este é um fator que “alimenta a deceção dos jovens em relação à democracia”, não obstante, acredita o filantropo, um dia o Reino Unido voltar a candidatar-se para regressar à União Europeia.

Ainda assim, na opinião de Soros, a opinião pública está cada vez mais a mover-se no sentido da permanência, pelo que é preciso “acelerar” o processo e chegar a um “ponto de inversão” nos próximos seis a nove meses.

“O eleitorado precisa de obrigar os seus deputados a dar-lhes a coragem de revoltar-se contra a liderança dos partidos, e o eleitorado precisa de estar motivado não apenas para votar mas, também, para tomar um papel ativo na política“, pede Soros.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Errado, George Soros, nao viveu na Hungria Comunista. Ele é Judeu, viveu a Hungria durante a tomada desta pelas forcas alemães durante a Segunda Guerra Mundial. E salvou-se do Holocausto, por ter passado por Cristão e foi protegido por um oficial Alemão Nazi. A suas interferências na economia Mundial e políticas, são por dinheiro e só por este. Homem demagogo e perigoso, que julga dominar o mundo conforme os seus interesses.

  2. O Brexit foi uma decisão da gerontocracia britânica. Deixar a decisão em pessoas que têm saudades do colonialismo e do Império é o que dá!

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