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Caso do hidrogénio verde. António Costa apanhado em escutas

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Hugo Delgado / Lusa

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça mandou destruir escutas em que o primeiro-ministro António Costa foi apanhado acidentalmente. O Expresso avança que o Ministério Público já recorreu da destruição.

O Ministério Público (MP) terá intercetado conversas entre o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, no âmbito do caso do hidrogénio verde. O alvo das escutas era este último.

Na mesma investigação, terão também sido ouvidos o secretário de Estado-adjunto e da Energia, João Galamba, e o ministro da Economia, Siza Vieira. Vários membros do Governo estarão a ser investigados, apesar de nenhum deles ter sido constituído arguido.

A notícia é avançada esta sexta-feira pelo semanário Expresso. As escutas em que Costa foi apanhado foram apreciadas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, António Piçarra, uma vez que, sempre que um primeiro-ministro é visado numa interceção telefónica, a validade da mesma tem de ser apreciada pelo presidente do STJ.

António Piçarra mandou-as destruir por considerar que não tinham matéria ou indício criminal relevante. No entanto, o MP recorreu da decisão e agora será um juiz-conselheiro a decidir se são destruídas ou se se juntam ao processo.

O semanário escreve que, no total, foram duas as escutas que já foram apreciadas por António Piçarra, faltando ainda a decisão sobre uma terceira.

Em novembro, a revista Sábado noticiou Pedro Siza Vieira e João Galamba estavam a ser investigados sobre a atuação do Governo na promoção do hidrogénio verde, na sequência de uma denúncia recebida pelo Ministério Público no final de 2019.

Os governantes “são suspeitos de favorecimento do consórcio EDP/Galp/REN no milionário projeto do hidrogénio verde para Sines”, estando em causa um dos maiores projetos que em 2020 foram selecionados para uma candidatura nacional a um estatuto de interesse comum da Comissão Europeia, que visa facilitar a obtenção de apoios ao financiamento.

A Sábado noticiou ainda que Siza Vieira e Galamba estiveram sob escuta, tendo o DCIAP negado que o ministro da Economia tivesse sido escutado. Desde então não houve desenvolvimentos sobre a candidatura portuguesa no quadro do hidrogénio.

O Expresso contactou o gabinete de António Costa, que disse “ignorar” qualquer escuta e “[agradeceu] a informação”. Já a Procuradoria-Geral da República não deu qualquer resposta ao jornal em tempo útil.

  ZAP //

23 Comments

  1. Claro… se o cabrão dissesse que tinha assassinado alguém, ou que tinha roubado milhões ao Estado, iam destruir a cassete/prova… muito bom, este nosso país. Temos cada vigarista…! Fosca-se!

  2. Que raio de estado de direito este em que a classe politica está sempre um degrau acima dos cidadãos comuns. Onde está a igualdade de tratamento perante a lei. Pais sem justiça independente nunca terá futuro.

  3. Ou são os JORNALISTAS a salvarem os interesses deste desgraçado povo, ou vai ficar tudo no fundo do baú sem ver a luz do dia e os corruptos ficaram sempre na sombra a sorri.
    Infelizmente já há poucos jornalistas com a coragem dos de antigamente. Talvez não mereçamos mais porque, ao fim e ao cabo, votamos sempre nos mesmos…

  4. Estou certo que a oposição será contundente com estes atos (ou não?) Não deixará passar em branco. A nossa oposição ao governo vê tudo. É omnipresente e omnipotente, (ou não?). É uma oposição forte que deixe os cidadãos tranquilos (ou não?). Acho que não.

  5. Estamos feitos. O dinheiro manda sempre mais. Seja qual for o governante, vigente ou candidato, se não cumprir com os favores que o meteram lá, salta fora da carroça em três tempos.

    Ou quando os candidatos aos cargos andam nas campanhas e romarias, o que acham que fazem as figuras da alta finança? Organizam almoçaradas para o beija mão dos candidatos! E deste amigalhismo só escapam os que não têm qualquer hipótese de lá chegar.

  6. No meu entender a razão das conversas era mudar de hidrogénio verde para hidrogénio vermelho com sede na catedral da 2ª circular, portanto tudo normal e nada de razão para desconfianças!

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